Depois de uma estadia de vinte anos em um manicômio por um duplo assassinato, uma mãe retorna para sua filha e logo começam a surgir suspeitas sobre seu comportamento.
Strait-Jacket de 1964, no Brasil Almas Mortas, é um bom filme. Assisti em uma qualidade muito boa. O clima de apreensão fica no ar desde o primeiro minuto, numa grande atuação de Joan Crawford, apesar da sua personagem ser extremamente irritante e limitada.
Porém tem algumas coisas que me incomodam no filme. Apesar de serem clichês normais e, às vezes, conveniências de roteiro, não atrapalham nem diminuem o que a obra é no final, mas incomodam.
Achei forçado o teatro que Carol (Diane Baker) fez quando a mãe falou sobre o Dr. Anderson (Mitchell Cox) e que ele tinha ido embora. Ela já de primeira imaginou que ele teria morrido — obviamente devido ao histórico da mãe —, porém acho que foi uma conclusão muito precipitada. E, obviamente, Lucy (Joan Crawford) falando “the doctor is gone” (que serve tanto para “partir” no sentido de ir embora quanto de morrer) repetidamente sugere isso de forma a confundir o público, de uma maneira que o roteiro nos força a isso. Obviamente para fazer a gente pensar que Lucy é a culpada e nos preparar para o plot que virá. Isso fica menos forçado quando descobrimos que tudo fazia parte do teatro de Carol, mas mesmo assim ainda é totalmente antinatural.
Também cenas como quando ligam atrás do Dr. Anderson e Lucy começa a rasgar algo como um pedaço de papel ou pano com uma tesoura são ridículas e forçadas, só para demonstrar que ela estaria com medo e nos induzir a acreditar que ela é culpada. E, como disse anteriormente, mesmo sabendo que faz parte de um jogo psicológico de Carol, ainda acho um pouco forçado.
Mas também não diminui o impacto final do filme — são só coisas que poderiam ser mais sutis.
A cena final, quando Carol e Lucy se defrontam e Carol está toda vestida igual à mãe, inclusive com uma máscara muito bem feita que confunde muito bem quando vista rapidamente, é muito boa. Essa sequência não só é bem feita como passa um momento de tensão e apreensão grande que acho que não tinha sido sentido até aquele ponto do filme.
O filme fecha muito bem com esse final, porém acho que poderia ter mais alguns minutos com a polícia e os desdobramentos do caso.
No geral, um bom thriller com forte presença de Joan Crawford e um desfecho impactante, mesmo com algumas conveniências de roteiro que soam forçadas ao longo do caminho.
Almas Mortas é um dos grandes filmes da reta final da filmografia de William Castle. Sempre bom rever um ótimo suspense, com um roteiro bem construído e por mais que o plot twist seja um pouco previsível, ainda funciona demais.
- caraca, ou esses machados são ultra afiados ou essa mulher é mega forte, era uma machadada e a cabeça já pulava - tem seus probleminhas, mas para a época que foi feito é sensacional - a ótima atuação da joan e o roteiro já valem o filme, aquela reviravolta me pegou desprevenido
Sempre tive muita curiosidade em conferir este título e fiquei surpreso pela seriedade da caracterização de Joan Crawford, que dota a sua personagem de inesperada simpatia (afinal, desde o começo, ela é mais vítima que vilã). Há algo de forçado na reviravolta, mas não se pode reclamar de inverossimilhança em si. Há questões de personalidade muito interessantes sendo desenvolvidas nas entrelinhas, em meio aos chamarizes característicos de William Castle, genial no modo como cria (e vende) o terror. Logicamente, as convenções do 'hagsploitation' não são suficientes para fazer com que ignoremos os detalhes misóginos do enredo, mas isto tem mais a ver com o contexto em que as ações acontecem que com a produção em si mesma. Será? Esta não seria um reflexo das outras? Sim, sim... Os freudianos surtam - e quem sabe até se identificam. Estou nesta lista. Filmaço! (WPC>)
Um ótimo suspense. Há de se dizer o motivo, Robert Bloch é o roteirista. Apesar de ter seu romance adaptado em psicose, ele é a mente por trás do roteiro do filme e é a grande chave desse filme. O roteiro nos prende a atenção a todo momento. E Crowford vai muito bem.
