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Provido de uma câmera, o jovem Dario captura os eventos que mudarão para sempre o destino de sua família. Guido, seu pai, vem de uma família de intelectuais que criticaram o seu casamento com Serena, filha de uma próspera família de empresários. O sonho de Guido é se tornar um artista consagrado, enquanto Serena parece só se preocupar com a felicidade da família. É então que a mente aberta de uma outra mulher, Helke, irá para mudar suas vidas para sempre.
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Um filme mediano que começa bem cansativo com uma personagem feminina controladora, e vai crescendo (o filme e a personagem) terminando de forma agradável. Nota 6,5. 2*
“Sem dúvida, aqueles eram anos felizes, pena que nenhum de nós sabia. “
Daniele Luchetti concebe um filme que discute questões bastante pertinentes e contemporâneas. “Anos Felizes” mostra através do olhar ingênuo de um dos filhos do casal toda a dinâmica de um relacionamento entre um homem e uma mulher nos anos 70. E não só isso. Ele, um artista, que tem inúmeros casos extraconjugais. Ela, uma mulher que se dedica aos filhos e ao marido, e extremamente ciumenta. Na realidade, Guido é um homem como tanto outros (ousaria dizer a maioria): quer tudo pra si e pouco, ou quase nada, ou nada para sua esposa. É egocêntrico, mimado, manipulador. Serena é extremamente submissa e manipulada por ele. Até que o filme entre em rota de colisão. Serena descobre o feminismo e a possibilidade de libertação desse relacionamento abusivo. Mas não será nada fácil. Visto que ela precisa se encontrar como pessoa, além dos papéis de mãe, esposa, dona de casa. É uma jornada interessante. Que mostra toda a força escondida daquela mulher e toda a fraqueza daquele homem megalomaníaco. É uma discussão muito pertinente nesse tempo em que a quase totalidade dos homens não sabe como lidar com essa mulher contemporânea. Afinal, a socialização desses garotos ainda é extremamente machista e o resultado é esse que estamos vendo ai. Muitos desencontros e pouquíssimos encontros. E nem falo aqui do amor romântico, mas daquela capacidade que todos carregamos dentro de si de poder se encarar e encarar os outros de frente. Falo da urgente necessidade de resgatarmos nossa potência amorosa e criativa. Resgatar um olhar ingênuo para as coisas e pessoas, como o de uma criança. É desse olhar que o filme nos fala. Dessa capacidade de buscar beleza no caos. Sim. Enquanto subia os letreiros, fiquei pensando num trecho do livro “Água Viva” da Clarice Lispector:
"Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me."
Durante o filme, era como se ele estivesse a me decepcionar... Mas, ao término, quando o título é mais que justificado, nossa, que fofo! Gosto muito do Kim Rossi Stuart, mas, aqui, ele não está bom, ao contrário de Micaela Ramazzotti, maravilhosa! As situações românticas são lindas, bem como o tom confessional e autobiográfico da narrativa. Porém, a sua aberrante ingenuidade (contagiada a partir do personagem principal, que o roteiro defende de maneira mui capciosa) prejudica o resultado geral! (WPC>)
Para mim narra o processo de descoberta dos personagens. Também fiquei com aquela impressão de que os anos, que na época em que são vivenciados parecem tristes, são na verdade ANOS FELIZES, pois retratam a época da nossa infância, com toda a inocência, mas também com toda a carga dramática que qualquer transformação gera.
Nossa, o filme está classificado como "Ficção Científica"... hahaha
Para quem quer ver, o estilo é "drama".
Bem no começo, eu não gostei, porque me deu a impressão de que seria mais um filme em que a esposa chata (Serena) ficaria o tempo todo tentando controlar e sufocar o marido (Guido) com cobranças de amor e atenção e que o drama geraria em torno dessa questão. Mas depois o filme foi me cativando, porque a perspectiva da Serena e a postura do Guido mudam.
Um belo filme, narrado pelo filho mais velho. As cenas filmadas por ele, com a tão sonhada câmera presenteada pela avó, deram um toque especial à obra (esse fato me faz pensar que o filme contém muitos elementos autobiográficos do diretor).