O motorista Caireles e o condutor Tarrajas descobrem que serão aposentados. Chateados com o fato, embriagam-se numa festa natalina na vizinhança. Encorajados pela bebida, vão a uma garagem de bondes e apoderam-se do bonde 133, com alguns passageiros.
As dificuldades do dia a dia sempre bem colocada em prática por Buñuel.Um dos bons filmes de sua carreira,continuava valorizando a fotografia e as parcerias de sempre.Lilia Prado um espetáculo.
>Assistido em 26 de Fevereiro de 2023
Mais um Buñuel com a bela Lilia Prado (Subida Al Cielo) pra minha "coleção". Boa história. A Cidade do México. Os 2 trabalhadores. O bonde 133. A festa. A peça de teatro. A bebedeira e a ideia (mó viagem, haha). A grande aventura. A situação com o bonde lembra "Subida Al Cielo" (os passageiros variados e aquela confusão toda). Bons diálogos. Alguns momentos cômicos (os alunos entrando no "Especial", hahaha). Algumas questões sociais. Bom final. Mais um do diretor espanhol no meu "favoritos".
Um filme bastante simples e agradável. Nada é muito contundente mas é gostoso de acompanhar a desventura dos supostos ladrões de bonde.Possui algumas críticas válidas na relação empregado x empregador , pobreza x riqueza mas nada de muito relevante também.
Bela comédia que ilustra rapidamente os sonhos e a luta da classe econômica baixa e também os ideias de uma classe elitizada. Enquanto que os primeiros apenas pensam em realizar o labor com eficiência, para que ao final do dia possam se divertir com seus ganhos ínfimos, por meio de festas e teatros populares, os últimos manobram as peças de um jogo de extrema ganancia, em detrimento de quem quer que seja. A eficiência exacerbada também pode ser prejudicial.
A Ilusão Viaja de Bonde é, basicamente, uma boa comédia e, claro, uma forte crítica social que contrapõe o rico ao pobre, o patrão ao empregado, o capitalismo ao socialismo. Mas o filme não é um libelo socialista e conta com franqueza o sofrimento de uma população oprimida por inflação altíssima, escassez de comida e como as pessoas lidam com isso, sempre tentando dar a volta por cima e encarando a vida da melhor maneira possível.
Vale notar que esse filme é um dos poucos em que Buñuel não se envolveu ativamente na elaboração do roteiro. Conta a história que esse filme foi encomendado pelo sistema de transporte público da Cidade do México (Servicio de Transportes Eléctricos del D.F.) para desfazer a imagem ruim de um acidente que ocorrera no ano anterior. Era para ser, na realidade, uma longa propaganda das qualidades do sistema, mas nas mãos de Buñuel, o roteiro que vemos na tela está longe de passar essa mensagem. Sim, trata-se de uma comédia e, se vista dessa maneira bem rasa, até poderia funcionar como um comercial de 90 minutos, mas há muito “Buñuel” por debaixo da camada mais simples do filme, com as já mencionadas críticas sociais e, claro, muito iconoclastia religiosa, com especial destaque para a encenação grotesca da Gênesis no início da obra.
A bela Lilia Prado e Fernando Soto, atores que já haviam trabalhado com Buñuel em Subida ao Céu e A Filha do Engano, se divertem nesse filme, acompanhados de Carlos Navarro. Todos estão muito à vontade fazendo comédia e passam essa tranquilidade ao espectador, que logo se sente contagiado.
No entanto, A Ilusão Viaja de Bonde é um daqueles filmes menores de Buñuel, feito mais com o objetivo de ganhar o dinheiro de subsistência do que pela arte, característica comum nessa época na filmografia do diretor. Mas não há como não afirmar que é cativante e diverte os espectadores que se deixarem levar pelas piadas e pela crítica social envelopada como um apetitoso "burrito".
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