A Batalha de Argel

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A Batalha de Argel (1966)
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Média do filme: 4.3 de 5 — baseado em 1172 votos
MÉDIAFILMOW
4.3
1172 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Gillo Pontecorvo
Data de lançamento 31 Ago. 1966 Outras datas
Duração 121 min (2h01)

Dirigido por

Data de lançamento

31 Ago. 1966

Duração

121 minutos
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Sinopse

Os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo de libertação das colônias européias na África. Entre 1954 e 1957 é mostrado o modo de agir dos dois lados do conflito, a Frente de Libertação Nacional e o exército francês. Enquanto que o exército usava técnicas de tortura e eliminava o maior número possível de rebeldes, a FLN desenvolvia técnicas não-convencionais de combate, baseadas na guerrilha e no terrorismo.

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Comentários 0
amigos querem ver
jordisonfrancisco
Jordison
1 semana atrás

A Batalha de Argel.

As discussões sobre a trilha sonora de “A Batalha de Argel” (1966) entre Gillo Pontecorvo e Ennio Morricone eram frequentes. Certa vez, o diretor, com uma melodia fixa na cabeça, foi ao apartamento do compositor, subindo as escadas cantarolando. Ao entrar, Morricone pediu que esperasse, pois acabara de conceber algo próprio, e tocou a mesma música. Pontecorvo ficou encantado. Só meses depois, em Veneza, Morricone revelou a brincadeira: ouvira o cantarolo pela escada e fingira tê-la criado ali mesmo.

A produção escalou participantes reais da guerra. O homem executado na cena da prisão havia sido condenado à morte durante a insurgência. Yacef Saadi, que forneceu as memórias usadas no roteiro, interpretou o comandante Djafar, papel que conhecia por experiência própria. O projeto foi subsidiado pelo governo argelino e levou a própria população de Argel para as ruas, onde muitos acabaram servindo como figurantes. Como o elenco não tinha experiência, suas falas foram gravadas por outros atores na pós-produção.
Jean Martin, o único ator profissional do elenco, interpreta o coronel Mathieu, comandante dos paraquedistas franceses enviados para reprimir os insurgentes. No set, Pontecorvo e Martin discutiam com frequência: o diretor tentava controlar sua atuação para que se alinhasse à dos não profissionais. Fora das filmagens, porém, a biografia de Martin contrastava com o papel. Ele lutara na Resistência Francesa contra os nazistas e, anos depois, subscreveu o Manifesto dos 121, que defendia a independência da Argélia, o mesmo país que seu personagem ocupava.
Pontecorvo refilmava a maioria das cenas vinte vezes, algumas até trinta ou quarenta. Fazia isso de propósito: queria que os atores se cansassem, e que o cansaço aparecesse em seus rostos nas cenas que exigiam medo, exaustão e frustração. Para as multidões, desenhava linhas de giz no chão, dividindo os grupos que deveriam começar a caminhar no momento certo. Usava várias câmeras simultaneamente, de ângulos diferentes, para criar a impressão de que as multidões eram muito maiores do que realmente eram.
Na França, o filme só estreou cinco anos após o lançamento. Em alguns países, as cenas de tortura de argelinos pelas autoridades francesas foram cortadas, enquanto Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional e veterano da guerra na Argélia, condenou a obra publicamente. Décadas depois, o general Paul Aussaresses admitiria em suas memórias as agressões, os choques elétricos e as torturas com água, mas recusaria qualquer arrependimento. As imagens que a censura tentou silenciar expunham justamente aquilo que a França colonial demoraria décadas para reconhecer: a tortura não era um desvio, mas parte do próprio sistema de repressão.

Em 2003, o Pentágono exibiu o filme a oficiais e especialistas civis que discutiam os desafios da ocupação no Iraque. O panfleto do evento perguntava:

“Como vencer uma batalha contra o terrorismo e perder a guerra das ideias?".

A maior potência imperialista do planeta recorria à obra anticolonial de Pontecorvo para entender como a repressão poderia sufocar uma insurgência e, ainda assim, vê-la fortalecer-se. No final de “A Batalha de Argel”, milhares de bandeiras improvisadas, feitas durante a noite com lençóis, camisas e trapos, tomam as ruas e anunciam a palavra que nenhuma ocupação consegue calar: liberdade.

caioregis
Caio Régis
½
1 mês atrás

Até guerreando francês é chato, minha nossa. Algumas boas cenas, mas a rusticidade da produção me afastou da trama.

pfelipensdois
pfelipens!
2 meses atrás

Um filmaço que também serve como uma aula de história sobre a luta contra a crueldade imperialista e a união de um povo oprimido pelo colonialismo superando ele em torno da libertação nacional.

penelopepoczuda
Penelope
4 meses atrás

Existe uma coisa muito específica que me move no cinema: eu gosto de indivíduos. Gosto de paixões, obsessões, figuras históricas transformadas em carne, dúvida e contradição. Talvez por ter crescido tão acostumada ao cinema americano, eu sempre espere entrar na cabeça de alguém.

Por isso, meu primeiro impulso diante de The Battle of Algiers foi procurar um protagonista.

