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Data de lançamento
28 Ago. 2024Duração
Georgina é uma mulher trans da etnia Wayúu que vive às margens de sua própria comunidade e sai em busca de emitir sua carteira de identidade e se reconectar com sua comunidade e família. Ela já teve documentos em seu nome antigo, mas os perdeu depois que atearam fogo na casa onde vivia: seus vizinhos não aceitavam que uma indígena trans habitasse o mesmo território que eles. Depois de sofrer esse atentado, Georgina decide que quer ir até o fim para ter sua verdadeira identidade reconhecida. Alma do Deserto é uma história de resiliência, um símbolo de esperança e luta por justiça.
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Recém-lançada no mercado audiovisual brasileiro, a distribuidora Retrato Filmes traz aos cinemas esse ótimo documentário sobre identidade e resistência, uma coprodução Brasil e Colômbia ganhadora do Queer Lion no Festival de Veneza. Exibido ano passado no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme conta a trajetória de Georgina Epiayú, mulher trans da etnia Wayúu que vive numa comunidade isolada em La Guajira, entre a Colômbia e a Venezuela. Dedica seus dias para obter um novo documento de identidade, pois o antigo foi queimado num incêndio criminoso e nele constava o nome de nascimento (ou seja, masculino). Entre idas e vindas ao cartório, a recusa é constante, demonstrando a intolerância com a população transsexual. Georgina precisa de um novo registro para exercer o direito de votar, já que as eleições na Colômbia se aproximam. Enquanto conversa com a câmera, sobre hoje e sobre seu passado, sabemos de quando foi expulsa da vizinhança e teve os documentos pessoais queimados por motivo de ódio. É a jornada pessoal de uma mulher em busca de reconhecimento e respeito. Georgina é uma força da natureza, com seu jeito resiliente, calmo e com falas pontuais e questionadoras. Seu olhar profundo também traz a história de dor de seu antepassado ameríndio – a comunidade Wayúu foi praticamente dizimada pelos colonizadores espanhóis nos últimos 500 anos de existência na região, e atualmente o povoado sofre com o descaso das autoridades – crianças Wayúu passam fome, jovens e adultos são assassinados etc
Quem dirige com delicadeza e muita precisão é a cineasta colombiana Mónica Taboada-Tapia, em sua estreia em longa-metragem. É a primeira vez que um filme brasileiro – aqui em coprodução com a Colômbia, vence o Queer Lion, prêmio especial do Festival de Veneza destinado a obras cinematográficas com temática LGBTQIA+. Também foi premiado no Festival de Havana, com o Prêmio Especial do Júri da Competição de Documentários e o Prêmio Arrecife, entregue ao melhor filme com temática Queer. Nos cinemas pela Retrato Filmes.
POR FELIPE BRIDA - Cinema-naweb
O filme possui um bom ritmo, uma fotografia belíssima e o trabalho sempre mui competente de O Grivo na trilha musical, mas... Toda a vida daquela personagem real é baseada na conquista da tal (carteira de) identidade? Solidarizamo-nos em relação a ela, torcemos para que a via-crúcis acabe de maneira bem-sucedida e compreendemos o dilema identitário (o trocadilho veio pronto), mas o documentário torna-se tematicamente pleonástico. a partir de certo ponto. Daí por diante, não comove nem causa indignação, apenas engrena no automatismo discursivo. Quando surge a declaração de voto da personagem, então... Mas insisto: é muito bacana de ser visto, funciona como alento sem muitas expectativas! (WPC>)