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Embora os contos sejam do Poe, tudo depende exclusivamente do Vincent Price.. a entonação, os silêncios, os olhares, a elegância, tudo. Que ator!! Ele transforma a tela num palco sombrio com um fascínio quase hipnótico. Os textos do Poe, por si só, já apresentam uma espécie de musicalidade mórbida, mas com o Vincent narrando a sensação é de estar ouvindo histórias proibidas à luz de velas. Enxerguei esse filme como uma celebração gótica da literatura, quase íntima, como se Poe estivesse sendo invocado através da performance.
Belíssimo!
O cara constrói uma personagem que nunca aparece e ainda assim é a mais presente de todas. Rebecca se infiltra nos objetos, na arquitetura de Manderley, na memória dos personagens e, principalmente, na insegurança da nova Mrs. de Winter.
E por que Hitchcock prova aqui, mais uma vez, que era mestre no que fazia? Porque além de perturbador, nós como espectadores passamos a “sentir” essa mulher sem nunca vê-la, como se estivéssemos sendo constantemente observados por algo que não existe, ou pior, que existe em tudo.
Cada personagem parece lembrar dela de um jeito diferente, como se fosse uma entidade moldável, construída mais pela obsessão dos outros do que por quem ela realmente foi. Isso faz com que a gente nunca saiba se Rebecca era, de fato, extraordinária ou apenas o produto de uma memória idealizada.
Alfred Hitchcock brinca com o fardo de competir com uma versão perfeita que talvez nunca tenha existido. Em Rebecca, o verdadeiro fantasma não é a Rebecca.
Fui achando que era um filme sobre "honra samurai” de um jeito romantizado. O que torna o filme tão desconfortável e genial é justamente o contrário: ele desmonta a ideia de honra como espetáculo social. A casa do clã Li funciona quase como um tribunal frio onde aparência vale mais do que humanidade.
E talvez seja por isso que o filme envelheceu tão bem, porque não fala apenas sobre samurais, fala sobre instituições que preferem preservar a própria imagem mesmo quando esmagam pessoas comuns no processo.
Também é interessante como o filme destrói aquela visão “heroica” do guerreiro invencível. A espada em Harakiri quase nunca parece com um símbolo de glória, mas como um objeto de coerção social. Até a coragem ali é ambígua, porque muitas vezes ela nasce do desespero, não da nobreza. É um filme que termina e deixa uma sensação amarga de que a história sempre é escrita por quem controla a cerimônia.