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Data de lançamento
12 Junho 2025Duração
Em 2018, seguimos os esforços de Daniel Pentecostes, 17, para lidar com a frustração paterna pelo desenlace da sua carreira: Daniel era a criança pregadora mais famosa do Brasil, mas à medida que cresce há cada vez menos interesse por suas pregações. Em 2022, seguimos João Ota, 12, no ápice de sua carreira: com mais de um milhão de seguidores, ele prega para multidões. O destino de Daniel o assombra.
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Exibido em première no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde ganhou o prêmio de edição, e depois no Festival de Brasília e na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2025, o documentário do diretor de “A flecha e a farda” (2020), Miguel Antunes Ramos, escrito por ele e pela premiada cineasta Alice Riff (diretora de “Meu corpo é político”), estreou na semana passada em cinemas selecionados do Brasil. O filme é um estudo sobre religião e mídia em um país dividido pela política. Ramos faz um olhar íntimo sobre o universo dos pregadores mirins evangélicos, trazendo para a pauta duas personalidades midiáticas: Daniel Pentecoste, que nos anos 2000 se tornou o pregador infantil mais famoso do país, numa época em que as redes sociais engatinhavam, e João Vitor Ota, fenômeno das redes sociais que reúne atualmente milhares de seguidores no TikTok e Instagram. Daniel, duas décadas depois, sente hoje o peso do passado, principalmente a cobrança do pai, que se envolveu com política (defensor ferrenho de Bolsonaro) e queria o filho ativo nas pregações. Daniel se afastou dos holofotes e segue outras formas da espiritualidade, desafiado a se reinventar após o fim da fama precoce – segundo ele, vive agora uma nova forma de relação com a igreja, afirmando que sua fé permanece viva, mas sustentada menos pela rigidez dogmática e mais pela mensagem de amor do evangelho. Já João está no auge da visibilidade digital, ostentando nas redes. A reflexão envolve a relação de religião, mídia e política no Brasil, ainda mais quando essas figuras são crianças e adolescentes, expostas à espetacularização das plataformas, no caldo da cultura do “show do eu” (como expôs a antropóloga argentina Paula Sibilia). Filmado ao longo de cinco anos, o longa cruza a trajetória de Daniel e João por meio de vídeos antigos e depoimentos atuais num paralelismo entre as duas faces das pregações religiosas no mundo evangélico. Continua nos cinemas pela Embaúba Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
- o diretor é firme ao assumir a forma documental, mostra apenas os momentos da vida dos pastores mirins, sem tentar fazer qualquer julgamento
- vemos dois momentos diversos, o auge da fama e o pós, o que aguarda depois quando a pessoa não é mais uma criança fofinha e sim um adolescente que tem suas próprias ideias e não é tão cativante
- mesmo sem fazer juízo de valor, conseguimos ver que ao acompanhar essas pessoas, a fé para alguns é apenas/também uma forma de fazer negócios, vender e ganhar a vida. a fé está lá, mas não fica em primeiro lugar
Fiquei muito incomodado durante a projeção: ainda que eu estivesse gostando bastante do modo como o documentário estava se desenvolvendo, por vezes eu sentia que havia "personagem demais e filme de menos". Simpatizei de imediato com o Daniel, bonito por dentro e por fora, que parece sincero em sua religiosidade, visto que a aceita enquanto crise e dúvida. Mas estranhei quando a abordagem do bolsonarismo é alçado ao primeiro plano temático - ao menos, por algum tempo -, não obstante isto ser internamente justificado. Até que acontece o "Congresso Nacional dos Gideõezinhos", e acontece uma transição que permite não apenas uma modificação de abordagem e o surgimento de um novo personagem, mas uma averiguação tão evidente quanto dolorosa da alteração de perspectiva que circunda a nossa sociedade globalizada, de uma conjuntura analógica para o entreguismo digital (que exige permanece produção de conteúdo). Senti-me ainda mais incomodado ao acompanhar o cotidiano de João Victor Ora, mas num sentido distinto do que me desnorteou na primeira metade do filme: agora, o filme descortinava muitíssimo bem as suas intenções de abordagem, demonstrando simpatia em um dos contextos, mas desconfiança (respeitosa) em relação ao outro. Como o filme é lançado quase ao mesmo tempo que APOCALIPSE NOS TRÓPICOS, os pontos de conexão entre as obras são múltiplos, mas, aqui, a análise é muito mais interna, aderindo ao ritmo de exibicionismo ansiado pelos personagens reais, que, segundo o diretor, ficaram muito satisfeitos com o que viram no filme (e é sério: impressiona-me bastante saber disso!). Num diálogo com o realizador, ele comparou o que acontece aqui à filmagem de O EXORCISTA, ao refletir sobre os caracteres da performance infantil, de modo que, algumas horas após a sessão, sigo pensando no que o filme causou em mim e ainda muito incomodado com o que ele expõe enquanto terror da vida real. Merece ser ainda mais divulgado o quanto antes, ser visto e debatido por mais e mais pessoas. A montagem de cenas ao som da canção "Questiona ou Adora" foi um golpe de mestre! (WPC>)