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Passado em uma pequena cidade da Baviera na Alemana pré-Hitler, o filme estrela Kurt Raab como Bolwieser, o chefe da estação da cidade, um homem escravizado pela sua bela esposa Hanni, uma mulher de incontrolável paixão. Logo entediada com o seu marido e sua vida na estação ferroviária, Hanni embarca em uma série de casos adúlteros, enquanto o iludido Bolwieser torna-se cada vez mais taciturno e abatido.
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Depois de finalmente ter conseguido encontrar o ponto nodal que unifica a vasta e idiossincrática filmografia fassbinderiana, deparo-me com um filme de difícil apreciação rítmica, que fez com que eu sentisse-me novamente virgem em relação ao seu diretor. Como a cópia a que tive acesso foi a versão editada, que condensa o díptico televisivo original, muitas seqüências soam exageradamente elípticas, dificultando a imersão emocional. Confessando um erro de projeção desejosa, cria que o filme valer-se-ia de uma sensualidade espalhafatosa, mas o viés é completamente distinto: é uma abordagem sobre o decadentismo de um funcionário público - e de uma mulher sensivelmente viva que é tratada como bode expiatório - numa sociedade demarcada pela hipocrisia extrema e pelos gérmens nutridos do nazismo. É um filme de época, com reconstituição mui precisa, que espelha as insatisfações do diretor em relação à época de sua feitura. A primeira metade pareceu-me bastante chata (uso este termo reles porque foi o que veio-me à mente, inúmeras vezes, durante a sessão), mas tudo é explicado conceitualmente na reviravolta melodramática que desvia o foco da magistral personagem feminina para o seu atormentado esposo. Os vinte minutos finais são maravilhosos, bem como as intricadas composições visuais da magnificente fotografia de Michael Ballhaus. Ainda que eu tenha apreciado-o de maneira distante e incomodada, tão logo o filme terminou e tudo fez sentido, percebi que o erro avaliativo esteve em mim, que não aceitei o tempo próprio do filme, ao invés de depositar nele anseios enviesados que correspondiam justamente àquilo que o filme critica, a pornografização do cotidiano, tendo em vista a incompreensão de frustrações circundantes em relação ao que pulsa na cadência própria da autenticidade emotiva. Numa revisão, intuo que reconhecerei devidamente os seus inúmeros méritos, mas, neste primeiro contato, deixo o meu estupor reiterado: Fassbinder é um cineasta que requer extremo desnudamento. Seus filmes parecem-se demais consigo mesmo, é preciso respeitar este ditame. Lição aprendida, que venha DESPAIR,, muito em breve! (WPC>)
Queria dar uma alavancada na filmografia do Fassbinder, mas está parecendo meio impossível porque há vários filmes dele que não consigo um misero link :( Se alguma alma caridosa disponibilizar um desse aqui, serei grata por todo a vida. Obg!
Adoro ver o Kurt Raab protagonizando os filmes do Fassbinder.