François (Philippe Marlaud) é um funcionário dos Correios que, numa manhã, decide fazer uma visita surpresa à sua namorada Anne (Marie Rivière). Entretanto, ao chegar no local, vê um homem deixando o apartamento dela. Ele volta para casa e, mais tarde neste mesmo dia, pergunta a Anne quem era esta pessoa. Ela não responde. Um dia François encontra este homem na rua, caminhando com outra mulher, e decide segui-lo. No caminho conhece Lucie (Anne-Laure Meury), uma estudante de 15 anos que passa a ajudá-lo.
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A partir do momento que Francois e Lucie se encontraram, eu pensava que o filme iria seguir um estilo alá before sunrise, com jovens que se apaixonariam e... Belo engano.
Dá pra entender como o diretor quis explorar a personalidade dos três personagens, mas o filme acaba seguindo uma narrativa tão chata e entendiante, a apatia e ignorância de Anne é tão ruim que fica difícil olhar pra ela com um olhar humano, como se as coisas fossem mais complexas do que apenas parecem. Tanto Anne como Francois são personagens egoístas que se afogam no próprio narcisismo... A garota é interessante e acho que o filme teria sido melhor com mais cenas dela. O filme de certa forma só se torna interessante por apresentar a realidade do mundo, de que nem sempre as coisas vão terminar como deveriam
Lucie é "formidable"! Ela é quem dá graça ao filme. Anne é uma personagem forte, profunda e interessante, uma pena que ambas não conversem no filme.
Eu amo os filmes do Eric Rohmer e filmes que exploram diálogos e paisagens/cenários. Mas não me encantou/marcou. Assistiria novamente e provavelmente disfrutaria do momento, mas sabe a sensação de que "poderia ser mais"?
Por fim, deixo registrada a citação de Anne:
"L'absence entretient l'amitié".
7/10
A partir de uma premissa tão simples temos um dos grandes filmes de Rohmer ganhando formas.Romance,encontros,ciúmes...um pacote completo sobre o assunto sem se perder em nenhum momento.Um dos grandes do gênero.
>Assistido em 21 de Agosto de 2022
Como sempre, se trata de observar a vida dos outros. O caso é que nesse filme os tais outros não interessam quanto o ato de observar em si — ou seja, a instigante oportunidade de imaginar quem os outros poderiam ser e julgá-los, e que não seria possível sem a liberdade proporcionada ao público por Rohmer quando ele opta por não impor juízos de valor.
Mas o ato lúdico de observar e imaginar inúmeras possibilidades instigantes em algum momento acaba. Então o protagonista (aquele que observa os outros) tem que viver sua própria vida, que, diferente dos momentos e conversas baseadas na curiosidade sobre a vida alheia, parece muito mais deprimente do que atrativa. A dramática vida real desse personagem quando aparece antes soa como um prólogo e quando aparece depois soa como um epílogo. Isso porque neles a personagem que mais sintetiza e representa o prazer de viver, ou observar, por um tempinho uma vida que não é a nossa (como se faz ao assistir a um filme) não está presente.
(...)
O resto deste texto que escrevi pode ser lido no instagram @CinemaMarginal
Um Rohmer que não me cativou. Consigo até embarcar na vida das personagens e admirar a forma sutil como Rohmer retrata suas relações, sem firulas, sem invenciones ou dramalhões excessivamente piegas mas acho que desta vez o texto de Rohmer me pareceu mais frágil que o habitual.