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Data de lançamento
28 Ago. 2019Duração
Em uma pequena cidade saudita, a jovem médica Maryam Alsafan (Nora Al Awadh) decide se candidatar às eleições municipais com o objetivo de trazer melhorias para a clínica onde trabalha. Entretanto, ela terá que lidar com seu impacto na cultura conservadora do local, que afetará não só a ela, mas também a sua família.
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É mais um daqueles filmes que parecem simples, mas que entregam muito sem esperar nada. Mostra as dificuldades diárias de uma médica saudita em uma clínica local. Desde o machismo no trabalho, passando pelo machismo das mulheres e chegando até a lei absurda de que mulheres não podem sair do país sem a permissão de um guardião homem. Me fez pensar que nós ocidentais estamos até que muito bem no quesito direitos das mulheres (ou nem tanto né, pq até pouco mais de um século atrás era assim tbm no Ocidente). Mostrou as mulheres que existem debaixo da burka, ou do niqab. Mostrou a dificuldade da mulher para entrar na política (Não é só na Arábia Saudita, mas acredito que lá seja ainda pior) e principalmente mostrou a diversidade do mundo islâmico, em que todos são postos no mesmo saco pelos ocidentais mas na vdd tem suas diferenças. É até gratificante ver a jornada da médica, expressa talvez por sua vestimenta, ou a maneira como ela se emancipou e se libertou de certa forma, mostrado pelo niqab no começo e a falta dele no final. A melhor cena foi a final entre a médica e o velhinho misógico.
PS: Árabe é uma língua linda e difícil. Cantada parece muito bonita.
‘A Candidata Perfeita’ fala da luta da mulher em sociedade saudita
Ao mostrar médica que ingressa na política para pavimentar rua de acesso à clínica onde trabalha, 'A Candidata Perfeita' reflete sobre busca das mulheres por mais liberdade em uma sociedade cultural e religiosamente ligada ao masculino... Maryam Alsafan (Mila Al Zahrani): campanha política reprovada por muitos. I
Em uma das primeiras cenas de A Candidata Perfeita (2019), a médica Maryam Alsafan (Mila Al Zahrani) sofre o desprezo e a rejeição de um idoso que não aceita ser atendido ou tocado por ela pelo simples fato de Maryam ser mulher. Como ela é a única médica da clínica, o paciente prefere ser socorrido por enfermeiros, o que pode colocar em risco a sua própria vida. A misoginia fica mais evidente quando o superior de Maryam concorda com o paciente e, irritado, chega a pedir para que ela não contrarie e estresse o idoso ferido.
Essa cena é apenas uma mostra do que a diretora saudita Haifaa Al-Mansour traz neste filme: a luta das mulheres por mais liberdade em uma sociedade cultural e religiosamente favorável à supremacia masculina. O aumento da provocação da cineasta para o debate sobre essa situação vem com Maryam tomando a decisão de candidatar-se nas eleições municipais. Seu principal motivador é melhorar as condições precárias da rua de acesso à clínica onde trabalha. Em uma das cenas, pacientes idosos são transferidos de cadeira de rodas em meio a poças de água suja e muita lama.
Evidentemente, a atitude da médica não será aprovada por muitos. E isso inclui mulheres. Ela receberá o apoio de suas duas irmãs, que ingressam na campanha. A irmã mais nova a contragosto, é verdade (justamente pelas dificuldades que uma decisão dessas pode trazer), mas, ainda assim, uma colaboradora. Juntas, elas promovem o envio de convites para divulgar a candidatura, vídeo para a campanha, evento para conseguir fundos, entrevista em programa de TV, evento exclusivo para eleitores homens. Nesse último, ela conta com o apoio de Omar (Tareq Al Khaldi), neto do paciente que se recusa a ser atendido, conforme descrito no início deste texto.
O roteiro da própria Haifaa Al-Mansour, em parceria com Brad Niemann, perde-se um pouco em detalhes da viagem do pai da protagonista para uma turnê musical e uma viagem frustrada dela para um congresso de médicos. A narrativa só ganha ritmo e força quando o que está em evidência na tela é a campanha política propriamente dita e seus percalços. Maryam e suas duas irmãs tentam sensibilizar uma população bastante despolitizada e vencer o preconceito entre os mais radicais pelo fato de pertencerem a uma família de músicos.
Mesmo com um roteiro que deixa o trabalho mais longo do que poderia ser, a diretora do marcante Mary Shelley (2018) entrega uma obra provocadora. Muito do que se vê na cinebiografia da autora de Frankenstein é também conferido aqui. Lógico que os contextos culturais, históricos e religiosos da Inglaterra e da Arábia Saudita, mostrados em uma e outra obra, são bastante distintos. Mas a diretora consegue traçar paralelos quando os assuntos são empoderamento feminino e luta por igualdade de gênero.
Filme sem nenhuma identidade.Algo que me espantou bastante,já que a diretora gosta muito de trazer poder ao protagonismo,como já foi mostrado antes na carreira.
A trama por vezes desvia o olhar de Maryam e investe em situações aleatórias desinteressantes.Os conflitos familiares também são exagerados e a tentativa de criar um romance deu errado.Ainda bem.
>Assistido em 29 de Julho de 2021
Festival do Rio/2021 - 22ª edição.
Como eu não gosto de O SONHO DE WADJDA (infelizmente o prognóstico identitário não foi suficiente), adentrei a sessão sem muitas expectativas. Mas logo fui arrebatado pelo roteiro muitíssimo bem urdido, com situações que chegam a lembrar os dramas morais de Eran Riklis ou Asghar Farhadi. A protagonista é muito simpática e eloqüente (mesmo quando há apenas um par de olhos em cena, por detrás da vestimenta escura) e as situações são orquestradas de maneira inteligente e sensível. Lacrimejei com a cena do polegar melado de tinta. A trilha musical é linda, por mais que eu tenha achado estranha a ramificação tramática envolvendo a turnê do pai da protagonista, no sentido de que parece desviante em relação à situação familiar. Seja como for, um filme belíssimo, emocionante e que redimiu brilhantemente o meu dissabor inicial em relação à diretora, que revela-se, aqui, sóbria e muito decidida, em termos militantes. Inclusive porque ela não refuta a perspectiva classista: na Arábia Saudita que ela apresenta-nos, ser progressista tem a ver com 'status' social e boa estrutura aquisitiva. É um começo! (WPC>)