Nesta delicada e tensa trama de Yasujiro Ozu, a relação entre Setsuko e Mariko, as irmãs Munekata, é explorada de forma sutil, porém extremamente intensa. Ambas lidam com um momento de reencontro: uma potencial relação amorosa deixada no passado, na vida de Setsuko, é trazida à tona de novo. Mariko se engaja para que este reencontro de fato aconteça, e é justamente através de um terceiro - esse homem que retorna - que os laços entre as duas vão manifestar todas as suas intrincadas implicações.
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Ozu retrata a vida de duas irmãs distintas, a mais velha mais ligada as tradições e a mais nova rebelde, fuma, bebe e não tem papas na língua, elas recebem a noticia que seu pai está morrendo e passam a conviver mais perto no dia a dia, Setsuko leva uma vida infeliz, é casada com um marido sem emprego, bêbado e agressivo, ela mal consegue sustentar a casa e seu bar está quase fechando, mas a chegada de um antigo amor pode mudar tudo, Mariko então começa a visitar Hiroshi e tenta reaproximá-lo de sua irmã, mesmo Mariko sendo moderna e descolada ela também percebe que sua vida tem problemas e sua vida não chegar a lugar nenhum, é esse contraste de estilo de vida e gerações que diretor gosta de trabalhar e trabalha muito bem, mais uma excelente atuação da Hideko Takamine.
Outro conflito familiar muito bem dirigido por Ozu.A vida das duas irmãs toma vários rumos e a cada novo diálogo temos cenas poderosas no drama.Outra ótima parceria entre Ozu e seu roteirista preferido,Kôgo Noda.Outro filme primordial da carreira de ambos.
>Maratona Yasujiro Ozu - Assistido em 22 de Novembro de 2023
"Por tanto, às nove da noite enfio no videocassete a fita de um filme de Ozu, As Irmãs Munekata. É meu segundo Ozu do mês. Por quê? Porque Ozu é gênio que me salva dos destinos biológicos. Tudo nasceu no dia em que contei a Angelè, a pequena bibliotecária, que eu gostava dos primeiros filmes de Wim Wenders, e ela me disse: ah, você viu Tokyo-Ga? Pois, quando viu Tokyo-Ga, um extraordinário documentário dedicado a Ozu, evidentemente se tem vontade de descobrir Ozu. Por tanto, descobri Ozu, e, pela primeira vez na vida, a Arte cinematográfica me fez rir e chorar como um verdadeiro divertimento." (BARBERY, 2008, P. 105).
"The Munekata Sisters" (As Irmãs Munekata), de Yasujiro Ozu, é um filme que traz muitas novidades. Apesar de não ser uma obra que tenha tido maior destaque na filmografia do cineasta, percebe-se aqui algumas abordagens extremamente relevantes, que ultrapassam as relações familiares e as situações mais amenas e rotineiras. Neste longa, Ozu nos conduz por terrenos mais acidentados e espinhosos, não tão poéticos ou líricos.
Primeiro, ao retratar as diferenças entre as irmãs Setsuko (Kinuyo Tanaka) e Mariko (Hideko Takamine). A mais velha, Setsuko, bastante ligada às tradições japonesas e Mariko, mais moderna e afeita aos padrões culturais ocidentais. Ozu destaca os exageros de ambas, e como essas visões podem atrapalhar seus destinos.
Setsuko mantém-se num casamento sem amor, com um marido alcóolatra e agressivo, que é sustentado por ela, mas nega-se a oportunidade de ser feliz, mesmo quando o destino lhe dá uma chance. Mariko, a defensora da modernidade, fuma, bebe e vive toda a sua liberdade, até descobrir que esse caminho pode não levá-la a lugar algum. As duas personagens, sob a condução hábil de Ozu, irão amadurecer e passar por mudanças, mostrando-nos que não há certo ou errado, apenas seres humanos que seguem suas opções diante da vida.
Neste filme, Ozu expande os horizontes internos da trama, não se atendo somente ao universo familiar. Parece querer mostrar que o mundo é maior, que há mais para ser visto e vivido. O enredo transita por diferentes ambientes, como a casa onde Setsuko mora com o marido e a irmã, o bar que pertence a Setsuko, a loja de móveis de Hiroshi (Ken Uehara), a casa da Sra. Yoriko (Sanae Takasugi), a casa do pai das irmãs (Chishu Ryu) e as locações externas, como ruas, praças e templos. Como imagem final, as irmãs se
reencontram e, juntas, apreciam as montanhas de Kyoto com sua linda coloração arroxeada - descrita por Setsuko - significando, talvez, novos caminhos e esperanças no futuro.
Toda a filmografia de Ozu impressiona, e nos deixa sempre uma mensagem diferente.
Visto em 15.10.2020.