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De forma inusitada e contraditória, vemos Aronofsky - um homem dito como ateu - dirigindo outra obra com referências bíblicas em sua narrativa, assim como vemos em Mãe (2017) e Noé (2014).
A vida caótica e turbulenta de Charlie (Brendan Fraser) é apresentada ao público em formato 4:3, claramente, uma fotografia ousada e comum em filmes cults, como pode ser observado em outros longas da produtora A24, como Sombras da Vida (2017), dirigido por David Lowery.
O diretor consegue personificar a baleia Moby Dick, romance de Herman Melville, pelo qual Charlie é tão obcecado, por conta de uma redação escrita por sua filha durante sua tenra infância. Pois, ele não é chamado assim de forma pejorativa, por conta de sua aparência física, mas por outros fatores conflitantes que nos levam até a conclusão do filme, como: vida amorosa, sexual e familiar.
Vemos a insistência do título do filme no protagonista, ao vermos que durante toda a narrativa, o clima fora da casa de Charlie encontra-se chuvoso e com aspecto de neblina, assim como podemos imaginar algo em alto mar.
O que acaba remetendo novamente a Bíblia, no versículo 1:17 de Jonas. Como é de conhecimento popular, sabemos que Jonas permaneceu dentro da baleia por exatos três dias e três noites, semelhante ao que vemos no filme. Em que inicia-se durante a noite de segunda, chegando ao ápice, assim como seu término, na manhã de sexta-feira.
Durante a permanência de Jonas dentro da Baleia, ele passa por momentos de provação e aceitamento, como Charlie, que evita falar do seu relacionamento que chegou ao fim, após a morte de seu companheiro; o abandono de sua família e a forma como ele acabou lidando com tudo isso, resultando em seu corpo enorme e estagnado na eterna mágoa.
Arrisco dizer que Thomas (Ty Simpkins), primeiramente vindo como um missionário do Nova Vida, pode ser comparado a um anjo, um mensageiro, uma esperança e redenção de Charlie com Deus. Até mesmo o entregador da Gambino 's tem a sua importância, já que aparece repetidamente, como uma voz da consciência de Charlie, recordando-o se ele está realmente bem e/ou precisa de ajuda.
O pássaro preto que visita Charlie para se alimentar das maçãs deixadas em um prato, pode ser o símbolo de mau agouro, o presságio de algo que não tem como evitar. Tendo essa ideia reforçada ao vermos que o prato se quebra, como uma conclusão de uma missão, que ele não precisará retornar futuramente.
O final consegue impressionar o telespectador, que com chave de ouro, consegue fazer Charlie aceitar tudo que aconteceu, fazendo ele entender que não precisa se desculpar de maneira excessiva. Ele compreende que o que ele fez, já está feito. Assim, ele ascende aos céus, sendo recebido no seu paraíso astral, uma breve lembrança de verão, pisando na areia, acompanhado de sua filha e da mulher.
Até mesmo o enquadramento dos pés de Charlie entrando em contato com o mar, seria essa barreira que ele conseguiu ultrapassar, todo aquele desafio imposto ao protagonista, segundo a Jornada do Herói, de Joseph Campbell.
Quando soube do lançamento, eu fiquei animada, pois gostava do primeiro filme e acendeu uma pequena chama de esperança para saber sobre REALMENTE o passado da personagem. No entanto, apenas fica mais nebuloso, permanecendo incerto sobre o que resultou na pessoa que Esther (ou Leena) se tornou para estar no manicômio (E talvez isso possa ser uma desculpa para inventarem de fazer uma terceira continuação, explicando anos antes desse segundo filme).
De certa forma, não tem como não notar o envelhecimento da atriz, que atualmente, possui mais de 20 anos. Em certos momentos, o enquadramento está muito próximo ao seu rosto e podemos enxergar claramente que ela não se passaria por uma criança, como vemos no primeiro filme.
Uma coisa que me incomodou muito foram os inúmeros enquadramentos abertos (com efeito meio olho de peixe/contra-plongée), para tentar distorcer a altura da atriz com o ambiente, dando uma impressão que ela realmente é muito menor perto dos outros personagens (parece até que estou vendo uma versão de Alice no País das Maravilhas bizarro). Isso quando não posicionam a atriz próxima a um objeto, relativente alto, fazendo um corte com a câmera na altura dos ombros para parecer que ela é uma criança.
E claro, que acabaram usando um dublê de corpo na atriz, pois quando não utilizam da técnica citada anteriormente, eles sempre fazem com que a personagem esteja presente nas cenas de costas para a câmera (deve ser para economizar em efeitos 3D, podendo resultar em algo tosco e forçado).
E por último, houveram mais cenas com violência gráfica, porém olho pelo lado negativo, meio que para compensar a falta de enredo e para impressionar o público mais fácil, forçando a dizer que o filme é muito bom ou algo do tipo.
Últimos recados
Obrigada. Seus vídeos são ótimos. Adoro seu cenário.
Sim, entendo bem, rs -- sem falar que aqui dá pra marcar as sériesツ
Bom, vida que segue,
Até.
👋
Oi Bianca,
De fato, poucos "sobreviventes" no Filmow aqui mesmo (rs).
Ah, e achei legal você comentar "The Love Witch" (2016). Subestimado esse, né?
Abraços, 😉
Se fosse no Brasil, nada disso teria acontecido.
Nós temos Fundação Cacique Cobra Coral. E eles? Nada.
Nós temos como patentear ideias. E eles? Nada.
Nós temos SUS. E eles? Nada.
Nós temos casas feitas com alvenaria. E eles? Nada.
Ou seja, graças a Deus, eu nasci latino-americana.