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Num contraponto à Chungking Express, dessa vez Kar-wai conta a história de cinco personagens que vai se interligando no decorrer do filme numa narrativa que aproveita ao máximo cada um deles. O que para alguns pode parecer um excesso estilístico, pra mim só configura uma maturidade formal que salta aos olhos. O rapaz mudo é algo simplesmente inédito em toda a filmografia do diretor, que costuma deixar as marcas e traumas de seus personagens sempre de forma externa, seja através da distância entre eles ou do espaço ao redor, mas nunca de forma tão internalizada.
Kieslowski está bastante ácido nesse seu filme de transição entre os curtas documentais e as ficções de conflitos morais. O que mais chama atenção é a crítica à censura soviética. Já pro fim do filme as intenções cinematográficas pouco democráticas do partido ficam escancaradas num diálogo entre o diretor da fábrica e Filip, o protagonista, onde este é questionado sobre o porquê de filmar apenas trabalhadores, numa realidade um tanto penosa, cinza, triste e que pouco serviria aos interesses panfletários do partido. Ao invés, foi sugerido que filmasse a natureza, que é sempre colorida e feliz.
Então continuemos. Continuemos e vejamos, talvez aconteça algo. Se não for o caso, perdoem-me, caros espectadores. Se nada acontecer, continuemos assim mesmo. A vida é assim, é sempre mais do mesmo.