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Data de lançamento
2 Junho 1985Duração
Macabéa é uma migrante nordestina semi-analfabeta que trabalha como datilógrafa numa pequena firma e vive numa pensão. Ela conhece o também nordestino Olímpico, um operário metalúrgico, e os dois começam a namorar. Mas Glória, uma colega de trabalho de Macabéa, rouba-lhe o namorado, seguindo o conselho de uma cartomante. Macabéa faz uma consulta à mesma cartomante, Madame Carlota, e esta prevê seu encontro com um homem rico, bonito e carinhoso. Urso de Ouro no Festival de Berlim para a atriz Marcelia Cartaxo.
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Espero que no mundo tenha mais mulheres sonhadoras como Macabéa, mas também espero que no mundo tenha menos mulheres ingênuas como esta, esse filme é um desconforto do início ao fim, mas vale as uma hora e meia.
Minha Maca ❤️🥲
“Sim, estou apaixonado por Macabéa, a minha querida Maca, apaixonado pela sua feiura e anonimato total, pois ela não é para ninguém.”
Marcélia Cartaxo está encantadora no papel de Macabéa. José Dumont, por outro lado, embora atenda perfeitamente ao tipo exigido para Olímpico de Jesus, parece atuar com delay. Suas falas e gestos são, com frequência, deslocados. Obedecem a uma interpretação naturalista, mas é como se atuasse sozinho, sem atender à interlocução com Cartaxo.
A adaptação de Suzana Amaral e Alfredo Oroz é bastante feliz na construção de Macabéa. Todos os acréscimos são muito fiéis às descrições de Rodrigo S. M., narrador do livro de Clarice Lispector, e só aumentam o nosso encanto por ela. As alterações no desfecho da história, por outro lado, já me pareceram menos felizes. A consulta de Glória com a cartomante, que converte o “roubo” do namorado da colega em um “trabalho” para conquistar um bom marido, oferece à protagonista uma “vingança poética” que, agora sim, trai o seu narrador impiedoso.
A sequência final, apesar de encerrar-se naquela linda cena em que Macabéa e o gringo correm um em direção ao outro, é muito mal construída, inserindo uma trilha sonora que, em seu jogo de contrastes, já nos revela qual será o desfecho. No mais, há uma ironia muito bem urdida no livro que acaba se perdendo no filme. A cartomante teria misturado as “visões” da última cliente, que sai chorando antes do atendimento de Macabéa, com as da protagonista (o filme insere uma cena com a moça que sai desolada, mas retira a fala que insinua a confusão).
Sim, eu sei que um filme é uma obra autônoma e que não deve ser avaliado a partir do romance que o inspirou. Recorro ao livro apenas para apontar o que julgo serem pequenos defeitos do roteiro. Ainda assim, são muito maiores os méritos da adaptação. Para começar, o romance possui um enredo ridiculamente pequeno e cheio de elipses. O narrador ocupa a maior parte das páginas com pensamentos e impressões causados pela visão dessa jovem, que passara a consumi-lo. Assim, o fato de os roteiristas terem resistido à tentação de inserir em alguma personagem os pensamentos de Rodrigo S. M. - cheios de grandes aforismos e frases de efeito - já foi um enorme acerto. Amaral e Oroz confiam no poder da linguagem cinematográfica e na inteligência do espectador, apostando que este possa apreender, por meio das imagens, os sentimentos descritos pelo narrador de Clarice. E, neste quesito, é preciso repetir: que grande acerto a escolha de Marcélia Cartaxo. É impressionante a ternura que sua Macabéa consegue despertar.
Acredito que gostarei ainda mais em uma futura reavaliação.
24-08-2026
Já tinha ouvido falar bastante sobre este filme, mas demorei para ver. Fiquei muito triste com a história de Macabéia, que nunca recebia afeto ou atenção de ninguém. Você vai criando um apego e ao mesmo tempo uma angústia pelas situações que ela vive. É um excelente filme, que me trouxe muita reflexão sobre o que as coisas que acabamos aceitando na vida, nos afeta em todas as esferas, até mesmo em nossa sobrevivência.