Dirigido por
Data de lançamento
17 Maio 2002Duração
O amor de Penny (Lesley Manville) por seu companheiro, o motorista de táxi Phil (Timothy Spall), secou. Phil é gentil e sem ambições, enquanto que ela trabalha como caixa de supermecado. Rachel (Alison Garland), filha deles, faz faxina na casa de idosos e o filho do casal, Rory (James Corden), está desempregado e desenvolveu uma agressividade acentuada, preferindo ficar sentado o dia todo no sofá a fazer algo produtivo da vida. A alegria abandonou completamente a relação de Phil e Penny. Até que Rory fica doente, é internado no hospital com problemas cardíacos e muda a perspectiva das coisas. O incidente primeiro evidencia os problemas no relacionamento deles, depois acaba aproximando-os pela primeira vez em anos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Na falta de referências, a geração atual sempre emula os vícios da anterior. Em "All or Nothing", a partir de três famílias disfuncionais, Mike Leigh argumenta como os filhos são espelhos dos pais, principalmente quando os progenitores não suscitam nenhum tipo de respeito. E, como de praxe, o diretor permeia a obra com sua clássica desesperança, fruto das dificuldades econômicas enfrentadas pela classe trabalhadora inglesa.
Leigh responsabiliza os pais, mas sem culpá-los ou torná-los vilões. Em fato, humaniza-os ao destacar o duro contexto em que estão inseridos, onde o escapismo, seja no entretenimento, no sexo ou demais vícios, é o único meio disponível para fugir da realidade. Mas, para Leigh, a fuga nada resolve, é preciso transformar a realidade; e o fortalecimento dos vínculos familiares é a resposta. Aí está a responsabilidade dos pais. E este papel recairá, inevitavelmente, no colo dos filhos, quando assumirem a condição de genitores e tornarem-se, assim, responsáveis pela nova geração. Sensibilidade aguçada do veterano diretor.
O diretor e o elenco conseguem tornar esses personagens humanos e sensíveis, mas profundamente tristes. Mike Leigh ❤️❤️
O trabalho danifica o homem.
A música introdutória do Andrew Dickson é bastante precisa acerca do caráter soturno e plangente das famílias que serão retratadas.
Um filme-retrato é mais a cara deste do que dos outros filmes do diretor em que os personagens são mais bem talhados e os temas, mais densos; mas nem por isso o considero um filme menor.
Assim como nos outros e também neste, Mike Leigh foi muito feliz em desvelar o que jaz sob o drama da vida no subúrbio e a sua causalidade. Aqui, temos três famílias definhando no marasmo corrosivo tipicamente suburbano, com adultos subempregados, jovens NEET's e idosos afetivamente à própria sorte. De moedas contadas, reclamações incessantes e gula culpada, parece faltar algo no lar principal, assim como nos demais; algo para além da mera solução imediata de tais problemas, algo simples de dizer mas que se encontra furtivo em meio a tanta neurastenia e dissabor e, por isso, indizível e desapercebido pelos personagens.
Ao final do segundo ato, a tempestade inesperadamente chega e esse algo em falta se deixa enfim vislumbrar e manifestar, ainda que de forma atabalhoada e sobressaltada. Não temos a anticatarse fatalista de Naked, mas o famoso "acordar pra vida" do afegão médio, o modesto insight do "um dia de cada vez".
Alguns chamam esse filme de "realista", mas pra mim ele exagera ao máximo o pessimismo, sentimentos negativos, fracasso e por aí vai.
São pessoas fracas emocionalmente, quebradas mentalmente, tomando sempre a pior decisão possível. Chega a ser forçado.
Mas não é mau filme.