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Data de lançamento
15 Jan. 2010Duração
Após o término da última guerra, há 30 anos, Eli (Denzel Washington), um homem solitário, percorre a América do Norte devastada. Nesse tempo todo, ele carrega consigo um objeto que considera ser a maior esperança para a humanidade e portanto, vive para protegê-lo. Até cruzar o seu caminho Carnegie (Gary Oldman), que sabe exatamente o poder do que Eli guarda e por isso tenta pegar para ele o valioso objeto, custe o que custar.
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Tem Alguns Spoilers...
Mundo destruido, humanidade perdida, fé cega, facão amolado e um livro sagrado.
"O Livro de Eli", nos leva pra um nada, um deserto silencioso, um mundo despedaçado, um abismo onde cada passo de Eli ressoa como uma prece no vazio. Denzel Washington, com um olhar carregado de mistério, interpreta um homem solitário, cujo propósito é mais vasto do que a própria jornada. Ele carrega o último livro sagrado, uma chama de esperança em meio às cinzas, como um ponto de luz nas trevas do apocalipse, onde o mal do mundo na forma de um homens, tenta de forma desesperada tomar pra si o que seria a salvação, para transforma-la em trevas.
Ao lado de Mila Kunis, que brilha com uma força emergente, ele navega por uma paisagem desolada, onde o poder da palavra é a última centelha de humanidade. Cada cena é uma oração silenciosa, cada diálogo, um espelho da fé em tempos de escuridão."
O cenário é um faroeste desbotado, onde a cor sumiu junto com a civilização. Eli caminha sob um sol impiedoso, vivendo de restos e protegendo sua mochila com a rapidez de um samurai. A cena da ponte é um aviso pro resto da civilização, ele não busca o conflito, mas quando o mal se atravessa no seu caminho, o facão de Eli dita a sentença como uma maldição, com uma precisão que beira o sobrenatural. Revelando que ele não é apenas um sobrevivente, mas um guardião.
Do outro lado dessa terra maldita, está Carnegie (Gary Oldman). Um homem que rasteja na carniça do mundo, e como uma hiena se alimenta das vísceras dos fracos; dominando e assassinando quem atrapalha suas vontades. Medo, fome, sede e ignorância, Carnegie, devora as pessoas, come as vidas delas, como um demônio num inferno, faz com os infelizes.
Enquanto Eli usa a palavra para libertar a alma, o vilão quer o livro para dominae e escravizar o povo. É o duelo clássico entre o espírito e o ego, onde somente os sobrenatural atua no invisível, pra pender a balança pro lado merecedor. No meio desse fogo cruzado, surge Solara (Mila Kunis), uma serva escrava de Carnegie, que simboliza o despertar da consciência pro novo. E através dos exemplos de Eli, ela descobre que o mundo pode ser mais do que apenas violência e fome. Ela deixa de ser uma espectadora da própria desgraça pra se tornar a herdeira de um legado que nem mesmo a morte pode apagar.
A jornada de Eli não é apenas uma caminhada; é uma fuga desesperada pelas trevas de sol e poeira. Carnegie o persegue como uma sombra faminta, uma força que quer arrancar o último suspiro dos humano, como a última vela do purgatório. O perigo espreita em cada curva, o medo do atraso e do fracasso, faz que Eli tente desvencilhar-se de Solara para protegê-la, mas o destino quebra os muros da imprevisibilidade. Ele e Solara, caminham juntos, a despeito de Eli.
O filme tem momentos barbaros de ação, com lutas de Eli, que você duvida que assisitiu. O filme explode em cenas coreografadas como num balé de morte, cenas que lembram duelos dos grandes clássicos do Velho Oeste. Mas tambem revalam momentos horripilante, como na casa isolada, onde um casal de aparência inofensiva escondia o vício mais sombrio desse novo mundo: o canibalismo. Ali, o tremor das mãos revela essa nova doença das almas perdidas, a reação fisica de quem se alimenta da própria espécie.
