Dirigido por
Duração
Mulher dirigindo pela rodovia se distrai e atropela algo (ou alguém). Temerosa, vai embora sem parar e guarda esse segredo. O incidente deixa a mulher ao mesmo tempo traumatizada e em estado de alerta. Uma noite, no entanto, diz ao marido que teme ter matado alguém na estrada. Eles vão até lá, mas descobrem apenas um cachorro morto. Amigos do casal próximos a policiais também confirmam que não houve nenhum relato de uma pessoa atropelada. Tudo volta ao normal na vida da mulher, até que notícias de uma descoberta terrível passam a atormentar a todos.
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“No va a saber qué hacer cuando no sople más viento / No sabe distinguir el amor de cualquier sentimiento”
Gosto da cabeça obscurecida ou subtraída do quadro como representação da incapacidade de Verónica de reconhecer-se como sujeito moral. A direção é irretocável e a crítica, não fosse a anterioridade de “Psicopata americano”, teria me ganhado por completo. Sim, aqui a indiferença não se manifesta prioritariamente como narcisismo hiperindividualista produzido por uma subjetividade neoliberal, mas como uma tecnologia coletiva de reprodução dos privilégios de classe e, sobretudo, de raça. Existem diferenças evidentes entre as representações da geração yuppie pró-Reagan e da classe média branca argentina. Ainda assim, o plot twist e o subtexto não deixam de ser essencialmente os mesmos. Além disso, os preconceitos raciais e de classe das classes medias latino-americanas, tal como representados no filme, já foram explorados ad nauseam pelo cinema.
Enfim, é um belo filme, mas terminei com aquela sensação de já tê-lo assistido antes.
Veronica dirige por uma estrada e, num segundo de distração, sente um forte impacto como se houvesse atropelado algo. Ela bate a cabeça, mas volta a dirigir sem ver o que houve. A partir disso, ela aparenta entrar em choque por acreditar ter matado uma pessoa. O filme começa a mostrar detalhes aparentemente banais da vida da personagem mas, principalmente, seu profundo desconforto e apatia. Ela mal interage com as pessoas, demonstra alienação e confusão mental. O mais perturbador, além de seus silêncios, é que ninguém parece notar o que ela está passando. Os comentários que fazem sobre ela limitam-se à sua aparência, numa clara menção à superficialidade das relações.
Essa é a premissa de "A mulher Sem Cabeça", onde até a normalidade pode ser inquietante. As informações vão sendo oferecidas em pequenas doses para dedução do público, assim como os fatos que envolvem o acidente. Nunca há clareza absoluta, apenas suspeitas de que houve alguma vítima, possivelmente uma das crianças pobres da região, apresentadas nas primeiras cenas do filme. Este é um ponto que expõe o abismo entre classes sociais, porque a perda dessas vidas invisíveis parece ser irrelevante, com peso semelhante ao da morte de um animal.
A interpretação de Maria Onetto merece destaque pela habilidade de revelar-se somente com o olhar e poucas expressões do rosto. Em duas rápidas ocasiões suas lágrimas explodem em culpa, mas logo depois ela retorna à passividade que indica uma vida controlada pelos outros. A direção de Lucrecia Martel é inteligente e mantém incertezas, nos levando a presumir respostas e tirar nossas próprias conclusões. Durante todo o tempo é como se estivéssemos presos à mente de Veronica, compartilhando sua desorientação e enxergando tudo sob suas lentes turvas.
- sem utilizar de muitas palavras e diálogos expositivos, consegue nos fazer perceber como a culpa, a covardia e o medo abalam completamente a protagonista
- ótima atuação da María Onetto, principalmente nas expressões, no não dito, silêncios
- começa muito bem, contudo derrapa do meio para o final, não consegue manter o ritmo, pena, mas termina bem
Um dos grandes filmes da carreira da Lucrecia.Mesmo não mantendo o ritmo depois do segundo ato,o filme consegue encerrar bem e ter uma duração correta pra tudo acontecer.
>Assistido em 23 de Abril de 2025
Começou mto bem, mas se tornou cansativo. Dropei.