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No filme, Dina Sfat e o irmão Paulo José matam o pai, com a ajuda também de Nelson Xavier, o noivo. Daí herdam a fortuna do construtor e se mudam para o Reduto, casarão de campo onde passaram a infância. Ainda que a polícia tenha, aparentemente, engolido a possibilidade de desaparecimento do empresário, não será muito fácil para eles desviarem de seu incômodo assédio.
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É um filme anárquico em sua feitura. Todos loucos... todos com culpa. Uma alegoria de mentes insanas em excelentes atuações
O trabalho mais atípico deste genial realizador: se as suas obsessões freudianas estão lá, escancaradas, como de praxe, o tom é sombrio, macambúzio, tétrico, assustador... Não há qualquer concessão na resolução da trama, exceto em seu viés imitativamente shakesperano: as referências são múltiplas e evidentes. E como fiquei apaixonado pela malevolência cênica do trio central. Mais precisamente pelo casal de assimetria classista formado pelos jovens personagens de Nelson Xavier (tesudíssimo) e Dina Sfat (suprema como uma diva de ópera). A montagem é deveras experimental, bem como o tema musical, e há muito da segunda fase do Cinema Novo nesta obra. Amei: o desfecho é uma análise profética do Brasil atual, em termos de registro da rapacidade das classes mais favorecidas. Maravilhoso, quero ver de novo e de novo e de novo, uau! (WPC>)
- a forma como é apresentado não me agrada muito, mesmo assim é um filme muito bom
- a história é bem boa, se escolhesse uma abordagem mais convencional talvez teria feito mais sucesso
- mas respeito as escolhas do diretor
Achei linda a metáfora do prédio ser o pai. A construção da edificação e a culpa no topo é uma ideia genial. Lindo filme!!!!
"A Culpa" é um filme anacrônico. Por um lado, é um suspense denso dotado de uma eximia construção narrativa, a exemplo de como um bom thriller psicológico deve ser. Embora esse ainda se supere, se tornando um filme a cada vez que a culpa, e as implicações éticas vão consumindo os personagens.
Anacrônico pelo sentido que esse se revele para mim até então, a obra sui generis de Domingos Oliveira(ainda não tive a oportunidade de conferir todos os seus filmes), onde ele adota uma tensão psicológica e um aspecto sombrio e soturno permeia a narrativa,aspectos esses que não viu em seus trabalhos anteriores, que ainda que tivessem algumas marcas estéticas como o uso de jump cuts, não é nada comparado ao nível de radicalismo que se vê aqui. Em seus filmes, que tem um aspecto de crônica cotidiana do relacionamento moderno, é comum o uso de jump cuts, personagens que se propõem a filosofar para o espectador.
Neste filme, entretanto, se vê um radicalismo, tanto no uso dos cortes,causando assim saltos e buracos narrativos. O que faz parecer que certas imagens não possuem harmonia cinematográfica com o restante, seja pela quebra total de paradigmas, ao misturar o consciente com o inconsciente dos personagens que se misturam conforme a culpa os consome. A fotografia soturna, que acaba por ocultar alguns detalhes do espectador, reforça esse aspecto de imersão em um pesadelo da juventude burguesa.
É um filme com as liberdades estéticas da Nouvelle Vague, mas muito mais próximo do radicalismo de Godard, há ecos aqui de "Acossado" e "Band á Parte" do que da crônica e do retrato do comportamento, relacionamento humano com viés poética do Truffaut, que marca o seu cinema, especialmente aquele após sua retomada as talas em "Amores" de 1998.
Um filme interessante, muito bem construído, com interpretações ímpares e um clima de noir perturbador que envolve o espectador de tal forma que ele chega a sentir isso fisicamente. É um filme de ritmo mais lento,é verdade, exige paciência, mas vale e muito conferir esse trabalho tão singular do Domingos Oliveira.