Felipe
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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe
    1 semana atrás

    “O Diabo Veste Prada 2” retorna ao universo do clássico original trocando parte do glamour fantasioso por uma visão mais amarga sobre o desgaste da indústria editorial. O filme entende que o mundo da moda e das revistas mudou profundamente nas últimas décadas, usando redações esvaziadas, demissões em massa e conglomerados corporativos sem identidade como pano de fundo para discutir decadência profissional e perda de relevância cultural. Existe uma melancolia constante na maneira como a narrativa observa personagens tentando preservar elegância e sofisticação enquanto tudo ao redor parece lentamente ruir. Mais do que um simples reencontro nostálgico, a continuação tenta confrontar o que restou daquele universo quase vinte anos depois, ainda que nem sempre consiga sustentar plenamente o peso dessa abordagem mais crítica.

    Anne Hathaway retorna como Andy Sachs em um momento muito diferente de sua vida, agora marcada pelo desgaste e pela desilusão de um mercado cada vez mais desumanizado. O filme acerta ao abandonar a ingenuidade da personagem e transformá-la em alguém endurecida pelas lógicas corporativas que esvaziam identidade editorial em nome de números e “conteúdo”. Sempre que a narrativa se aproxima dessa discussão sobre o colapso do jornalismo tradicional, encontra seus momentos mais interessantes. O problema é que o roteiro frequentemente recua dessa dureza para apostar em autorreferências e fan service, acumulando subtramas corporativas e conflitos pouco aprofundados. Ainda assim, a química entre Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci continua extremamente eficiente, especialmente nas cenas em que os personagens simplesmente conversam, trocam ironias ou deixam antigos ressentimentos emergirem de forma mais natural.

    Meryl Streep continua sendo o centro gravitacional da franquia, mas sua Miranda Priestly surge agora atravessada por algo novo: a sensação de deslocamento. O controle absoluto e a autoridade intimidadora permanecem, mas acompanhados por um cansaço silencioso diante de um mercado que já não funciona segundo as regras que ela ajudou a consolidar. O filme explora melhor essa tristeza contida de Miranda do que qualquer trama romântica ou conflito empresarial paralelo. Stanley Tucci também se destaca ao devolver humanidade e calor a Nigel, transformando-o talvez na presença mais emocionalmente sincera do longa. Já a direção de David Frankel e o roteiro de Aline Brosh McKenna demonstram certa indecisão sobre qual caminho seguir, oscilando entre uma reflexão sobre envelhecimento institucional e uma continuação construída para provocar reconhecimento imediato da plateia.

    Essa irregularidade aparece também na estrutura narrativa e na própria estética do filme. Diferente do original, que possuía uma progressão dramática muito clara, “O Diabo Veste Prada 2” avança de forma episódica, alternando cenas divertidas e diálogos afiados com conflitos que raramente encontram desenvolvimento consistente. A direção perde parte da elegância visual que marcou o primeiro longa, e até os figurinos oscilam entre o refinamento marcante de Miranda e escolhas excessivamente calculadas para transmitir autoridade. O desfecho evidencia ainda mais essa hesitação ao optar por uma resolução confortável e simplista para problemas que o próprio filme constrói de forma amarga. Mesmo assim, a continuação encontra valor ao observar personagens envelhecendo junto das estruturas que um dia pareciam inabaláveis. Talvez não alcance a precisão narrativa nem o impacto cultural do original, mas consegue capturar algo bastante contemporâneo: a tentativa de manter a aparência impecável enquanto tudo ao redor lentamente perde sustentação.

  • Felipe
    2 semanas atrás

    “This Is It” se estabelece não como o registro de um espetáculo concluído, mas como um documento de processo, capturando ensaios que revelam um show em construção que jamais chegou a existir plenamente. Ao acompanhar os preparativos realizados nos meses que antecederiam a série de apresentações finais de Michael Jackson, o filme ocupa esse espaço intermediário entre o que estava prestes a acontecer e o que foi interrompido, transformando sua própria incompletude em elemento central. Em vez de oferecer uma narrativa biográfica tradicional, a obra opta por um fluxo contínuo de preparação, no qual música, dança e direção se articulam em tempo quase real, permitindo que o espectador observe diretamente a engrenagem criativa sem mediações explicativas.

    Nesse contexto, emerge um retrato de Michael Jackson que se afasta da figura mítica e se aproxima de um artista profundamente envolvido em cada detalhe de sua criação. Sua presença é marcada por precisão técnica e uma postura colaborativa, guiando músicos, dançarinos e equipe com clareza e sensibilidade. O filme evidencia seu papel como autor completo do espetáculo, alguém que compreende a performance como uma experiência total, onde som, imagem e movimento precisam funcionar em perfeita harmonia. Ao mesmo tempo, há uma tensão inevitável entre a vitalidade que se vê em cena e o conhecimento posterior de sua morte, o que acrescenta fragilidade àquilo que inicialmente parece apenas domínio e controle.

