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é um excelente filme sobre uma mãe.
a Fernanda Torres carrega o filme nas costas com a atuação de uma mãe que é um pilar de sustentação na família: alimenta com suflê, afeto e resiliência para engolir a bomba nuclear que foi o sequestro e assassinato do marido sem cuspir um átomo radioativo sobre os filhos. é claro que eles sabiam que o pai estava morto, mas mesmo que um cinema esteja cheio de fumaça, o tumulto só começa quando alguém grita fogo.
é um filme extremamente mediano sobre a ditadura.
para todos os efeitos, o Rubens Paiva foi um militante de esquerda contra a ditadura militar. isso não o torna merecedor do que aconteceu, mas o tornava um alvo óbvio. então é mais do mesmo: um militante de antirregime sendo morto num por agentes do governo autoritário. o fato dele ser lembrado como herói é um mérito da vitória cultural/social dos seus correligionários, não de ter sido vítima do autoritarismo.
o filme falha em mostrar o terror que o autoritarismo representa a todos porque (novamente) o militante é o protagonista. o cidadão comum não se vê como Rubens Paiva porque não é high profile, não pode esconder a filha em Londres, nem escolhe botar a vida da família em risco por ideologia e, por isso, por medo, cansaço e um pouco de covardia, se omite como apolítico ou apoia por síndrome de Estocolmo. mas o autoritarismo devorou muita gente comum, que não ganhou filme, que acreditava que poderia ser apolítica e passar desapercebida, mas foi pra vala comum e nunca vai virar nome de estação de metrô.
a Fernanda Torres merecia o Oscar, mas o filme não.
meia estrelinha a mais porque esses cortes com a Super 8 são um orgasmo.