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Data de lançamento
22 Julho 1948Duração
Jovem bailarina apaixona-se pelo maestro da peça ao mesmo tempo em que o diretor oferece oportunidade para uma carreira artística mundial.
Conto de fadas adaptado da obra de Hans Christian Andersen, o filme influenciou várias gerações de cineastas.
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Uma das primeiras grandes produções dos anos 40 a apresentar auras da década seguinte, nessa obra que foi claramente inspiradora de "Cisne Negro" do Aronowsky; Anton Walbrook como um Mefistófeles requintado e dominador está ótimo. A sequencia que mostra o ballet principal é arrebatadora.
Tem momentos pontuais excelentes, e no fim é só isso mesmo.
Em uma revisão confesso que alguns detalhes ainda me incomodam, tal qual esta questão da paixão influenciando a vida artística ao qual admito fazer parte da sociedade dos anos 40 mas vista hoje soa datada bem como o destino de Page me soe forçado também, todavia a cena de estréia do espetáculo é de fato um espetáculo à parte e olha que nem sou tão fã assim de ballet, bem como a apresentação final é muito perspicaz.
Um filme belíssimo que é a definição do que é metalinguagem. Primeiramente, ele pode ser lido como uma versão moderna dos mesmos temas que permeiam o conto homônimo de Hans Christian Andersen, como obsessão, vaidade, identidade, escolhas e pressão social sofrida pela mulher. E segundo que Emeric Pressburger e Michael Powell fazem uma ode a praticamente todas as formas de arte: a música, a dança, a pintura, a literatura, o teatro, a fotografia, a arquitetura... Todas elas são exaltadas pelo cinema aqui. E por último, toda a pré-produção da peça, mostra como uma arte coletiva demanda dedicação de muitos profissionais, e a importância da figura do diretor que coordena todos esses setores e toma todas as decisões, muitas vezes abdicando de sua vida pessoal.
A habilidade dos diretores em conduzir o olhar do espectador pelos ricos cenários e a intrincada mise en scene, é notável. Os planos panorâmicos registrando os edifícios e monumentos nas externas, a beleza dos sets construídos nos interiores, os magníficos painéis pintados para o espetáculo, e principalmente a narrativa da peça "Os sapatinhos vermelhos", toda traduzida em ballet e música, capturados em um technicolor magnífico de cores que saltam da tela, um jogo de luz e sombras fenomenal e efeitos especiais de câmera com fusões, fades, montagem... São de uma poesia majestosa.
A escrita dos diálogos, especialmente de Lermontov, é uma diversão à parte, refinada, irônica e melodramática na medida certa.
A influência de "Sapatinhos..." sobre o cinema se revelou para mim de forma incontestável, em especial nos filmes de dança e de horror. Em "Cisne Negro" (2010), por exemplo, ele está por toda parte; desde o tema da dedicação máxima de um artista pela sua arte, até detalhes como a inclusão do POV do olhar de Victoria dando piruetas durante o "Lago dos Cisnes" - ideia e execução de montagem paralela/plano subjetivo fenomenais que são replicadas por Aronofsky. O mergulho profundo no mundo elitizado, esnobe e misterioso do ballet clássico, da maneira que é feito aqui, à época, me parece outro grande feito.
Moira Shearer sendo uma exímia bailarina e também uma atriz cativante em seu primeiro papel no cinema, é o tipo de achado que só acontece em algumas produções, e como fotografava bem, a danada! Anton Walbrook está um charmoso insuportável como Lermontov, "attractive brute!", como bem definido pela Lady Nestor; seu personagem é um quase misantropo, uma construção tão econômica nas emoções, que ainda não sei se ele realmente tinha sentimentos por Ms. Page ou se os seus "ciúmes" eram puramente uma exigência que ela tivesse a mesma dedicação que ele ao ofício. Mas se eu pudesse apostar, diria que Victoria dizendo "Why do you want to live?" foi o momento exato que ele se apaixonou por ela. Marius Goring, o compositor Craster, foi o que menos me impressionou, exceto pela sua última cena intensa com Victoria e Lermontov.
O conflito entre o amor de Craster e a paixão pela dança torna-se algo tão impossível para Victoria suportar, que suas sapatilhas vermelhas parecem agir por conta própria, como se o elemento fantástico do conto de Andersen simplesmente cruzasse o limiar do mundo real, levando-a a um destino trágico.
Direção, atuações, maquiagem, penteados, figurinos, música, dança, set designs, tudo aqui grita ARTE. Uma experiência única como só este período era capaz de nos brindar.
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#Stremio
Technicolor em seu melhor.