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Data de lançamento
27 Julho 2023Duração
Desde a morte do seu marido, Sophie luta para administrar a dor da perda, um emprego em tempo integral e cuidar de sua filha devastada, mas quando um ex-físico revela uma máquina secreta de dobrar o tempo, Sophie se depara com uma dificil escolha.
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Produção modesta, mas filme intrigante, mescla bem drama com ficção científica , e mistério e Judy Greer em ótima performance.
Creio que muitas vezes as pessoas assistem a um filme como esse esperando encontrar um "Tenet" da vida, cheio de explosões, efeitos mirabolantes e coisas assim. E nessa, acabam esquecendo de olhar para o cerne da história o dilema ético que envolve a protagonista.
Sim, "Aporia" é um filme lento. E daí? Largue a correria dos blockbusters hollywoodianos, por favor. Sério mesmo.
Como grande fã do pai da ficção científica, Isaac Asimov, já tendo lido todos os contos e livros deles, tenho certeza de uma coisa: a ficção científica não é sobre explosões, é sobre pensar para além do óbvio do que vivemos em nosso presente. Como o próprio Asimov escreve no prefácio das antologias "Histórias de Robôs", "não é sobre o futuro distante, é sobre um presente palpável". E nesse ponto o filme me puxou sim para pensar em várias questões.
Por exemplo, nestes 36 anos de vida algo que sempre fui convicto é de que não quero ser pai. Isso veio desde a adolescência, quando comecei a amadurecer uma ideia; nós, todos nós, somos peças no grande quebra-cabeça da vida, peças que se encaixam e influem na vida de outras centenas de peças que farão o mesmo com outras centenas e daí por diante. Nesse sentido, para mim, ter um filho é colocar uma peça muito, muito delicada no quebra-cabeça da vida, peça essa que você não sabe o que acarretará e quais impactos gerará.
"Aporia" me surpreendeu pessoalmente ao trazer esse conceito, meio clichê, sim, mas desse modo mais dramático. Você mexe em um peça que parece individual, em um bolha familiar, aparentemente limitada, sem notar que na verdade está mexendo com tudo. É assustador e fascinante ao mesmo tempo - e algo que, na minha opinião fecal, a maioria das pessoas não para refletir sobre.
Quem mergulha na ficção científica sabe que há um grande dilema que é: se tivéssemos uma máquina do tempo, voltássemos e matássemos os pais de Hitler antes que ele nascesse, evitaríamos o horror? Ou será que essa peça arrancada desencadearia algo pior? E trazendo para os meus pensamentos sobre maternidade/paternidade, o nascimento dessa peça, no início inocente e "apenas mais uma peça infante", desencadeou horrores que têm consequências até hoje. Você mataria aquele bebê? E nesses tempos de Congresso Nacional discutindo criminalizar aborto e equiparar a homicídio, que "peça" uma menina que é obrigada a ter um filho encaixará no quebra-cabeça da vida? Quais consequências sociais essa "peça" rejeitada trará? Percebe o dilema e os níveis de profundidade que "Aporia" me fez ir?
Essa é a força da ficção científica.
Não, não é o melhor filme de ficção do planeta, concordo. Mas dizer que é "uma porcaria" é típico de alguém que pensa que o bom cinema de ficção científica é sinônimo apenas de explosões, ação e efeitos grandiosos, como "Interestelar" e "Ad Astra", ambos amados por mim.
"Aporia" é sutil, mas é nessa sutileza mundana e banal que ele se torna perturbador porque é palpável. O final, então, é maravilhoso. É um grandiosíssimo "f*da-se, a vida seguiu". Simples assim.
Queria que esse filme fosse dirigido pelo Nolan, uma brincadeira de mexer em coisas do passado trazendo consequências para o presente. Embora careça de uma explicação melhor e cheio de furos no roteiro, o filme mantém o interesse para saber até onde irão as consequências, e o que é melhor,esse interesse é mantido mesmo após o término da sessão.
O filme não é ruim, embora o tema seja batido. É lento também. Mas traz una reflexão de como nossos atos têm consequências sobre a vida. Não gosto de final aberto.
Vontade de usar a máquina pra voltar no tempo e.... enfim.