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Data de lançamento
24 Out. 2001Duração
Nafas (Niloufar Pazira) é uma jovem afegã que fugiu de seu país em meio à guerra civil dos Talibãs e hoje trabalha como jornalista no Canadá. Até que sua irmã mais nova, que ficou no Afeganistão, lhe envia uma carta avisando que irá se suicidar antes da chegada do próximo eclipse solar. Nafas resolve então retornar ao Afeganistão a fim de tentar salvar sua irmã.
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"A única coisa moderna por aqui (Afeganistão) são as armas."
Um choque de culturas? Não! Uma eletrocussão mesmo! Que filme! Sem comentários! Vale por ser um filme denúncia, um grito de socorro do povo afegão, sobretudo das mulheres, contra os abusos e a opressão desumana imposta pelos usurpadores talibãs. Muito fanatismo, ignorância e terror a pretexto religioso, o que é um absurdo, inaceitável em qualquer cultura. O Talibã deveria ser extinto por forças especiais da ONU.
Consegue ser mais tenso que muito filme de terror porque sabemos que é um pesadelo real.
Não podemos esquecer que se trata de uma obra pré-11/09/02. Ou seja, o Oriente não é invenção do Ocidente. E a força das imagens garante o impacto, apesar das falhas narrativas do filme.
Simples, bem básico, uma dura realidade do Afeganistão
AFEGANISTÃO CARICATURADO
Não dá pra deixar de pensar que esse "A Caminho de Kandahar", pelo momento em que foi lançado - segundo semestre de 2001 - acabou servindo aos interesses de caricaturar e estereotipar o Afeganistão. O governo Bush deve ter adorado a cruzada movida pela 'pureza sentimental' da pobre Nafas no meio daquele mar de gente picareta, mutilada, desonesta, interesseira, ladra e fanática. E fica ainda pior porque foi filmado por um iraniano - Mohsen Makhmalbaf, do razoável "Gabbeh" - de modo que vão querer dizer que 'até os países vizinhos detestam o Afeganistão'.
Apesar do filme tentar se dissimular num verniz de 'preocupação humanitária', principalmente pelo interesse da protagonista em salvar a irmã à beira do suicídio, o fato é que só pintaram ali um retrato bem caricato daquele povo. Todos os 'mocinhos' da trama tem uma característica fundamental: falam inglês e possuem/já possuíram contato com o Ocidente, começando pelo médico afrodescendente (Hassan Tantai, raso), o maior parceiro na travessia até Kandahar. Já os afegãos mesmo são fanáticos religiosos querendo tirar uns trocados da protagonista, uma 'mulher superior' no meio daquela gente nefasta, que nasceu no país mas foi 'agraciada' pela família com uma criação no Canadá. Haja arrogância!
Narrativamente, o filme não chega a ser ruim e até compartilho a repulsa pelo obscurantismo religioso - embora o Irá, de onde vem Makhmalbaf, também não tenha muita moral pra dar pitaco nesse sentido. A fotografia no deserto, já que o longa é filmado quase todo em externas e na fronteira com o Afeganistão, é bonita, embora menos que em "Gabbeh". Mas o saldo, francamente, é negativo, ainda por cima encerrando de modo covardemente inconclusivo, mais ao estilo do Kiarostami. Se é pra tentar entender e até criticar o status quo afegão, prefiro o "Osama" (2003), que é menos caricato e forçado.