    A dimensão do espetáculo em construção também impressiona. Mesmo em estágio de ensaio, é possível perceber a ambição de integrar diferentes linguagens, com uso de projeções cinematográficas, efeitos visuais e coreografias elaboradas que ampliariam os limites da performance ao vivo. Sequências que inserem Michael em universos imagéticos mais amplos revelam uma concepção cênica que ultrapassa o formato tradicional de show musical. Ainda assim, o que mais marca o filme é a atmosfera de colaboração entre o artista e sua equipe, um ambiente de trabalho que contrasta com a ideia de distanciamento frequentemente associada a produções dessa escala e reforça a noção de criação coletiva orientada por uma visão central.

    Revisitado hoje, “This Is It” carrega o peso de uma promessa interrompida, mas não se sustenta apenas pela ausência do que não aconteceu. Sua força está na evidência do que já existia em formação, na clareza de um projeto que se mostrava viável e cuidadosamente elaborado. O filme acaba se tornando menos uma despedida e mais um registro involuntário de um processo interrompido, revelando um artista em pleno exercício de sua arte enquanto projeta, sem saber, a própria ausência. Essa sobreposição entre presença e perda transforma a experiência em algo profundamente comovente, fazendo com que o impacto do filme permaneça muito além de seu tempo de duração.

  • Felipe
    2 semanas atrás

    “Casamento Sangrento: A Viúva” amplia de forma significativa a proposta do original ao transformar um jogo doméstico de sobrevivência em um sistema muito mais amplo e institucionalizado, no qual a violência deixa de ser um ritual isolado para se tornar mecanismo de poder entre elites. A narrativa retoma imediatamente após os eventos anteriores, recolocando Grace (Samara Weaving) no centro de uma engrenagem que se recusa a deixá-la escapar, agora revelada como parte de uma rede maior que opera sob regras próprias. Essa expansão redefine a experiência, substituindo a tensão claustrofóbica por um espetáculo mais caótico e ambicioso, ao mesmo tempo em que exige constantes explicações para sustentar sua mitologia, criando uma estrutura mais carregada e menos precisa.

    Essa mudança de escala impacta diretamente o ritmo e a construção dramática. O que antes funcionava como uma progressão linear e crescente de tensão dá lugar a uma narrativa fragmentada, repleta de novos cenários, personagens e confrontos. Há uma energia constante, um fluxo quase ininterrupto de ação, mas essa abundância acaba diluindo o impacto emocional, tornando a sobrevivência mais mecânica do que angustiante. Ainda assim, o filme encontra um ponto de equilíbrio na presença de Samara Weaving, que retorna com uma Grace mais exausta, mas igualmente resistente, sustentando o eixo emocional mesmo quando a narrativa ameaça se dispersar. A introdução de Faith (Kathryn Newton) tenta ampliar essa dimensão, mas a relação entre as duas carece de desenvolvimento suficiente para alcançar o peso dramático pretendido.

    O elenco de apoio contribui para o tom exagerado com performances que transitam entre o cômico e o inquietante. Shawn Hatosy se destaca ao construir um antagonista que evolui de figura caricata para presença mais ameaçadora, enquanto nomes como Sarah Michelle Gellar e Elijah Wood reforçam o caráter satírico do universo, funcionando como representações de uma elite distorcida. A encenação da violência mantém o espírito irreverente da franquia, com sequências inventivas e excessivas, mas em alguns momentos ultrapassa o limite do equilíbrio tonal, especialmente quando o prolongamento da brutalidade cria um desconforto que não dialoga plenamente com o tom lúdico da proposta.

    Apesar dessas oscilações, o filme mantém sua funcionalidade ao assumir com clareza o tipo de experiência que deseja oferecer. A crítica às estruturas de poder se torna mais direta e explícita, transformando o jogo em uma metáfora sobre elites que perpetuam sua posição por meio de regras próprias e violência institucionalizada. Ao abraçar o absurdo como ferramenta de desmontagem desse sistema, a narrativa encontra seus momentos mais eficazes. No fim, “Casamento Sangrento: A Viúva” troca a precisão do original por escala e excesso, nem sempre com resultados consistentes, mas sustentando-se como uma continuação energética, caótica e, em seus melhores momentos, genuinamente divertida.

  • Rodrigo Santos 1 ano atrás

    Oi Felipe, tudo bem?
    Poderia me dizer onde conseguir assistir a alguns dos curtas pré-selecionados ao Oscar deste ano, como Dovecote, The Compatriot, Edge of Space etc?
    Obrigado! :)

  • Filmow 9 anos atrás

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • maíni brito 10 anos atrás

    Poxa, obrigada pela recomendação :D vou dar uma olhada então, hehe. Aliás, vi que "The Book Of Life" (Festa No Céu) está na sua lista de " Quero Ver", e já adianto que é maravilhoso!! A ideia de vida e morte chega até a ser indolor de tão lindo e fácil de lidar que fizeram parecer. Amo o filme e recomendo forte pra quando tiver um tempo, Hahah.