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Agonizante. Eu normalmente não gosto de filmes que me fazem sentir raiva de um personagem,
e a Laura é
Mesmo assim, achei tudo muito incrível. A forma como o filme constrói a tensão é muito eficaz. A cada cena eu sentia a situação ficando mais sufocante, quase como se o filme estivesse me empurrando junto com a personagem para um lugar cada vez pior.
O que mais me marcou foi essa sensação constante de agonia. Ansiedade, desespero, raiva… o filme vai acumulando tudo isso até ficar quase insuportável de assistir. É uma experiência bem intensa, daquelas que mexem com a gente justamente porque exploram tudo que existe de mais desagradável e humano nas pessoas.
Curti bastante. Gosto muito de filmes que exploram os bastidores de cantoras pop e esse lado meio decadente da indústria musical, como Vox Lux e Sorria 2. Sempre me interessa ver como essas histórias mostram o contraste entre o glamour que a gente vê e o que realmente acontece por trás da imagem pública.
No caso desse filme, gostei de como ele mostra que a artista ainda não chegou “lá”, mas está nesse processo de tentar chegar. E, para conseguir isso, ela precisa ir se apagando aos poucos e se moldando ao que a indústria quer, virando quase um produto higienizado pronto para consumo. O filme toca bem nesse ponto de como a indústria cria e controla a imagem das estrelas, e como muitas vezes a pessoa real vai ficando em segundo plano.
Meu único ponto negativo é o final. Achei corrido e meio mal desenvolvido, como se o filme não tivesse tempo suficiente para fechar as ideias que ele mesmo levanta (talvez até falta de orçamento, quem sabe kkk).
No geral, acho que o mais interessante é que daria para tirar a Charli da história e colocar praticamente qualquer artista no lugar. Isso reforça a ideia central do filme: nem sempre o que a gente recebe é a visão real do artista, mas sim uma imagem cuidadosamente construída para vender.
Mother Mary, pra mim, fala sobre como duas pessoas juntas criaram uma persona abstrata, e como isso foi consumindo as duas aos poucos. É um filme extremamente emocional, mas acho que justamente por isso funciona tão bem, porque parece um sonho febril sobre amor, identidade, arte, fama e duas pessoas que se perderam uma dentro da outra.
Mary não parece ser só uma pessoa de verdade, mas quase uma entidade criada pelas duas ao mesmo tempo. Uma projeta a imagem, e a outra incorpora aquilo, até chegar um momento em que elas não sabem mais onde termina uma e começa a outra. A persona cresce tanto que começa a destruir a identidade real das duas, transformando amor em uma coisa quase assustadora, porque não mostra só carinho ou romance, mas dependência emocional, obsessão, necessidade de validação, culpa, ressentimento e o peso de ter sacrificado partes de si por aquela relação e por aquela personagem que criaram juntas.
O fantasma vermelho, pra mim, sendo o trauma compartilhado, a dor acumulada, a fama, a persona e o amor deformado pelas expectativas e pela codependência, onde elas não conseguem simplesmente arrancar aquilo da vida delas, porque uma ajudou a construir a identidade da outra. Existe um vínculo tão profundo, que destruir ele significaria destruir partes delas mesmas. No final, elas tem que aceitar esse laço e aprender a coexistir com ele, sem serem consumidas, do que realmente superar tudo.