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Um slasher que se acomoda nos clichês sem qualquer tentativa de escapar do óbvio, com personagens colegiais estereotipados, motivações rasas e um roteiro tão previsível que dificilmente surpreende. A direção até tenta impor algum ritmo ao conjunto, e a curiosidade sobre o que pode acontecer mantém um fio de atenção, mas nada disso é suficiente para realmente elevar a experiência.
O elenco funciona dentro das limitações impostas pelo material, enquanto a trilha, a maquiagem e o figurino oitentista reforçam os poucos aspectos que se destacam positivamente. No fim, porém, mesmo com esses pequenos respiros, o resultado é claro: uma produção que serve apenas como entretenimento, e olhe lá.
Um grandioso fiasco, possivelmente uma das piores direções do ano. O filme sofre com um elenco mal escalado, atuações toscas e um roteiro ineficiente que tenta aprofundar certas questões, mas apenas acrescenta furos narrativos.
Rachel Zegler impressiona pela quantidade de expressões sofríveis em praticamente todas as cenas. As atuações são tão desastrosas que, por vezes, o longa parece uma superprodução paródica. E digo “paródica” porque quase tudo soa como motivo para tirar uma galhofa, como se a intenção fosse viralizar a partir de situações constrangedoras. A diferença é que aqui não existe propósito humorístico algum, apenas um excesso mal conduzido.
Ainda assim, não cabe atribuir a culpa exclusivamente à atriz. Ela se empenha, mas sua interpretação surge completamente deslocada, incapaz de sustentar o impacto dramático, a doçura e a inocência que a personagem exige. Gal Gadot, por sua vez, também não convence como Rainha Má. Nos momentos em que a personagem exige uma maldade mais incisiva, ela simplesmente não alcança o tom necessário. A voz falha, a presença se dissipa e a vilã perde qualquer potência. Trata-se, possivelmente, do desempenho mais fraco de ambas atrizes.
Curiosamente, um dos poucos acertos está nos anões, que funcionam muito bem em cena e são integrados com um CGI competente, talvez entre os melhores do ano. O mesmo vale para os efeitos aplicados aos animais, às forças da floresta e aos elementos mágicos, todos bem executados. Quem acaba roubando a cena, ainda que isso vá na contramão da proposta mais feminista e empoderada do filme, é o príncipe vivido por Andrew Burnap. Ele entrega a melhor atuação do longa e seu núcleo acrescenta um frescor bem-vindo ao roteiro.
Há, nos pontos extremos, um contraste quase chocante entre o péssimo e o verdadeiramente excelente. A direção de arte, o figurino e a maquiagem estão impecáveis, facilmente entre os melhores do ano. É nesses aspectos que o filme encontra sua força, embora de forma totalmente isolada.
A edição, o design de som, a trama e a trilha sonora original também contribuem para tornar a experiência ao menos suportável.
No fim, esta obra, tão cinematográfica quanto involuntariamente paródica, cai do penhasco ao modificar ou tentar aprofundar determinados elementos da história. Além da direção problemática, o roteiro insiste em adições desnecessárias que comprometem a narrativa com furos significativos. Este é, possivelmente, um dos maiores fiascos, senão o maior, entre os live-actions da Disney.
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Em uma imaginação do que aconteceu com o cavalo salvo de uma brutal chicotada por Nietzsche, o diretor utiliza planos-sequência para transmitir a melancolia da vida cotidiana do carroceiro, de sua filha e do animal. Como consequência do episódio, o carroceiro passa a levar uma vida cada vez mais amarga, em uma espécie de parábola sobre o peso da existência.
A partir de sequências que mostram o cotidiano, a direção aposta na repetição e em diferentes enquadramentos desses mesmos momentos para construir uma experiência sensorial e reflexiva. O cavalo, cada vez mais abatido, se recusa a viver e a trabalhar após o ocorrido, trazendo consequências cada vez mais duras para todos ao seu redor. Ao longo do filme, predomina um tom sombrio e apocalíptico, com fotografia em preto e branco, ambientação imersiva, trilha sonora agoniante e o som constante do vento, que paira como um mau presságio. Essa melancolia que atinge o cavalo passa a marcar também a rotina do carroceiro.
Na cena do midpoint, quando ciganos se aproximam da fazenda e retiram água do poço, no dia seguinte ele aparece seco. Essa secura marca um ponto sem retorno, que leva a família a decidir migrar e enfrentar a tempestade, levando o cavalo consigo. No caminho, percebem que não conseguem ir muito longe sem água e acabam retornando para casa. Resta então uma espera silenciosa diante da janela, como se aguardassem algo que os tire da solidão e desse peso existencial que os atormenta, apagando qualquer sinal de esperança na vida. A cena final reforça essa ideia: no mesmo estábulo onde o cavalo vivia sozinho e sem luz, eles também passam a se afundar em uma tristeza profunda, até não encontrarem mais sentido na vida.
Em meio à reflexão proposta, o diretor imprime bem o significado da história. A partir de atitudes cruéis, surge uma revolta nesse mundo distópico, no qual tudo o que o homem toca se degrada. Ao mesmo tempo, há uma ambiguidade na leitura desses acontecimentos, que podem ser vistos tanto por um viés fictício e apocalíptico quanto como consequência concreta do sofrimento vivido pelo cavalo. Aos poucos, essa melancolia se torna profunda e inevitável, enquanto os planos longos e contemplativos reforçam a sensação de exaustão pela repetição do cotidiano. Embora isso funcione para transmitir o sentimento, acaba enfraquecendo o enredo.
Ainda que a mensagem gire em torno das consequências do que aconteceu com o cavalo, a monotonia nem sempre se sustenta, já que o cotidiano também se torna repetitivo pela falta de diálogo significativo entre os personagens. Eles próprios mostram que não tentam tornar a vida mais leve, como se essa rigidez já fizesse parte de quem são, deixando pouco espaço para qualquer gesto que alivie a monotonia. Ainda assim, a narrativa é eficaz ao fazer o espectador sentir esse universo, tanto em sua presença destrutiva quanto na dor do cavalo e nas consequências existenciais que atingem todos ao seu redor.