Michelly Matos

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Últimas opiniões enviadas

Michelly Matos
½
3 semanas atrás

Esse filme maluco me pegou muito mais pela sensação do que pela narrativa em si. Não vou dizer que gostei completamente, mas me identifiquei demais com a atmosfera dos sonhos. Aquela sensação de pessoas surgindo no meio de um pensamento e desaparecendo antes do tempo, os lugares escuros, úmidos, insalubres, mas estranhamente fascinantes.. ambientes para os quais eu continuo voltando sem entender exatamente o motivo.

O tempo no filme acontece de forma não linear, quase como uma memória quebrada tentando se reorganizar, e meus sonhos costumam ser exatamente assim. Em vários momentos parecia uma lembrança fragmentada misturada com fantasia e trauma. O protagonista volta o tempo todo ao sanatório, ao pai “morto”, buscando alguma explicação que nunca chega de verdade.

O filme só me perdia nos monólogos. Em alguns momentos, as falas ficaram prolixas demais e pareciam explicar muito sem dizer nada. Ainda assim, a experiência me marcou justamente por essa lógica de sonho confuso e recorrente que ele consegue criar.

Michelly Matos
4 semanas atrás

Fui achando que era um filme sobre "honra samurai” de um jeito romantizado. O que torna o filme tão desconfortável e genial é justamente o contrário: ele desmonta a ideia de honra como espetáculo social. A casa do clã Li funciona quase como um tribunal frio onde aparência vale mais do que humanidade.

E talvez seja por isso que o filme envelheceu tão bem, porque não fala apenas sobre samurais, fala sobre instituições que preferem preservar a própria imagem mesmo quando esmagam pessoas comuns no processo.

Também é interessante como o filme destrói aquela visão “heroica” do guerreiro invencível. A espada em Harakiri quase nunca parece com um símbolo de glória, mas como um objeto de coerção social. Até a coragem ali é ambígua, porque muitas vezes ela nasce do desespero, não da nobreza. É um filme que termina e deixa uma sensação amarga de que a história sempre é escrita por quem controla a cerimônia.

Michelly Matos
1 mês atrás

Embora os contos sejam do Poe, tudo depende exclusivamente do Vincent Price.. a entonação, os silêncios, os olhares, a elegância, tudo. Que ator!! Ele transforma a tela num palco sombrio com um fascínio quase hipnótico. Os textos do Poe, por si só, já apresentam uma espécie de musicalidade mórbida, mas com o Vincent narrando a sensação é de estar ouvindo histórias proibidas à luz de velas. Enxerguei esse filme como uma celebração gótica da literatura, quase íntima, como se Poe estivesse sendo invocado através da performance.
Belíssimo!

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