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Data de lançamento
12 Março 1941Duração
Quando Henry Connell (James Gleason), seu editor, a demite, Ann Mitchell (Barbara Stanwyck), uma jornalista, publica sua última matéria, uma carta criada por ela e assinada por John Doe comunicando que cometerá suicídio no Natal em protesto contra corrupção e a pobreza, que invadem o país. Isto gera várias reportagens, nas quais Ann denuncia as injustiças sociais. Tal fato leva o jornal a procurar alguém para representar John Doe e o escolhido é Long John Willoughby (Gary Cooper), um vagabundo. Mas a popularidade de John cresce de tal maneira que os fatos saem do controle.
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A obra mais sombria e autocrítica de Frank Capra
Uma estrutura de bondade erguida sobre um alicerce de falsidade corre o risco de desabar quando a luz da verdade brilha
Manipulação da Mídia. A Ambiguidade do Populismo. Individualismo Vs. Comunidade.
"Peguem seus vizinhos. Olhem para eles. São pessoas boas. (...) Ajudem seu vizinho. Esse é o começo." (Do primeiro discurso de John Doe) – A mensagem simples e poderosa que inflama a nação, a essência do idealismo capriano
A dura realidade de que as massas, o seu "povo", são assustadoramente fáceis de manipular
O movimento não espera pelo Estado (uma visão subsidiária); ele nasce da caritas, o amor que une os homens como membros de um mesmo corpo místico
O clímax na convenção, onde a multidão amorosa se transforma em uma turba odiosa em questão de segundos, é a cena mais aterrorizante que Capra já dirigiu e representa sua mais profunda ansiedade sobre o projeto democrático
O final feliz imposto não consegue apagar a imagem indelével daquela multidão, tornando o filme uma advertência muito mais ambígua do que suas obras mais famosas
Um diagnóstico da vulnerabilidade de uma democracia em tempos de incerteza econômica e crise de fé
Meio datado, mas ainda com uma bela mensagem natalina de esperança, com uma singela performance de Gary Cooper (como um sem-teto ingênuo e vítima do capitalismo), e também destaco Walter Brennan
MEET JOHN DOE
Direção: Frank Capra
Ano: 1941
Assistido em: 08/06/2025
Quando soube da existência desse filme — e, por tabela, li a sinopse e descobri sobre o que se tratava — fiquei extremamente animado. Só Deus sabe o quão difícil foi encontrá-lo, mesmo ele já tendo caído em domínio público. Mas agora que consegui… que tremenda decepção foi perceber que o Capra transformou uma base tão boa numa história tão qualquer coisa. Pode até parecer heresia falar assim de um dos maiores diretores do cinema, mas quando vejo o que Meet John Doe poderia ter sido, e comparo com o que ele entregou, preciso concordar com quem diz que este é um trabalho menor na carreira do diretor.
Após ser demitida, a jornalista Ann Mitchell publica uma falsa carta de um "John Doe", um homem comum que ameaça se suicidar em protesto contra a corrupção e a injustiça social. O sucesso da carta obriga o jornal a encontrar alguém para interpretar o personagem, e o escolhido é Long John Willoughby, um ex-jogador de beisebol desempregado. Enquanto o plano ganha força e John Doe se torna símbolo de um movimento popular, interesses políticos começam a manipular a farsa, colocando Ann e Willoughby diante de dilemas éticos profundos.
A ideia do filme é tão interessante e tão bem articulada que se torna atemporal. É totalmente possível traçar paralelos com o que acontece hoje. Em 1941, o mundo ainda era arcaico; as notícias vinham do jornal impresso. Hoje, temos acesso à informação de maneira muito mais rápida, intensa — na palma da mão temos literalmente um mundo de possibilidades. E isso só faz com que as pessoas sejam ainda mais manipuláveis do que eram naquela época. O espetáculo criado pelo tal John Doe é reproduzido em escala muito maior todos os dias nesse "pequeno lugarzinho" chamado internet. E o mais perturbador: o comportamento das pessoas é exatamente o mesmo. Muitos tomam grandes besteiras como verdades absolutas e lutam por elas como se fossem as causas mais nobres do mundo. Completos ignorantes são alçados a posições que não merecem, apenas pelo apoio popular.
E aí entra o meu grande problema com o Capra e o que ele fez com esse filme. Em vez de ser mais pé no chão, ele apelou para a fantasia. John Doe se aproveita da situação, mas de forma tão positiva que o real se torna falso — falso até mesmo para o que o próprio filme propõe, o personagem é levado pelas circunstância, sem uma malícia que o tornaria mais verocímel. Tudo bem que as pessoas são crédulas e adoram um salvador da pátria, mas se houvesse um mínimo de maldade por parte dele ou da Ann, o resultado final seria muito mais interessante. Em vez disso, Capra se apega a ideais perfeitos de sociedade e ao arquétipo do herói esmagado pelos abutres manipuladores.
O filme até expõe o quanto a imprensa pode ser podre, como manipula nossas emoções quando bem entende. E, apesar de reconhecer esses pontos positivos, não consigo engolir que o tal John Doe precise ser esse paladino da justiça e pilar dos bons costumes para enganar o populacho. Capra tinha capacidade de fazer algo mais elaborado — e fora dessas fantasias politicamente positivas que ele tanto gostava de vender nos seus filmes.
Capitaneado pelos gigantes Gary Cooper e Barbara Stanwyck — dois dos maiores nomes da Hollywood clássica —, que brilham em papéis interessantes, mas que, convenhamos, não estão entre os mais memoráveis de suas carreiras.
Meu maior problema com Meet John Doe é que, durante todo o filme, eu ficava idealizando o que ele poderia ser — o que o tornaria melhor. Pode ser prepotência da minha parte achar que entendo mais que o Capra ou que minha visão resultaria num filme superior ao dele, feito há 84 anos quando meus avós eram fedelhos. Mas o problema é que a mentalidade das pessoas de hoje é muito diferente daquelas do começo dos anos 40. A estúpidez talvez seja a mesma, mas a mentalidade já mudou bastante. E eu simplesmente tenho dificuldade em acreditar numa mensagem tão positiva como a que o filme tenta passar.
Frank Capra tem filmes incrivelmente atemporais. Me surpreendo a cada novo filme, a mensagem positiva que é transmitida de forma super natural, o elenco sempre afinadíssimo, o bom humor e sempre aquela cena final emocionante que sempre arranca da gente uma (ou mais) lágrima.
Esse não é diferente.
Bom filme, só poderia ser mais curto.
Visto em 07/05/23