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Data de lançamento
7 Abril 2023Duração
1940, Thom e Mars construíram uma máquina, LOLA, que pode interceptar transmissões de rádio e TV do futuro.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A ideia aqui era desenvolver a tese de que, saber o futuro, com as relações de poder humanas e mesquinhas, nem adiantaria muita coisa, e o que é pior, poderia potencializar efeitos danosos. Achei a edição um tanto confusa, e a fotografia em preto e branco, feia demais. Particularmente, não consegui me conectar com o texto, com os personagens, com a história, mas é sim muito interessante e instigante.
Mesmo com algumas falhas de roteiro, o que parece não ter sido uma real preocupação, eis um bom filme e uma grata surpresa. A ideia foi muito bem executada, sobretudo levando em conta que tudo foi feito de modo simples pros padrões atuais. A direção é boa e a compreensão do filme tinha tudo pra ser difícil mas é até relativamente fácil. E quando o final se encaminhava para o cliché de quase todos os filmes de viagem no tempo, ele se revela bem mais interessante. Gostei bastante.
Daqueles filmes de ficção científica que compensam o baixo orçamento com muita originalidade, principalmente no aspecto narrativo. Uma grata surpresa!
Uma das estreias mais originais dessa temporada, apesar de ser um filme de 2022, que chega somente agora no Brasil. E que exige uma atenção redobrada do público, pelas idas e vindas da história que não segue cronologia e mescla aspectos reais da História mundial com ficção.
É uma ficção científica com uma estética envelhecida, de filmes riscados e enquadramento de Super8, uma composição estranha e desalinhavada de propósito, que não se importa com diegese e questões de primor técnico. O filme é um found-footage, ou seja, ‘uma fita real encontrada’ – que lógico, é uma brincadeira, igual ‘A bruxa de Blair’, ‘Cloverfield’ e outros. Na abertura nos é contado que em 1941 encontraram fitas gravadas de um pequeno grupo de mulheres inglesas cientistas que, em meio à Segunda Guerra Mundial, inventaram uma máquina do tempo capaz de ‘enxergar’ acontecimentos que virão. Duas irmãs, Thomasina e Martha, dentro de um laboratório, criaram esse equipamento luminoso que capta ondas de rádio e TV vindas de uma outra época, no caso, o futuro. Pelas imagens da máquina, elas veem transformações culturais e políticas das décadas de 60 e 70, como a contracultura, o movimento punk, Kennedy discursando, Muhammad Ali no ringue etc. No entanto, durante a pesquisa, também descobrem que LOLA - nome dado ao invento em homenagem à mãe delas, pode alterar os fatos do tempo presente, ou seja, vira uma arma de inteligência capaz de dar um novo rumo para a devastadora guerra, principalmente pôr um fim à ocupação nazista. Inteligente e até complexo com inúmeras informações históricas, o filme tem uma estética de pura inventividade – utilizaram câmeras e lentes de filmadoras dos anos 30 e 40 para capturar cenas atuais em preto-e-branco, misturaram cenas de arquivo da Segunda Guerra na Europa, riscaram os negativos riscados para dar um tom de arcaico, e nunca sabemos se o que vemos é real ou não. Num dado momento ouvimos David Bowie e a banda The Kinks cantando, depois Kennedy, Churchill e Hitler e por aí vai.
Coprodução Irlanda/Reino Unido, tem no elenco Stefanie Martini, de ‘A casa torta’ (2017), e Emma Appleton, de ‘A última carta de amor’ (2021). Andrew Legge estreia na direção, com roteiro dele e de Angeli Macfarlane. Exibido no Festival de Locarno. Nos cinemas pela Pandora Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
“E quem é esse cara?
Bob Dylan. É um dos meus favoritos de todos os tempos. Ele fala de liberdade e desgostos de uma nação perdida e da alegria e dor da alma autêntica.”
-Lola-