Strait-Jacket de 1964, no Brasil Almas Mortas, é um bom filme. Assisti em uma qualidade muito boa. O clima de apreensão fica no ar desde o primeiro minuto, numa grande atuação de Joan Crawford, apesar da sua personagem ser extremamente irritante e limitada.
Porém tem algumas coisas que me incomodam no filme. Apesar de serem clichês normais e, às vezes, conveniências de roteiro, não atrapalham nem diminuem o que a obra é no final, mas incomodam.
Achei forçado o teatro que Carol (Diane Baker) fez quando a mãe falou sobre o Dr. Anderson (Mitchell Cox) e que ele tinha ido embora. Ela já de primeira imaginou que ele teria morrido — obviamente devido ao histórico da mãe —, porém acho que foi uma conclusão muito precipitada. E, obviamente, Lucy (Joan Crawford) falando “the doctor is gone” (que serve tanto para “partir” no sentido de ir embora quanto de morrer) repetidamente sugere isso de forma a confundir o público, de uma maneira que o roteiro nos força a isso. Obviamente para fazer a gente pensar que Lucy é a culpada e nos preparar para o plot que virá. Isso fica menos forçado quando descobrimos que tudo fazia parte do teatro de Carol, mas mesmo assim ainda é totalmente antinatural.
Também cenas como quando ligam atrás do Dr. Anderson e Lucy começa a rasgar algo como um pedaço de papel ou pano com uma tesoura são ridículas e forçadas, só para demonstrar que ela estaria com medo e nos induzir a acreditar que ela é culpada. E, como disse anteriormente, mesmo sabendo que faz parte de um jogo psicológico de Carol, ainda acho um pouco forçado.
A cena final, quando Carol e Lucy se defrontam e Carol está toda vestida igual à mãe, inclusive com uma máscara muito bem feita que confunde muito bem quando vista rapidamente, é muito boa. Essa sequência não só é bem feita como passa um momento de tensão e apreensão grande que acho que não tinha sido sentido até aquele ponto do filme.
No geral, um bom thriller com forte presença de Joan Crawford e um desfecho impactante, mesmo com algumas conveniências de roteiro que soam forçadas ao longo do caminho.
Assistido em 16/10/2026
Almas Mortas é um dos grandes filmes da reta final da filmografia de William Castle. Sempre bom rever um ótimo suspense, com um roteiro bem construído e por mais que o plot twist seja um pouco previsível, ainda funciona demais.
**** (Ótimo)
- caraca, ou esses machados são ultra afiados ou essa mulher é mega forte, era uma machadada e a cabeça já pulava
- tem seus probleminhas, mas para a época que foi feito é sensacional
- a ótima atuação da joan e o roteiro já valem o filme, aquela reviravolta me pegou desprevenido
Sempre tive muita curiosidade em conferir este título e fiquei surpreso pela seriedade da caracterização de Joan Crawford, que dota a sua personagem de inesperada simpatia (afinal, desde o começo, ela é mais vítima que vilã). Há algo de forçado na reviravolta, mas não se pode reclamar de inverossimilhança em si. Há questões de personalidade muito interessantes sendo desenvolvidas nas entrelinhas, em meio aos chamarizes característicos de William Castle, genial no modo como cria (e vende) o terror. Logicamente, as convenções do 'hagsploitation' não são suficientes para fazer com que ignoremos os detalhes misóginos do enredo, mas isto tem mais a ver com o contexto em que as ações acontecem que com a produção em si mesma. Será? Esta não seria um reflexo das outras? Sim, sim... Os freudianos surtam - e quem sabe até se identificam. Estou nesta lista. Filmaço! (WPC>)
Um ótimo suspense. Há de se dizer o motivo, Robert Bloch é o roteirista. Apesar de ter seu romance adaptado em psicose, ele é a mente por trás do roteiro do filme e é a grande chave desse filme. O roteiro nos prende a atenção a todo momento. E Crowford vai muito bem.