Últimas opiniões enviadas
Fui achando que era um filme sobre "honra samurai” de um jeito romantizado. O que torna o filme tão desconfortável e genial é justamente o contrário: ele desmonta a ideia de honra como espetáculo social. A casa do clã Li funciona quase como um tribunal frio onde aparência vale mais do que humanidade.
E talvez seja por isso que o filme envelheceu tão bem, porque não fala apenas sobre samurais, fala sobre instituições que preferem preservar a própria imagem mesmo quando esmagam pessoas comuns no processo.
Também é interessante como o filme destrói aquela visão “heroica” do guerreiro invencível. A espada em Harakiri quase nunca parece com um símbolo de glória, mas como um objeto de coerção social. Até a coragem ali é ambígua, porque muitas vezes ela nasce do desespero, não da nobreza. É um filme que termina e deixa uma sensação amarga de que a história sempre é escrita por quem controla a cerimônia.
Embora os contos sejam do Poe, tudo depende exclusivamente do Vincent Price.. a entonação, os silêncios, os olhares, a elegância, tudo. Que ator!! Ele transforma a tela num palco sombrio com um fascínio quase hipnótico. Os textos do Poe, por si só, já apresentam uma espécie de musicalidade mórbida, mas com o Vincent narrando a sensação é de estar ouvindo histórias proibidas à luz de velas. Enxerguei esse filme como uma celebração gótica da literatura, quase íntima, como se Poe estivesse sendo invocado através da performance.
Belíssimo!
Esse filme maluco me pegou muito mais pela sensação do que pela narrativa em si. Não vou dizer que gostei completamente, mas me identifiquei demais com a atmosfera dos sonhos. Aquela sensação de pessoas surgindo no meio de um pensamento e desaparecendo antes do tempo, os lugares escuros, úmidos, insalubres, mas estranhamente fascinantes.. ambientes para os quais eu continuo voltando sem entender exatamente o motivo.
O tempo no filme acontece de forma não linear, quase como uma memória quebrada tentando se reorganizar, e meus sonhos costumam ser exatamente assim. Em vários momentos parecia uma lembrança fragmentada misturada com fantasia e trauma. O protagonista volta o tempo todo ao sanatório, ao pai “morto”, buscando alguma explicação que nunca chega de verdade.
O filme só me perdia nos monólogos. Em alguns momentos, as falas ficaram prolixas demais e pareciam explicar muito sem dizer nada. Ainda assim, a experiência me marcou justamente por essa lógica de sonho confuso e recorrente que ele consegue criar.