O filme até parece oferecê-lo: Ali La Pointe, figura ao mesmo tempo fascinante e contraditória — impulsivo, por vezes consumido pelo ímpeto revolucionário, mas também movido por um senso quase absoluto de dignidade e independência. O tipo de personagem que o cinema tradicional facilmente transformaria no centro absoluto da narrativa. E eu queria esse filme. Queria entrar na cabeça dele, entender suas dores, acompanhar sua transformação, observar suas contradições. Talvez porque o cinema tenha me acostumado a procurar isso: a pessoa no centro da História. Seria natural esperar que a luta argelina fosse condensada em sua trajetória.

Mas a grande inteligência do filme está justamente em recusar esse caminho.

Embora Ali e Djafar funcionem como polos distintos dentro do movimento revolucionário — um mais visceral, outro mais estratégico — nenhum deles recebe o privilégio de se tornar o centro absoluto da narrativa. The Battle of Algiers resiste à tentação do “grande homem histórico”. Seu interesse não está em transformar a independência da Argélia numa jornada individual, mas em representar o funcionamento fragmentado, contraditório e coletivo de um processo revolucionário.

A revolução aqui não pertence a um homem. Pertence a um povo.

E foi estranho perceber o quanto isso acabou funcionando em mim.

No começo, confesso que senti certa resistência. O filme tem uma estrutura episódica, marcada por operações, atentados, prisões, represálias e datas específicas. Há uma abordagem quase documental na maneira como os acontecimentos são encadeados, como se a narrativa deliberadamente evitasse dramatizar excessivamente seus personagens. Em muitos momentos, o filme parece menos interessado em construir suspense do que em registrar um mecanismo histórico em movimento.

E, ainda assim, encontrou outra maneira de me atingir emocionalmente.

Mesmo sem me oferecer exatamente o tipo de aprofundamento psicológico ao qual sou tão apegada, o filme produziu uma angústia muito real. Quando cada líder caía, eu sentia impotência. Raiva e revolta diante da tortura perpetrada contra os argelinos. Um desgaste crescente. A sensação de assistir algo se desfazer lentamente. E eu, alguém que sequer conhecia profundamente a história da independência argelina, me peguei pensando algo extremamente simples:

Eu só queria que eles conseguissem.

É admirável o quanto o filme consegue transmitir algo profundamente humano naquela luta coletiva: o sentimento sufocante de um povo tentando existir politicamente.

Talvez seja por isso que tantas imagens do filme tenham ficado grudadas na minha cabeça. As mulheres cortando o próprio cabelo, rompendo até com símbolos importantes da própria identidade para atravessar a cidade carregando bombas; as crianças empurrando um homem escada abaixo numa cena seca, desconfortável, quase brutal em sua simplicidade; os rostos anônimos se multiplicando; as ruas tomadas; a sensação constante de que algo histórico está acontecendo diante dos olhos. The Battle of Algiers parece ter sido construído a partir de imagens difíceis de esquecer.

E existe algo quase assustadoramente convincente na maneira como tudo é filmado. Muitas vezes tive a impressão de estar vendo registros arrancados da realidade — não apenas um filme inspirado em fatos, mas algo que parece existir na fronteira entre ficção e documento. Descobrir depois que o elenco inclui atores nativos, pessoas ligadas ao contexto local e uma preocupação evidente em capturar uma autenticidade quase jornalística só tornou a experiência mais impressionante.

É um filme muito diferente de qualquer coisa que eu esteja acostumada a assistir.

E talvez o mais curioso seja justamente isto: ainda existe uma parte muito pessoal do meu gosto que gostaria daquele grande estudo de personagem sobre Ali La Pointe. Ainda existe uma parte de mim querendo mergulhar mais fundo em suas contradições, paixões e impulsos.

Mas, quando The Battle of Algiers terminou, percebi algo muito simples:

Eles fizeram certo.

Transformar aquela história numa jornada individual talvez deixasse tudo mais imediatamente emocionante — mas também menor. O filme entendeu que estava lidando com algo coletivo demais para caber dentro de um único homem. E o que mais me surpreendeu foi perceber que, mesmo alguém tão movido por indivíduos quanto eu, acabou profundamente tocada por um filme cujo verdadeiro protagonista era um povo inteiro.

jales100
Jales
9 meses atrás

Uma bem equilibrada mistura de cinema político com cinema de ação e suspense. O ritmo é dinâmico e o excelente roteiro é bem conduzido pela direção com grande colaboração da excelente trilha sonora criada pelo mestre Ennio Morricone e pelo próprio diretor. O filme recebeu 3 indicações do Oscar para melhor filme estrangeiro, melhor diretor e melhor roteiro.

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Elenco de A Batalha de Argel

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Brahim Hadjadj 0 1

Brahim Hadjadj

(Brahim Haggiag)
Franco Morici 0 0

Franco Morici

Fusia El Kader 0 0

Fusia El Kader

(Halima)
Gene Wesson 0 0

Gene Wesson

Michele Kerbash 0 0

Michele Kerbash

(Fathia)
Mohamed Ben Kassen 0 0

Mohamed Ben Kassen

(Petit Omar)

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