Maria Eduarda Sabino Guimarães
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Gostei muito de como a produção conseguiu reproduzir bem 2005, 2009 e 2012. Os celulares, as roupas, os cenários, tudo ajuda muito a entrar na época e deixa a história bem mais crível.

A história começa quase como um conto de fadas e vai ficando cada vez mais problemática quando os anos de casamento vão passando. Lorena Comparato é uma das melhores coisas do filme, achei a atuação dela muito boa e ela consegue passar bem pelas diferentes fases da personagem.

Uma coisa que me incomodou bastante foi o quanto o filme parece amenizar o Marcos. Ele claramente não era essa pessoa tão inocente e boazinha que a produção às vezes tenta fazer parecer. Inclusive, a própria família dele não gostava da Elize e isso também é uma parte importante da história que eu senti que poderia ter sido melhor explorada. Acho que o filme acaba deixando algumas coisas muito mais “neutras” do que realmente foram.

No geral, não achei perfeito, mas gostei bastante da ambientação e da atuação da Lorena. É interessante ver como uma história que começa com uma aparência de conto de fadas vai se transformando no que culminou o crime brutal.

Não fosse pela beleza da Alexandra Daddario (que na época estava em alta em Percy Jackson) provavelmente esse filme não teria tido metade do orçamento muito menos retorno do que teve. Não é só tenebroso, é HORRENDO!

Na cena final, finalmente entendemos o peso de tudo o que a Anora viveu. Percebemos que, por trás de toda a postura durona e da personagem que ela precisava interpretar para trabalhar, existia alguém que só queria ser amada, acolhida e ter um lugar para chamar de lar. É triste demais quando ela tenta retribuir o carinho do Igor com sexo, porque fica claro que aquela era a única forma de afeto que ela aprendeu a oferecer.

Durante quase todo o filme acompanhamos a "Annie": a mulher sexualizada, humilhada, perseguida e até sequestrada. Mas a verdadeira Anora aparece por poucos minutos, em pequenos detalhes, como quando ela volta para casa depois do trabalho, fuma em silêncio e encara o vazio no metrô. São momentos rápidos, mas que dizem muito mais sobre ela do que qualquer diálogo ao longo do filme, que quase sempre é razo.

Acho que o filme teria sido ainda mais impactante se tivesse dedicado um pouco mais de tempo à Anora como pessoa, e menos à personagem que ela era obrigada a interpretar no bordel. Por trás daquela fachada, existia alguém desesperadamente tentando ser vista além do corpo e do trabalho.

  • Filmow 1 semana atrás

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