China, século IX. Nie Yinniang, filha de 10 anos de idade do general, é raptada por uma freira que inicia-a nas artes marciais, transformando-a em uma assassina excepcional, encarregada de eliminar governadores locais cruéis e corruptos. Um dia, depois de ter falhado em uma tarefa, ela é enviada de volta por sua senhora para a terra de seu nascimento, com ordens para matar o homem a quem ela foi prometida - um primo que agora lidera a maior região militar no norte da China. Após 13 anos de exílio, a jovem tem de enfrentar seus pais, suas memórias e seus sentimentos há muito reprimidos.
Uma escrava às ordens de sua senhora, Nie Yinniang deve escolher: sacrificar o homem que ela ama ou quebrar para sempre com o caminho sagrado dos assassinos justos.
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A grande questão é: o que realmente se salva desse filme?
A história é bem meia boca e que já foi contada em uma porrada de livros e filmes no Oriente e no Ocidente. Como wuxia é bizarro... Algumas cenas têm cortes tão amadores que nem parece que gastaram uma fortuna no filme... Provavelmente colocaram todo o dinheiro nos figurinos e cenários, aí faltou para o resto kkk
E por fim, a fotografia é sim, belíssima, e é a única coisa que se salva aqui (junto com a fidelidade histórica, possivelmente, pois pelo que eu li, tentaram manter o mais próximo possível do Mandarim falado na "China" da época).
Não me pegou, vc me decepcionou dessa vez lista de melhores filmes do século segundo a bbc
Está mais para um quadro em movimento do que um filme: 90% fotografia, 4% história, 3% wuxia, 2% diálogo e 1% de assassina. Exige paciência de monge para tamanha monotonia.
"A Assassina" é um manuscrito que tomou forma no ar e virou uma gravura chinesa viva. Uma película poética e delicada, com uma fotografia natural, que mostra paisagens belíssimas e esquecidas no tempo. Os pouquíssimos diálogos entre longuíssimos silêncios, dizem mais que mil palavras neste livro dirigido por Hou Hsiao-hsien.
A direção deste escritor destoa das produções asiáticas sobre espadachins, não se focalizando nas lutas coreografadas e impossíveis, mas se centralizando em uma história que lembram os contos ou poemas de algum livro antigo. As cores muitas vezes são singelas, iguais as dos sonhos que temos e se distanciam dos exageros e nitidez comuns de filmes do tema.
Os personagens são reais, acho que existiram de tão realista e sincera atuação dos atores. A pobre noviça, Nie Yinniang (Qi Shu) "A Assassina" se confronta em situações pessoais, dramáticas e terríveis, até se encontrar como mulher e como ser, na sua vida sangrenta.
O filme acompanha a história de Nie Yinniang, interpretada por Shu Qi, uma assassina treinada desde a infância que recebe a missão de matar um oficial corrupto. A abordagem poética é maravilhosa, Hou Hsiao-hsien utiliza longas tomadas, compondo lindas imagens de calendário, que revelam além da beleza da natureza, histórias cotidianas da vida rustica em que os habitantes viviam.
A fotografia assinada por Mark Lee Ping-bin, é deslumbrante, ela captura a atmosfera da época com uma paleta de cores inacreditável, criando texturas que transportam a gente, literalmente para aquele mundo. A narrativa é sutil, silenciosa e desafiadora, afastando-se das convenções típicas de filmes de artes marciais. O foco do longa, não está apenas nas lutas e na cenas de ação, mas nas emoções internas de Yinniang, que se vê dividida entre seu dever como assassina, contra seus sentimentos pessoais. A relação dela com seu passado e suas escolhas morais são o coração do longa, que o filme mostra de maneira profunda e reflexiva.
A trilha sonora também merece destaque, criando uma atmosfera envolvente que complementa a visualidade do filme. As escolhas musicais ajudam a intensificar as emoções e a conectar o público com a jornada interna da protagonista.
Enfim, "A Assassina" é uma obra belíssima, que transcende o gênero de artes marciais, que oferece varias reflexões sobre dever e identidade. A direção de Hou Hsiao-hsien, é magnifica, na qual ele alcança um resultado raro que é dificilmente alcançado por outros filmes. As atuações quase convencem a gente d que aquilo não é um filme, mas sim uma memória de alguém que escapou pra tela. A estética da produção, leva a gente pra essa condição, e faz do filme uma experiência cinematográfica única e memorável.
Gostei demais de ter revisto!
As belíssimas locações campestres e a fotografia iluminada com cor de ouro trazem elegância para esse filme cult e poético do chinês Hsiao-Hsien Hou, que pelo trabalho ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes – o longa foi indicado ao Bafta de filme estrangeiro e representante de Taiwan ao Oscar de 2016, sem ser selecionado na lista dos cinco finalistas.
Antes de assistir, saiba que o diretor realiza obras íntimas e lentas, e aqui repete a narrativa; tudo é muito demorado, com cenas minimalistas em câmera lenta e planos longos. Ele dirigiu diversos dramas nos anos 80, como ‘Um verão na casa do vovô’ (1984), e esse ‘A assassina’ foi seu último trabalho, onde também fez o roteiro e produziu; hoje está dedicado à produção executiva de filmes taiwaneses. ‘A assassina’ foi sua única investida no cinema de artes marciais – mas não há nada de ação, e sim é um drama sobre vingança repleto de flashs do passado. Há uma ou duas cenas de luta, mas rápidas e bem coreografadas, que aludem ao gênero milenar Wuxia, presente na literatura e no cinema - sobre conflitos em dinastias na China medieval com lutas marciais e espadas, trazendo heróis reais/mortais; no cinema chinês e de Hong Kong muitos filmes Wuxia foram feitos e se popularizaram nos anos 70 e 80, como a franquia ‘Shaolin’, e depois nos anos 2000 com fitas premiadas no Oscar, celebrado, por exemplo, pelo taiwanês Ang Lee em ‘O tigre e o dragão’ (2000) e o chinês Zhang Yimou em ‘Herói’ (2002) e ‘O clã das adagas voadoras’ (2004).
Em ‘A assassina’, não há grandes efeitos visuais nem pirotecnias ou batalhas épicas, a proposta é outra, mais um drama familiar, com vingança e honra. E que traz um conflito interno da protagonista, uma jovem assassina que, sozinha, precisa se reencontrar para cumprir uma missão complexa, que é matar seu ex-noivo, hoje um governador dissidente numa província militar. Se gostou da trama e dos comentários, tente assistir, mas, de novo, é um filme para público específico, acostumado a narrativas lentas, em que imperam os elementos técnicos, e ao mesmo tempo em que nada parecer acontecer, tudo acontece. É um filme lindo, de cenários grandiosos, cores impressionantes e uma história trágica e cheia de dúvidas. Recomendo. Em DVD pela Imovision ou na plataforma em streaming da Reserva Imovision.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB