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"Paris, Paris", sussura Joséphine Baker na banda sonora. Através de um belo atalho, a canção introduz o assunto do filme, a estranha dupla atração/repulsa que exerce a "cidade das luzes" sobre a geração africana pós-independências: atração pela capital (as palavras), recusa da assimilação. Os dois protagonistas vivem à margem: em Dakar. Ao sabor da corrente tentam reunir por todos os meios (roubos, prostituição) o dinheiro que lhes permitirá chegar a Paris.
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Touki Bouki é um clássico do cinema senegalês, lançado em 1973. Assim como sua dupla central, o filme é abusado ao subverter estereótipos sobre o continente africano. Malícia, arrojo e experimentação são constantes nessa narrativa fragmentada e irônica. O diretor recorre à influência da Nouvelle Vague para construir sua contrarresposta à visão de mundo europeia.
Para esse filme ser considerado ruim, tem que melhorar muito! Apesar de ter uma boa fotografia, o filme não tem enredo e os atores parecem todos amadores.
- aquele sonho que muitos dos chamados países "subdesenvolvidos" tem de ir conseguir uma vida melhor nos tais "países de primeiro mundo"
- vários esquemas, muitas pilantragens para ir atrás do sonho
- curtindo a vida adoidado senegalês
- adorei a fotografia, as cores, as roupas e o pouco da cultura local que é mostrada
- odiei as cenas de morte de animais, desnecessárias, mas entendi a simbologia que queria passar
Muito atual também se fizermos um paralelo com a ascensão de classe nos países emergentes, em que você se vê diante do conflito do direito a cidadania através do consumo versus a consequência de reforçar a lógica predatória da estrutura que nunca deixará essa cidadania existir plenamente.
Apesar de eu ser fã do Mambéty - tem como não? -, tenho problemas para imergir neste filme. Aplaudo de pé a subversão, a direção de arte perfeita e a pujança rebelde do casal protagonista, mas incomodo-me com o tom excessivamente picotado da narrativa, como se as 'gags' funcionassem melhor que o conjunto. Inclusive, aquele segmento do homossexual estereotipado não me desce bem. Divirto-me e excito-me bastante com a mistura de sons, com a fotografia exuberante, mas não é meu trabalho favorito do diretor, infelizmente. Reconheço os méritos, concordo com a valorização, acho impressionante o que ele impulsiona, mas preciso assumir que, por enquanto, ainda tenho uma trava em relação a esta obra pioneira. Comprometo-me a voltar mais vezes a ele, entretanto: é uma paulada na lógica colonialista, vrá! (WPC>)