Um jovem músico viaja até o Burning Man, um festival psicodélico no meio do deserto de Nevada, na tentativa de conquistar a menina impetuosa por quem se apaixonou.
Semelhanças com a mitologia grega podem ser observadas assim que o taxista revela seu nome: Caronte. Um personagem com influência tão forte para o decorrer desta história que pode ser até mesmo considerado um Deus Ex Machina personificado. Sua representação fica ainda mais óbvia quando, mais pro final do filme, este aborda o protagonista enquanto se encontra sentado no que apenas se pode ser interpretado como um barco, apesar de estarem em um deserto, jogando todas as sutilezas para o ar.
Em retrospecto, o confronto inicial do protagonista ao chegar em seu destino após sua breve jornada com Caronte passa a fazer sentido. Ele não possuía ingressos para o local, e Cerberus, um homem de três cabeças e guardião do Inferno aqui representado como Burning Man, não poderia permitir sua entrada. Orfeu, um ser vivo inerentemente diferente dos mortos que habitam Hades, não tinha direito de entrar. Caronte novamente aparece para fornecer ao protagonista sua entrada em forma de bilhete. Ou devo dizer moeda?
Talvez por isto Caronte logo em seguida tenha feito questão de cobrir o protagonista de poeira, para disfarçá-lo como mais um dos mortos que se encontram em Hades, mesclando-o ao local.
Burning Man inclusive é referenciado como Hades pelo próprio filme, por meio da música que o protagonista faz para sua amada. "Johanna, I'd walk through hell and back for you."
Voltando agora ao principal sobre o mito em si e sua correlação com a história deste filme.
A ruína do nosso protagonista, assim como Orfeu, foi olhar para trás. Ambos os personagens estavam prestes a sair de Hades em suas respectivas histórias, suas provações estavam prestes a terminar, mas ambos apenas não conseguiram conter o impulso de olhar para trás. No entanto, o "olhar para trás" de Eric, o protagonista desta história, não é um olhar literal. Eric olhou figurativamente para trás, para o que havia acontecido anteriormente, para o passado. O medo de se repetir aquilo que havia ocorrido antes tomou conta de Eric, e isto se revelou sua ruína, pois demonstrou sua incapacidade de confiar em Johanna e de acreditar que ela estaria ao seu lado. Como Orfeu não acreditara que Eurídice estava ao seu lado. O relacionamento entre Eric e Johanna se tornou condenado com este simples gesto, um simples gesto de "olhar pra trás", mas ainda um gesto com implicações e consequências profundas.
Que filme fofinho! <3 Gostei de como o filme quebrou aquele paradigma/estereótipo de homem "machão", viril, ativo x mulher feminina, delicada, passiva. Eric era quase que "feminino", Jo quase que "masculina". E esses dois sujeitos fora dos padrões se conheceram, se apaixonaram e viveram uma linda história. No início, julguei Eric por ser "meigo" demais, como a própria Jo dizia, mas depois vi que isso era um julgamento machista de minha parte. Gostei da maneira como a personalidade do Eric foi mudando ao longo do filme: o menino todo "certinho" do início se permitiu viver, viajar, experimentar coisas... Só não gostei do final:
acho que o casal merecia um final feliz clichê, sim!
Eu não sou muito adepto do gênero romance, mas essa produção realmente mexeu comigo, quem já viveu uma história assim sabe e quem não viveu, tem que se permitir viver! Por isso, no meu imaginário,
Visto em 2018
Trama que não consegue se desgrudar dos clichês do gênero.Apesar disso,temos um andamento até que agradável entre o romance e o musical.
a história é boa mas não tem UMA pessoa que não seja absolutamente detestável nesse filme
Como mencionado abaixo, este filme é uma adaptação moderna do mito de Orfeu. Esse paralelo com a mitologia é de longe o ponto alto do filme.
Semelhanças com a mitologia grega podem ser observadas assim que o taxista revela seu nome: Caronte. Um personagem com influência tão forte para o decorrer desta história que pode ser até mesmo considerado um Deus Ex Machina personificado. Sua representação fica ainda mais óbvia quando, mais pro final do filme, este aborda o protagonista enquanto se encontra sentado no que apenas se pode ser interpretado como um barco, apesar de estarem em um deserto, jogando todas as sutilezas para o ar.
Em retrospecto, o confronto inicial do protagonista ao chegar em seu destino após sua breve jornada com Caronte passa a fazer sentido. Ele não possuía ingressos para o local, e Cerberus, um homem de três cabeças e guardião do Inferno aqui representado como Burning Man, não poderia permitir sua entrada. Orfeu, um ser vivo inerentemente diferente dos mortos que habitam Hades, não tinha direito de entrar. Caronte novamente aparece para fornecer ao protagonista sua entrada em forma de bilhete. Ou devo dizer moeda?
Talvez por isto Caronte logo em seguida tenha feito questão de cobrir o protagonista de poeira, para disfarçá-lo como mais um dos mortos que se encontram em Hades, mesclando-o ao local.
Burning Man inclusive é referenciado como Hades pelo próprio filme, por meio da música que o protagonista faz para sua amada. "Johanna, I'd walk through hell and back for you."
Voltando agora ao principal sobre o mito em si e sua correlação com a história deste filme.
A ruína do nosso protagonista, assim como Orfeu, foi olhar para trás. Ambos os personagens estavam prestes a sair de Hades em suas respectivas histórias, suas provações estavam prestes a terminar, mas ambos apenas não conseguiram conter o impulso de olhar para trás. No entanto, o "olhar para trás" de Eric, o protagonista desta história, não é um olhar literal. Eric olhou figurativamente para trás, para o que havia acontecido anteriormente, para o passado. O medo de se repetir aquilo que havia ocorrido antes tomou conta de Eric, e isto se revelou sua ruína, pois demonstrou sua incapacidade de confiar em Johanna e de acreditar que ela estaria ao seu lado. Como Orfeu não acreditara que Eurídice estava ao seu lado. O relacionamento entre Eric e Johanna se tornou condenado com este simples gesto, um simples gesto de "olhar pra trás", mas ainda um gesto com implicações e consequências profundas.
Por fim, Eric e Johanna se descobriram incompatíveis um com o outro: ela pertencia aos mortos, e ele aos vivos.
Que filme fofinho! <3
Gostei de como o filme quebrou aquele paradigma/estereótipo de homem "machão", viril, ativo x mulher feminina, delicada, passiva.
Eric era quase que "feminino", Jo quase que "masculina". E esses dois sujeitos fora dos padrões se conheceram, se apaixonaram e viveram uma linda história.
No início, julguei Eric por ser "meigo" demais, como a própria Jo dizia, mas depois vi que isso era um julgamento machista de minha parte. Gostei da maneira como a personalidade do Eric foi mudando ao longo do filme: o menino todo "certinho" do início se permitiu viver, viajar, experimentar coisas...
Só não gostei do final:
acho que o casal merecia um final feliz clichê, sim!
eles se encontraram em algum lugar e viveram felizes para sempre!
[spoiler][/spoiler]