L'enfant secret é um filme de passagem entre a dimensão mítico-alegórica dos primeiros filmes de Philippe Garrel (A Cicatriz Interior, O Leito da Virgem, Le revelateur) e o impressionismo cadenciado de seus filmes posteriores. O filme se sustenta, como em Le revelateur, na figura da criança como catalisadora de circuitos oníricos, psicóticos e cíclicos entre os pais, na imersão das figuras paternas num caleidoscópio de ritmos e ambiências que remetem muito ao onirismo de certos filmes mudos – particularmente da escola francesa que conseguiu se distanciar dos cacoetes do surrealismo sem perder sua dimensão aurática.
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Maravilhoso rever este filme: obra-prima suprema, estou até agora em estado de choque emocional! Literalmente - WPC>
Revisto, fiquei ainda mais encantado: senti-me como um pré-escolar, sendo reeducado em termos de apreensão espectatorial, tamanha a quantidade de estratagemas inovadores de imagem e som adotados pelo filme, vanguardista ao extremo, mas sobretudo sumamente emocional. Conforme dito na sinopse acostada, é um filme de transição, protagonizado por uma Anne Wiazemsky um pouco mais envelhecida, porém em literal estado de graça, eventualmente toxicomaníaca. Soberbo! <3 (WPC>)
Impressionante a melancolia que nos persegue durante toda a projeção do filme. Algo nos invade, nos faz suspirar, nos coloca em um mundo de tristeza profunda. Para além de roteiros inóspitos que pregam o didatismo acima de tudo, Garrel projeta um filme selvagem em seus meandros, extremamente melancólico e soberbo no seu labirinto de emoções. Para além da compreensão, L'enfant secret nos convida a sentir - antes de racionalizar. Muito bonito!
Podia ser postado novamente no Toca dos Cinefilos...
Que filme... Não saberia nunca descrever o que acabei de ver.