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Simon Grim (James Urbaniak) é um lixeiro que tem fama de ser retardado mental. Ele vive com sua mãe Mary (Maria Porter) e a irmã Fay (Parker Posey), uma ninfomaníaca. Um dia surge em sua vida Henry Fool (Thomas Jay Ryan), que o incentiva a escrever suas idéias. Fool não tem emprego e está escrevendo suas confissões, as quais diz que irão revolucionar o planeta. Simon escreve polêmicos poemas, que são aclamados por alguns e considerados pornográficos por outros. Já instalado na casa dos Grim, Henry serve de mentor para Simon, ajudando-o também a divulgar o trabalho do pupilo.
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Filmaço!
Não sabia da existência dessa trilogia até comentar Fay Grim por aqui e ler os comentários. Dessa forma, fui atrás desse primeiro filme e demorei um pouquinho para o encontrar. Enfim....
Narrativa pouco convencional da vida de uma família desajustada da classe trabalhadora estadunidense que nitidamente é permeada pela incultura e alcoolismo inerente, contudo não necessariamente ignorante.
É também marcada pela aleatoriedade de eventos, tais como a chegada não muito explicada e inusitada do protagonista que nomeia a obra: Henry Fool.
Henry é um personagem ainda mais desajustado que os demais, claramente não adequado a se encaixar em qualquer da engrenagens do sistema: desempregado convicto , alcoólatra e tabagista inveterado, persuasor que impõe sua própria vontade a estranhos por meio de uma verborragia aparentemente sedutora.
Nessas, ele suspostamente teria uma magnum opus a ser publicada a qualquer momento e convence Simon a começar a escrever, esse logo se descobre como um infame poeta a la Bukowski em sua versão extrema.
O filme é divertido, caso o espectador o assista sem filtros, especialmente os que nós carregamos hoje em nossa sociedade anos 2020.
É pertinente mencionar que temas sensíveis são trabalhados de forma jocosa, tais como pedofilia e estupro. A proposta da narrativa não convencional citada acima é justamente essa. Contudo, hoje pode ser visto como uma alegoria apologética, mas foi um cuidado que não existia nos anos 90, vale lembrar. O diretor claramente deturpa esses fatos para trabalhar a sua inversão narrativa; certas cenas sequer fariam sentido existirem se não fosse essa intenção.
Outro detalhe que não poderia deixar de comentar é o choque que me causou durante a conversa entre os editores (chefiados por Angus James), os quais vislumbram um futuro cibernético, o qual as pessoas se informariam e leriam livros utilizando seus computadores pessoais. Gente, isso é muito vanguardista em 1997, ano esse o qual a internet era discada, o Orkut ainda sequer tinha sido lançado e o jornalismo digital era algo embrionário e extremamente tosco. Ninguém olhava para isso ainda, foi quase uma viagem no tempo!
Bom filme.
Convém conferir *__*
Não é o melhor do Hartley pra mim mas adoro essas reviravoltas e nós que ele dá nesses personagens tão miseravelmente interessantes.
Finalmente revisto. Segue trilogia HF
Vi esse na 'Mostra Rio' que virou festival do Rio, tem aquela 'aura' underground, mas nada demais