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Data de lançamento
17 Out. 2006Duração
Século XIX, Londres. Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) se conhecem há muitos anos, desde que eram mágicos iniciantes. A partir de então eles vivem competindo entre si, o que faz com que a amizade se transforme em uma grande rivalidade com o passar dos anos. Quando Alfred apresenta uma mágica revolucionária, Robert fica obcecado em descobrir como ele consegue realizá-la.
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Poucos filmes transformam uma simples disputa em uma obsessão tão fascinante quanto O Grande Truque. Christopher Nolan constrói um thriller em que o verdadeiro espetáculo não está apenas nos truques de mágica, mas na maneira como dois homens vão destruindo a própria vida para superar um ao outro. É inteligente, sombrio e cheio de camadas, daqueles filmes que ficam ainda melhores quando você começa a perceber como tudo foi cuidadosamente planejado.
A história acompanha Robert Angier e Alfred Borden, dois mágicos que começam como aprendizes e trabalham juntos em apresentações de ilusionismo na Londres do final do século XIX. Após realizar um nó errado, Borden acaba matando indiretamente a mulher de Angier. Uma tragédia durante uma mágica que transforma a relação entre os dois em uma rivalidade obsessiva. A partir daí, cada um passa a dedicar a própria carreira a superar o outro, buscando criar o truque mais impressionante e, principalmente, descobrir os segredos por trás das apresentações do rival. Borden desenvolve um número aparentemente impossível, enquanto Angier fica obcecado em descobrir como ele consegue realizá-lo. O que começa como competição profissional rapidamente se transforma em uma guerra pessoal, marcada por sabotagens, humilhações e consequências cada vez mais graves. A rivalidade também envolve Olivia Wenscombe, assistente de Angier, e Cutter, engenheiro responsável pela construção dos equipamentos utilizados nos espetáculos. Conforme os truques se tornam mais elaborados, a linha entre ilusão e realidade começa a desaparecer. A narrativa ainda apresenta Nikola Tesla, cuja tecnologia pode oferecer a Angier a possibilidade de realizar aquilo que parecia impossível. Paralelamente, o filme fragmenta sua história entre diferentes momentos e perspectivas, fazendo com que o espectador precise montar as peças enquanto acompanha dois homens consumidos pela necessidade de vencer.
O grande mérito do roteiro está em transformar o próprio conceito de mágica em estrutura narrativa. Nolan esconde informações, manipula perspectivas e planta pistas e easter eggs que ganham novos significados posteriormente. Esse é daqueles filmes que obrigatoriamente temos que reassistir para entender que tudo estava na nossa cara.
O conflito é simples na origem, mas sua escalada é extremamente bem construída: quanto maior a obsessão, maior o preço que os personagens aceitam pagar.
Christian Bale e Hugh Jackman estão excelentes justamente porque interpretam personagens que parecem semelhantes, mas possuem maneiras muito diferentes de lidar com a obsessão. Michael Caine funciona como a consciência do filme, enquanto Rebecca Hall e Scarlett Johansson têm papéis importantes, embora secundários diante da rivalidade central.
O Grande Truque é um daqueles filmes em que a segunda experiência pode ser tão interessante quanto a primeira, porque conhecer o resultado não destrói a construção — pelo contrário, permite perceber melhor as pistas escondidas pelo caminho. Mais do que um filme sobre mágicos, é uma história sobre até onde alguém está disposto a ir para ser o melhor. E talvez esse seja o verdadeiro truque: fazer o espectador olhar para o espetáculo enquanto a verdadeira história acontece diante dos seus olhos.
Nota: 9,2
Não vou chover no molhado, é inegável que isso aqui é um filmão: Nolan já impecável em todos os quesitos técnicos e narrativos, as atuações são exímias, a montagem e a edição estão no ponto, o embate final entre Bale e Jackman é excelente, os diálogos são incríveis, etc. etc. Indicaria de olhos fechados para qualquer um. Agora vamos ao que eu gostaria de comentar.
