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Data de lançamento
23 Fev. 2018Duração
Uma bióloga se junta a uma expedição secreta com outras quatro mulheres em uma região conhecida como Área X, um local isolado da civilização onde as leis da natureza não se aplicam. Lá, ela precisa lidar com uma misteriosa contaminação, um animal mortal e ainda procura por pistas de colegas que desaparecem, incluindo seu marido.
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Que fotografia perfeita.
Uma ficção científica muito bem executada.
Pesquisei sobre o final pra ver se eu tinha entendido o mesmo que as pessoas, mas acho que não, porque não vi ninguém falando isso.
As células se multiplicam quando elas se juntam, então primeiro elas se juntam e em seguida elas se multiplicam. Na cena da porta, eu entendi que ali as duas se juntaram, e depois disso aconteceu de novo a multiplicação. Então, o que existe agora é: a multiplicação (1) que se juntou com a personagem na porta + multiplicação (2) que se criou a partir da junção na porta. A primeira multiplicação (da porta) dá a bomba para a segunda, e por isso ela não repete os movimentos, porque a que deu a bomba já não é mais a personagem. Assim, quando essa multiplicação volta pro mundo normal e se encontra com a cópia do cara, quer dizer que agora eles vão se multiplicar infinitamente, causando a aniquilação humana (nesse ponto o outro mundo já não faz diferença existir ou não, porque as duas criaturas já conseguiram chegar no mundo dos humanos e podem se multiplicar).
11/05/26 (inglês)
Tem Alguns Spoilers...
O mundo é complicado. Um filme ser barrado nos cinemas por ser inteligente demais é o atestado de óbito da coragem dos grandes estúdios. Alex Garland não faz cinema para passar o tempo; ele faz cinema para acabar a nossa realidade. "Aniquilação" humilha quem acha que o público só quer mastigação fácil.
Diferente de qualquer ficção científica de invasão, "Aniquilação" não traz naves espaciais, mas uma infecção cósmica. O Brilho não quer conquistar o mundo; ele quer reconfigura-lo. Quando o grupo de mulheres atravessa aquela redoma, elas não entram apenas em uma zona pré apocaliptica, elas entram numa zona de exclusão, em uma centrífuga biológica onde o tempo derrete o presente, jogando o agora onde a identidade se desfaz. É o "Bruxas de Blair" elevado ao inferno potência biológica.
Entrar no "Brilho" é aceitar que o tempo e o espaço são conceitos mortos. Garland conduz a trama como um experimento de laboratório onde as cobaias são as nossas emoções. O visual é um surrealismo orgânico: efeitos e cenografia se fundem para criar um pesadelo colorido. É lúdico, é vibrante e é selvagem. Você se perde naquela fotografia silenciosa, onde a perda de tempo não é um erro, é uma regra do ecossistema.
A cena do urso mutante é, possivelmente, uma das coisas mais perturbadoras do cinema moderno que eu assisti nos últimos tempos. Não é apenas o visual do monstro impressina, mas o conceito: "a criatura absorveu a garganta e o desespero da vítima". Ouvir o grito de socorro saindo da boca do predador é o ápice do horror humano, saido das traqueias de um animal. Ali, o filme nos mostra que dentro do Brilho, você não morre; você se mistura ao seu assassino. É uma violência poética e visceral que faz o estômago dar voltas.
O elenco feminino é um soco de coragem. Natalie Portman e o grupo mergulham na fé e no susto, mas o que Garland reserva para elas é o ápice do desespero. A cena do urso imitando a voz da garota morta não sai da minha cabeça. É um susto da porra, mas é mais que isso: é a imagem da natureza nos devorando e usando nossos próprios gritos como isca. Ali, a gente entende que o Brilho não quer nos matar, ele quer nos transformar em algo que não reconhecemos mais.
O visual é um surrealismo orgânico. As flores crescendo em forma de seres humanos, os cervos com galhos floridos, o jacaré com dentes de tubarão... Tudo é lindo e, ao mesmo tempo, terrivelmente errado. A morte da amiga de Lena (Natalie Portman), virando um jardim vivo, é uma das cenas mais tristes e belas do filme. É a aceitação de que lutar contra essa selvagem mutação é inútil.
O final é algo nunca antes visto. As árvores de cristais, a areia de vidro e aquele encontro no farol são imagens antológicas. Ver a aniquilação da identidade no vídeo deixado pelo marido (Oscar Isaac) e depois o confronto de espelhos da Natalie é presenciar o nascimento de um clássico. A luta da Lena com a sua cópia é a luta de todos nós contra nossa autodestruição.
Depois a granada de fósforo não queima apenas o alienígena; ela tenta queimar a mudança que já aconteceu. No interrogatório final, quando vemos o brilho nos olhos da Lena e do seu marido, a mensagem é clara: nada que entra no Brilho volta igual. O que voltou para casa não é humano, é uma nova versão de nós. Agora se ela volta melhor, não sabemos. O certo e o errado é dúbio para nós, imagina pra outros seres.
"Aniquilação" é um dos melhores filmes da década. É uma obra que prova que a tecnologia, quando serve à arte (e não ao contrário), pode criar algo eterno. A computação gráfica aqui não é um truque pra te enganar, mas a alma do filme pra você nao esquecer. Garland nos deu uma obra profunda e violenta sobre como a gente se sabota, e como a natureza nos imita.
Nada volta igual do Brilho — nem a Natalie, nem eu e nem você. É cinema cerebral que lava as alma sci-fi para sempre.
acabei de rever e continua incrível. deu vontade de rever o making of tb, depois vou ver se acho...ah é...eu comecei a ler os livros, terminei o primeiro, dei 5 estrelas mas nunca terminei a série. acho q abandonei o segundo e nunca peguei o terceiro...parece q o filme é um condensado dos três livros q são bem finos mas nunca terminei de ler então nunca vou saber. fico com o filme q segue perfeito.