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Death of a Bureaucrat - Estados Unidos da América
Sinopse
Um trabalhador exemplar morre em um acidente e é enterrado com a sua carteira de trabalho. Para conseguir o direito de pensão para a sua tia, Juanchín sofre os percalços de uma odisseia provocada pelos absurdos da burocracia.
Meu primeiro contato com o cinema cubano e a primeira impressão não poderia ser melhor... Filme engraçadíssimo e extremamente afiado nos seus comentários sociais, envelheceu igual vinho!
Fico pensando aqui comigo como que o Alea tinha tanta coragem de criticar diretamente o governo opressor de Fidel e não só por esta magnífica sátira dos meandros burocráticos de um enterro/exumação de um corpo, até porque esta burocracia é inerente à qualquer sistema político em qualquer país, desde o século XX ou antes. O que mais me impressiona é o ataque direto à intuições tão inerentes à esquerda, aos símbolos dos braços sendo ridicularizados ou ao tal super trabalhador jogado às traças. Demais. Só não vai gostar esquerdista burro fanático e lógico , burocratas.
Apesar de minha devoção pelo cineasta, este filme aqui não desceu-me bem: admito a genialidade da realização, amei as homenagens explícitas a Luís Buñuel, percebi que a trama e os recursos técnicos antecipam questões que seriam futuramente retrabalhadas em TUDO VAI BEM e O HOMEM DE MÁRMORE e adorei os demorados créditos de abertura, que imitam o envio reiterado de memorandos. Porém, este filme possui o mesmo elã revoltoso de AS PEQUENAS MARGARIDAS: é acirrado em suas intenções chistosas, mas quiçá apressado em seu ataque. Afinal, como trabalhador burocrático que sou, há mais de vinte anos, senti-me agredido aqui, visto que a tendência renitente do protagonista ao "jeitinho cubano" faz com que ele atole-se mais e mais em mentiras e trapaças, prejudicando ainda mais a resolução de seu problema inicial, advindo de um prolongamento fetichista popularesco. Não consegui rir, de tanto que fiquei incomodado. Chegar até o final da sessão foi-me um tormento, visto que o filme atiçou-me diversos gatilhos mnemônicos (os dois principais: quando puxaram uma arma para mim, num atendimento, e quando, ainda na infância, tive uma crise de diarréia na longa fila de um banco) . Em diversos sentidos, achei o que esse filme mostra moralmente reprovável. Mas é uma comédia burlesca, né? Passa, na urgência da crítica proposta, é isso? Infelizmente, não foi para mim. Mas é executado com maestria! (WPC>)
Que agonia. Muita coisa boba e inverossímil na comédia, mas para o ano é um pouco compreensível.
Meu primeiro contato com o cinema cubano e a primeira impressão não poderia ser melhor... Filme engraçadíssimo e extremamente afiado nos seus comentários sociais, envelheceu igual vinho!
Fico pensando aqui comigo como que o Alea tinha tanta coragem de criticar diretamente o governo opressor de Fidel e não só por esta magnífica sátira dos meandros burocráticos de um enterro/exumação de um corpo, até porque esta burocracia é inerente à qualquer sistema político em qualquer país, desde o século XX ou antes. O que mais me impressiona é o ataque direto à intuições tão inerentes à esquerda, aos símbolos dos braços sendo ridicularizados ou ao tal super trabalhador jogado às traças. Demais. Só não vai gostar esquerdista burro fanático e lógico , burocratas.
Apesar de minha devoção pelo cineasta, este filme aqui não desceu-me bem: admito a genialidade da realização, amei as homenagens explícitas a Luís Buñuel, percebi que a trama e os recursos técnicos antecipam questões que seriam futuramente retrabalhadas em TUDO VAI BEM e O HOMEM DE MÁRMORE e adorei os demorados créditos de abertura, que imitam o envio reiterado de memorandos. Porém, este filme possui o mesmo elã revoltoso de AS PEQUENAS MARGARIDAS: é acirrado em suas intenções chistosas, mas quiçá apressado em seu ataque. Afinal, como trabalhador burocrático que sou, há mais de vinte anos, senti-me agredido aqui, visto que a tendência renitente do protagonista ao "jeitinho cubano" faz com que ele atole-se mais e mais em mentiras e trapaças, prejudicando ainda mais a resolução de seu problema inicial, advindo de um prolongamento fetichista popularesco. Não consegui rir, de tanto que fiquei incomodado. Chegar até o final da sessão foi-me um tormento, visto que o filme atiçou-me diversos gatilhos mnemônicos (os dois principais: quando puxaram uma arma para mim, num atendimento, e quando, ainda na infância, tive uma crise de diarréia na longa fila de um banco) . Em diversos sentidos, achei o que esse filme mostra moralmente reprovável. Mas é uma comédia burlesca, né? Passa, na urgência da crítica proposta, é isso? Infelizmente, não foi para mim. Mas é executado com maestria! (WPC>)
Departamento de Aceleração de Trâmites