Mas Eli é sobrenatural, mesmo quando ele é brutalmente alvejado, o que vemos não é apenas um homem caindo, mas algo que desafia as leis da vida e da morte. Eli não quer morrer, Eli não dá permissão de tirar sua vida. Ele continua, ele persiste; como se as balas não pudessem deter um propósito ditado pra ele pelo próprio Céu. É essa resiliência quase divina que confunde seus inimigos e guia Solara a salvá-lo, permitindo que a missão alcance o seu destino final nas margens do litoral.
Mas a verdadeira alma da obra se revela no seu ato final, quando o véu cai e descobrimos que Eli atravessou o inferno guiado por uma visão que não vinha dos olhos, mas do espírito. Eli era cego. Ele decorou cada palavra, cada promessa, transformando seu corpo em um templo vivo. Ele era o livro.
O final é triste, mas glorioso, Eli morre para que a palavra viva, provando que, no fim do mundo, o que nos salva não é o que carregamos nas mãos, mas o que guardamos no coração.
"O Livro de Eli" é um clássico moderno que nos ensina que, mesmo na escuridão total, quem tem fé nunca caminha sozinho.
Assisti no cinema, e o susto que eu tomei no final, não como descrever.
Continua bom e segue entre meus favoritos.
Reassistido em
18.04.2026
O filme é uma mistura esquisita de faroeste pós-apocalíptico gospel com uma pitada de "Fahrenheit 451".
Apesar de excêntrica, a trama é mal elaborada. Faltou mais qualidade e detalhismo ao roteiro que acaba dando uma ênfase exagerada ao lado messiânico da história e deixa de lado todo o contexto que levou o mundo àquele caos apocalíptico. Não há qualquer preocupação também dar alguma satisfação sobre o passado do protagonista e seu fanatismo religioso.
Se o enredo deixa a desejar, pelo menos na parte técnica o resultado é melhor. A fotografia e estética das cenas se destacam por criar uma atmosfera desoladora de forma bastante realista. Outro ponto que chamou a atenção foi a qualidade das cenas de lutas que são bem coreografadas e com nível de brutalidade acima do esperado.
Denzel Washington tem uma atuação mais discreta e apagada, talvez até para se adequar ao perfil perturbado do personagem, mas consegue despistar bem sua condição de cego ao longo do filme.
No final um detalhe interessante é que ao mesmo tempo em que faz um proselitismo religioso descarado fazendo parecer que a salvação da humanidade dependeria da crença na mitologia cristã, o filme também traz uma crítica alertando sobre como supostos "livros sagrados" podem ser usados para manipular mentes fracas.
Curiosidades: As mãos dos canibais tremem porque eles sofrem da doença de Kuru causada pelo consumo de cérebros ou medulas espinhais humanas. O primeiro sintoma é o tremor nos membros, e é por isso que as pessoas examinam as mãos de Eli ao longo do filme.
Na Bíblia, existe uma pessoa chamada Eli. Ele é um sacerdote devoto que assim como o personagem principal do filme não nasce cego, mas fica cego mais tarde na vida.
Ao longo do filme, é dito que a Bíblia de Eli é a única que restou. Depois que a Bíblia recém-impressa é colocada na prateleira, ao lado dela, há um livro com um título em hebraico escrito "Tanach". Tanach é a Bíblia Hebraica, o Antigo Testamento da versão do Rei Jaime, o que significa que parte de uma Bíblia já havia sido encontrada, mas provavelmente ninguém sabia como lê-la.
O título do filme parece sugerir que, como os livros da Bíblia, este é o livro sobre Eli. Mas no final é revelado que Eli é o próprio livro.
Belíssima história e Denzel mais uma vez não só interpretando mas vivendo o personagem, numa época em que pessoas se dizem atéias pela modinha de ideologias furadas, um filme que trás uma discussão inteligente sobre não apenas a importancia de uma palavra, mas sobre homes de carater, nã adianta tentar livrar o mundo de uma verdade se o que você oferece em seu lugar é ateísmo vazio e sem inteligência de ser. Filme necessaríssimo nos tempos que vivemos...
Pós-apocalipse, Bíblia, Denzel Washington com cara de quem já matou três caras antes do café.
O filme tem uma vibe meio Mad Max religioso, com fotografia seca e um ritmo lento.
Não é bom, mas também não chega ser horrível como dizem.