História dramática sobre uma mãe e filha, ambas vivendo no caminho da prostituição. Enquanto a mãe é escrava de sua paixão pelos homens, a filha suporta heroicamente sua má sorte. Baseado no romance de mesmo nome de Sawako Ariyoshi, adaptado por Keisuke Kinoshita, o filme mostra a amarga relação entre ambas mulheres desde o tempo da Guerra Russo-Japonesa até meados dos anos sessenta.
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Difícil escrever sobre a emoção que alguns filmes despertam. Talvez a palavra que mais se aproxime seja encantamento. Foi assim com "Koge - Ichibu: Waremoko no Sho" (A Flor do Incenso), um filme de 1964, em preto e branco, baseado no romance de Sawako Ariyoshi e dirigido por Keisuke Kinoshita. O filme é lindo... com aquele tipo de beleza ímpar, presente nas obras de arte.
Sendo uma obra no estilo shomin-geki, ela conta a história de pessoas comuns, mas com bastante destaque aos papeis femininos e seus dramas familiares. A Flor do Incenso é um drama épico, sombrio, que nos mostrará a vida de Tomoko (Mariko Okada), uma menina do interior (Osaka) que, ainda bem pequena é vendida a uma casa de gueixas em Tóquio, enquanto sua mãe, Ikuyo (Nobuko Otowa), acaba por tornar-se uma prostituta.
Um dia, Tomoko conhece o jovem soldado Ezaki (Go Kato) e se apaixona por ele. Na esperança de casar-se com Ezaki, ela abandona a casa de gueixas e, com a ajuda de seu patrono abre uma pousada chamada Hanaya. Entretanto, devido ao passado desonroso de sua mãe, a família do noivo não a aceita e o casamento não se concretiza, causando-lhe enorme dor e humilhação.
No Japão daquele tempo, o destino de todas as jovens de boa procedência eram o casamento e a estabilidade familiar. Esse era o sonho de Tomoko, mas com a rejeição de Eizaki, ela se resigna a cuidar da pousada e de sua fútil e egoísta mãe. Assim, passam-se muitos anos até a chegada da segunda Grande Guerra, quando o Japão é praticamente dizimado. Com a derrota japonesa, alguns de seus militares são julgados pela Corte americana e condenados à morte. Eizaki é um deles. Tomoko sofre então mais uma grande humilhação, ao tentar despedir-se dele.
Enquanto Tomoko envelhece e vê seus sonhos de ter uma família escoando-se com o tempo, sua irritante mãe casa-se pela terceira vez, por capricho, com o amigo de infância Hachiran (Norihei Miki), mas sem nunca deixar de atormentá-la com suas idas e vindas. O roteiro é denso e a narrativa é linear, sem escorar-se em flashbacks. A fotografia e os figurinos são magníficos, assim como o trabalho de maquiagem, que trata o envelhecimento dos personagens com extrema delicadeza.
Uma produção com formidável e refinada estética visual, mas infelizmente desconhecida de muitos. Aliás, praticamente inexistem cópias disponíveis para exibição, o que é lamentável.
alguém sabe onde baixar?