Sei que muita gente adora se gabar de ter sacado as reviravoltas de um filme ou de um livro. Por exemplo, acontece muito com quem lê bastante Agatha Christie, desvenda ocasionalmente o assassino antes de a autora revelar, e sai por aí falando de como é um ótimo investigador. Veja bem, eu nunca consegui desvendar um vilão da Dama do Crime ou um mistério do Conan Doyle, mas sempre fui mais detetivesco no ambiente cinematográfico. Acho que o cerne da questão de todo o meu comentário, o qual retomo ao final desse texto, é que uma boa história, um bom desenvolvimento, um bom desfecho, deve ter tudo amarrado, plausível e verossímil. Se Agatha Christie explica o seu romance usando artifícios que não estavam previamente expostos para o leitor, eu chamaria isso de canalhice, talvez.
No ótimo Incendies, do Denis Villeneuve, compreendi quem era o homem que estuprou a protagonista no momento que acontecera e, apesar de isso ter prejudicado o impacto do ato final na minha experiência, não deixei de aproveitar o filme. Acho que a diferença entre esse exemplo e The Prestige é que, no caso do primeiro eu não assisti esperando ser surpreendido; sabia que era uma produção que tinha uma conclusão famosa, mas era isso. O do Nolan, entretanto, foi me vendido como um longa com "um dos melhores plot twists", "chocante", "muito inteligente", e, conhecendo um pouco do diretor, fui sedento para ficar boquiaberto com o desenlace, o que infelizmente não aconteceu.
Não me entendam mal, não estou me engrandecendo de maneira nenhuma, fui extremamente pego de surpresa com a reviravolta final de Arrival, do Villaneuve, e de Interstellar, do Nolan, para citar apenas dois desses diretores dentre diversos longas que me explodiram a cabeça. Porém, faltando ainda mais de uma hora para acabar The Prestige, eu já havia entendido quem Mr. Fallon era, e depois, também entendi as interpretações do número final do Angier. Isso não me atrapalharia não fossem minhas próprias idealizações sobre o tal plot twist, fiquei esperando alguma outra revelação que nunca chegou. Se assistisse ao filme não sabendo de sua fama, teria aproveitado muito mais...
Mas... será mesmo?
O que coloquei até então como um ponto anticlimático por conta das minhas expectativas, agora afirmo ser talvez parte essencial da própria experiência! Creio ser esse sentimento anticlimático o trunfo dessa obra. Acho que o sentido está presente no último monólogo, que comentei no começo desse texto: a ideia de que o expectador sabe a verdade e escolhe ser enganado. O observador comum, como eu, consegue desvendar tranquilamente o enlaço proposto pelo Nolan devido as pistas honestas dadas pelo roteiro. Não há coelho tirado da cartola, e ainda bem! Isso, para mim, é a marca de um bom argumento e, creio eu, de um bom truque de mágica – não subestimar o seu público. Será que Nolan construiu seu filme para ter mesmo esse plot twist incrível que todos vendem? Ou será que a intenção era justamente criar essa ilusão do engano, frustrar o expectador ao mostrar que ele sabia exatamente o que estava acontecendo desde o começo?
Não fui tapeado, no entanto gosto de pensar que Nolan não acharia isso ruim de jeito nenhum.
Filme muito lindo! Aquela duplicidade que tem em várias partes do filme, a competição, as leituras, um pensando e o outro fazendo
os irmãos que se unem e se sacrificam pela busca do grande truque, a parte dos clones, que idéia incrivel para um filme. Sem mencionar amor de cada um por sua amada, sou romântica, amei saber.
Bom filme do Nolan. Quase sempre ele acerta.
Tem várias "reviravoltas" e revelações.
Bom elenco, boas atuações...
Fiquei em dúvida no final (como outros ficaram):
Angier usava um dublê no truque do Homem Transportado e ele matou o dublê para incriminar o Borden? Ou a máquina realmente funcionava, de alguma forma, clonando e teleportando o Angier? E para quê aquele tanto de tanque? Será que o Tesla usou os chapéus e os gato para enganar o Angier para fazer ele financiar o Tesla ou aquelas cópias realmente foram feitas? Eu gosto de um filme mais realista e acho que seria melhor se fosse tudo truque mesmo e que não houvesse uma máquina que clona e teleporta coisas/pessoas.
Resumindo minha dúvida
a máquina funciona ou não?
Muito previsível. Antes da metade eu já tinha percebido todos os plots twists. Mas ainda assim divertido. Vale conferir.