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Data de lançamento
5 Out. 1949Duração
Prepare-se para um passeio frenético a bordo da carroça de J. T. Sapo, com seus encantadores amigos Verruga, Rato e MacBadger. E depois conheça a emocionante trama do esguio Ichabod, que, para conquistar a bela Katrina, terá que disputa-la com Brom Bones, o malfeitor da cidade.
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Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #11
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“Rat: ‘You’ve got to give up that horse and cart.’ Mr. Toad: ‘Give up my… Oh, but my dear Ratty, this is my career!’”
O último filme-pacote retoma a ideia que mais deu certo, creio eu, de todos os seis desse período: assim como em Fun and fancy free, de 1947, esse longa de 49 reúne duas animações mais robustas, mesmo que fracamente conectadas por um narrador em uma biblioteca. Se na produção de 1947 temos uma história meia-boca do Bongo e uma mais interessante do pé de feijão, nesse de 49 temos incursões bem mais estruturadas.
<The legend of Sleepy Hollow, que chegou a ser concebida como um longa independente, é… estranha, com personagens curiosas, para dizer o mínimo, e com um final nada convencional. É, na minha opinião, mais fraca que Mickey e o pé de feijão, porém definitivamente superior a Bongo. O outro segmento é The wind in the willows, e é aqui que o filme tem seu destaque. Nessa aventura de Mr. Toad, temos uma diversão de mistério e investigação com ares de Sherlock Holmes, reforçada pela narração de Basil Rathbone e que seria explorada com qualidade ainda maior e mais diretamente em The Great Mouse Detective, de 1986. A ambientação britânica muito me agrada, a condução da história é mais sóbria e o alicerce narrativo, bem mais vigoroso. É um curta divertido, especial e que tem o tempero que falta em diversos outros desses filmes-pacotes.
E é assim que eu fecho essa revisita da Segunda Era da Disney. Com toda a certeza são longas por vezes monótonos, mas que valem a pena e podem surpreender, seja pela carga histórica e política, pelos segmentos controversas que o estúdio parece se envergonhar – Make mine music nem no Disney+ está –, ou, talvez, simplesmente para conhecer e apreciar os rumos que a animação foi traçando no decorrer desses anos todos.
Com esse longa dividido em duas histórias, a Disney estava apontando para o fim das intermináveis sequências musicais irregulares qeu tiveram durante o tempo da crise do estúdio no périodo da guerra, era um bom sinal que voltaria para os longas únicos, baseados em histórias consistentes, literárias e fabulescas. Aqui temos duas narrativas medianas, mas não tão bem desenvolvidas como o que já tinha tido com outros títulos como Branca de Neve, Pinóquio, Bambi, Dumbo e o que configuraria o próximo grande sucesso do estúdio: Cinderela. É um filme menor, curioso e que aponta para um futuro promissor, é um elo de transição, que só a história vista de um ponto de vista futuro é capaz de vislumbrar.
“As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo” encerra a fase dos filmes de compilação da Disney com uma abordagem mais estruturada e envolvente do que seus antecessores. Em vez de uma colagem de curtas desconexos, o longa se concentra em duas adaptações literárias: “O Vento nos Salgueiros”, de Kenneth Grahame, e “A Lenda de Sleepy Hollow”, de Washington Irving. Essa decisão já confere uma sensação de unidade maior, e, embora o filme não seja uma obra-prima, há uma solidez narrativa e estética que o torna um dos projetos mais satisfatórios desse período. Com uma primeira metade leve e cômica e uma segunda marcada pelo suspense, a animação equilibra bem seus tons distintos, oferecendo um entretenimento mais coeso do que outros longas da Package Era.
O segmento do Sr. Sapo é uma comédia ágil e cheia de energia, acompanhando as desventuras do aristocrata impulsivo e sua obsessão por novas aventuras. Narrada por Basil Rathbone, a história se desenrola como uma série de confusões que culminam em um julgamento e uma fuga da prisão, com cenas dinâmicas e uma animação vibrante. No entanto, apesar do humor eficiente e do carisma do protagonista, a trama em si não deixa um impacto duradouro. O vilão Sr. Winkie é genérico e pouco memorável, e a conclusão, embora divertida, é previsível. Ainda assim, a movimentação fluida dos personagens e o ritmo acelerado garantem um entretenimento satisfatório.
Já a segunda metade do filme, dedicada a Ichabod Crane, aposta em uma construção atmosférica bem diferente. Narrada por Bing Crosby, a história combina um humor irônico com uma crescente sensação de mistério, tornando Ichabod um protagonista ambíguo, cujas intenções podem ser mais oportunistas do que heroicas. O ápice do segmento, no entanto, é a icônica sequência do Cavaleiro Sem Cabeça, um dos momentos mais assustadores já produzidos pela Disney. Com um uso magistral de iluminação, montagem e trilha sonora, a cena equilibra humor e horror de forma brilhante, culminando em um desfecho ambíguo que reforça a aura sombria da lenda.
No geral, o filme se destaca como a melhor produção da Package Era, graças à sua estrutura mais coesa e personagens marcantes. A animação impressiona pela expressividade dos designs e pela fluidez da movimentação, e a trilha sonora adiciona camadas à experiência, especialmente com “The Headless Horseman Song”, que captura o espírito de Halloween do segmento final. Ainda que a história do Sapo tenha momentos arrastados e um clímax pouco impactante, e que Sleepy Hollow pudesse desenvolver um pouco mais sua trama antes do terror final, esses problemas não comprometem o resultado. Dentro de uma fase de desafios para a Disney, “As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo” prova que o estúdio ainda sabia contar boas histórias, mesmo com recursos limitados.
Só encontrei a animação do Ichabod no YouTube, não posso opinar sobre o Sr Sapo. Só se eu encontrar.
Pois bem, é simpático, engraçadinho, com movimentação, mas não é um dos melhores da Disney.
Nostálgico. 18/10/2022 , porém comecei a assistir em setembro de 2024.