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Data de lançamento
31 Out. 1974Duração
Swan é um famoso produtor de discos que rouba do desconhecido compositor Winslow Leach uma cantata que retrata a trajetória de Fausto - o lendário mago que vendeu sua alma ao Diabo. Com esta canção, transformada num hit em versão pop rock, Swan pretende inaugurar sua nova e luxuosa casa de shows conhecida como Paradise. Quando Winslow tenta protestar pelo roubo da obra, é falsamente incriminado por Swan e condenado à prisão perpétua. Ele consegue fugir, mas sofre um terrível acidente que deixa seu rosto desfigurado, transformando-o numa espécie de Fantasma que passa a assombrar o Paradise.
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Isso é arte em seu estágio mais puro. Uma salada nonsense de zero sutileza que flerta com quase todo gênero cinematográfico e homenageia diversos movimentos cinematográficos e emprega vários tons narrativos e mesmo assim funciona. Caótico e organizado, estilizado, extravagante ao extremo mas sem soar exagerado ou desconexo. É um filme extremo no seu estilo mas sem deixar de ser padrão, ou seja, é de uma total dualidade que acho que nunca vi nenhum outro filme alcançar. Normalmente fazer algo muito fora do padrão ou estilizado gera aqueles filmes arte meio não narrativos (Montanha Sagrada, por exemplo), mas este daqui consegue acertar na dose de tudo, para mim.
DePalma, nos anos 1970, dirigiu vários suspenses que homenageavam outros estilos do passado, mas eram mais contidos que esse daqui. Quero dizer, ele assimila o Giallo pelas cores fortes e pelo sangue bem vermelho, mas o Giallo ainda era algo novo. Aliás, não seria exagero de chamar isso daqui de um Giallo estadounidense. Além dessas misturas de gênero, temos o título que remete a O Fantasma da Ópera. Entretanto, achei que veria uma versão atualizada da obra, mas ele começa como Fantasma da Ópera (e até continua o homenageando em alguns momentos) mas logo começa a enveredar por outras tramas,
misturando também Fausto e o Retrato de Dorian Gray. E DO NADA nos jogam aquele roqueiro maluco. Arte.
Agora, tenho também que tratar de uma das melhores reviravoltas do cinema a meu ver e que curiosamente não me lembro de ter visto em nenhuma lista de reviravoltas. Como disse, é um filme sutil e mesmo assim consegue esconder uma reviravolta fantástica (nos dois sentidos, de ser bem tramada mas também de ser fantasiosa) mesmo nos bombardeando com ela o tempo todo (o fato do personagem não envelhecer, a assinatura com sangue...). Simplesmente genial, brincando, inclusive, com a ideia do “rock demoníaco”. E do nada é adicionado o elemento fantasioso ao filme.
Sinceramente, não entendo toda a adoração à Rocky Horror Picture Show (que saiu um ano depois desse!) que tem lá nos EUA. Só comparando musicais de rock espalhafatosos e com um pé no terror. Esse daqui é muito mais filme e mais coerente na narrativa. Embora, verdade seja dita, achei as músicas dessa aqui fracas e inferiores (não que Rocky Horror tenha músicas excelentes) mas a decepção é maior por serem (até onde sei) do Paul Williams, que tem ótimas músicas (Muppets, Bugsy Malone). Se tivesse músicas melhores talvez eu desse uma nota maior ainda, entrando no rol de filmes que são top 20 na minha opinião. Mas, de todo modo, chegou perto.
Sério, não sei como esse filme é mais adorado. (Quase) Zero defeitos.
Nota: 9.8.
Se Fantasma da Ópera e Retrato de Dorian Gray tivessem um filho babadeiro.
te adoro Beef.
Passei muitos anos atrás deste musical, surpreendentemente, dirigido por Brian De Palma (quem diria!!). Tive oportunidade de finalmente assistir pelo TV BOX legendado, com áudio original, e que filme mais climático! (para não dizer altamente psicodélico!!!). Tudo na ótima direção de arte funcionou muito bem! O elenco tem boas atuações, um tanto quanto caricatas, atendendo a proposta de seu idealizador. E a trilha musical e as canções dos musicais são muito boas! Estou surpreendido, pois, nunca imaginava Brian de Palma dirigindo um musical!? Acho que este musical foi o único dele na carreira, poderia até ter rodado mais. Entretanto, sabemos que o forte de sua filmografia está no campo do suspense.
De novo: que delícia o cinema do De Palma.
E olha que eu acho um saco quando tentam entrar no discurso do dilema do artista em se sentir vendido ou roubado, mas aqui a conversa não é tão séria assim, sem contar que o caos faz com que tudo no fim seja uma grande festa maluca. Coisa linda meu Deus.
Pra quem gostou, recomendo Dulcineia, do Artur Serra Araújo. É tipo esse, só que mais sério.
Brian de Palma é um diretor que eu admiro, mas esse não curti. Já não gosto de musical mesmo. A história é boa, mas da forma que o filme foi feito, não é pra mim.