Apesar de ter me gerado um certo distanciamento não posso deixar de notar a belíssima cinematografia de Klimov, com planos exuberantes e uma fotografia sublime. Além disto há uma simbologia muito nítida da relação daquela terra com a alma de suas personagens, ambas em processo de afogamento. A árvore que teima em resistir ao progresso é uma metáfora belíssima e dolorosa.
"A verdade está na memória. Os que não tem memória...não tem vida."
O poder imensurável dos laços existentes e da memória.
A globalização transforma e atropela de forma avassaladora. O presente padece diante do inevitável, frio e sombrio futuro. A coletividade abraça o que parece mais certo, não importando se o sofrimento é necessário.
A purificação surge como resposta e alívio. Corpos e natureza se misturam numa comunhão de destinos e sentimentos poderosos, que representam incontáveis gerações e corações. Trevas e luz. Fins e recomeços se unem simbolizados em um momento eterno.
Grande filme de Elem Klimov. O diretor de "Vá e Veja" e o cinema russo/soviético merecem ser mais assistidos.
Esses filmes soviéticos de vilarejos em chamas sempre acabam comigo! “A Despedida” é um filme sensorial (não tanto quanto Tarkovski), um tanto poético e metafórico.
A ilha, o vilarejo, representa as tradições, a cultura, a memória, a relação do Homem com a natureza, com o trabalho. Assim como, o gado que comia pasto, comerá ração; assim como, as cantigas darão lugar ao rádio; a inundação acabará com aquele lugar. A modernidade e a tecnologia simbolizada pela inundação. Os dias que antecedem a inundação são dias chuvosos, isso não é pura estética cinematográfica, eu acredito, pois água, na simbologia, é mudança. Me identifico de certa forma com a personagem de Andrei, fascinado pela modernidade e que renega o lugar, as tradições, ele é mal visto pela comunidade. Mas a melhor personagem é Darya, a anciã, que rouba a cena, o ícone do filme, ela protagoniza a maior parte das cenas que dão sofisticação ao filme, e sintetiza a proposta do filme, provavelmente. É vista como louca, por falar sozinha, falar coisas aparentemente sem sentido, mas é a que detém as falas mais sábias e difíceis. Destaco a cena da dança, onde jovens dançam uma música americana do rádio, os mais velhos olham curiosos e alegres, e logo uma das personagens puxa o coro de cantigas, todos dançam, é um cena inusitada, porém sofisticada, intimista, a câmera é ágil, dinâmica, e fica bem perto das personagens, todos dançam exceto um rapaz, o “louco do vilarejo”, olha a cena com tristeza e desânimo, logo penso na tristeza de saber que aquela cena não se repetirá, é o primeiro a queimar sua casa, fazendo dele uma personagem misteriosa e inusitada.
Apesar de ter me gerado um certo distanciamento não posso deixar de notar a belíssima cinematografia de Klimov, com planos exuberantes e uma fotografia sublime. Além disto há uma simbologia muito nítida da relação daquela terra com a alma de suas personagens, ambas em processo de afogamento. A árvore que teima em resistir ao progresso é uma metáfora belíssima e dolorosa.
ainda que não prenda muito o telespectador tem muitos enlaces interessantíssimos, coisas de arrepiar a alma
"A verdade está na memória.
Os que não tem memória...não tem vida."
O poder imensurável dos laços existentes e da memória.
A globalização transforma e atropela de forma avassaladora. O presente padece diante do inevitável, frio e sombrio futuro.
A coletividade abraça o que parece mais certo, não importando se o sofrimento é necessário.
A purificação surge como resposta e alívio. Corpos e natureza se misturam numa comunhão de destinos e sentimentos poderosos, que representam incontáveis gerações e corações.
Trevas e luz. Fins e recomeços se unem simbolizados em um momento eterno.
Grande filme de Elem Klimov. O diretor de "Vá e Veja" e o cinema russo/soviético merecem ser mais assistidos.
.
Excelente.
lindo
Esses filmes soviéticos de vilarejos em chamas sempre acabam comigo!
“A Despedida” é um filme sensorial (não tanto quanto Tarkovski), um tanto poético e metafórico.
A ilha, o vilarejo, representa as tradições, a cultura, a memória, a relação do Homem com a natureza, com o trabalho. Assim como, o gado que comia pasto, comerá ração; assim como, as cantigas darão lugar ao rádio; a inundação acabará com aquele lugar. A modernidade e a tecnologia simbolizada pela inundação. Os dias que antecedem a inundação são dias chuvosos, isso não é pura estética cinematográfica, eu acredito, pois água, na simbologia, é mudança. Me identifico de certa forma com a personagem de Andrei, fascinado pela modernidade e que renega o lugar, as tradições, ele é mal visto pela comunidade. Mas a melhor personagem é Darya, a anciã, que rouba a cena, o ícone do filme, ela protagoniza a maior parte das cenas que dão sofisticação ao filme, e sintetiza a proposta do filme, provavelmente. É vista como louca, por falar sozinha, falar coisas aparentemente sem sentido, mas é a que detém as falas mais sábias e difíceis. Destaco a cena da dança, onde jovens dançam uma música americana do rádio, os mais velhos olham curiosos e alegres, e logo uma das personagens puxa o coro de cantigas, todos dançam, é um cena inusitada, porém sofisticada, intimista, a câmera é ágil, dinâmica, e fica bem perto das personagens, todos dançam exceto um rapaz, o “louco do vilarejo”, olha a cena com tristeza e desânimo, logo penso na tristeza de saber que aquela cena não se repetirá, é o primeiro a queimar sua casa, fazendo dele uma personagem misteriosa e inusitada.