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Sinopse
Agente do FBI força namorado de moça seqüestrada a acompanhá-lo na perseguição a um assassino perigoso, através de uma região selvagem de florestas e despenhadeiros, onde tem dificuldades de se orientar e agir, e que só o rapaz conhece.
Atirando para Matar / Shoot to Kill (1988) Título ao pé da letra: "Atire para Matar".
Direção: Roger Spottiswoode. Elenco: Sidney Poitier, Tom Berenger, Kirstie Alley, Andrew Robinson, Clancy Brown, Richard Masur, Kevin Scannell, Frederick Coffin, Michael MacRae, Robert Lesser
Após um astuto e cruel criminoso realizar um assalto a uma joalheria em São Francisco e fugir em direção às montanhas escarpadas do Noroeste Pacífico, o obstinado agente do FBI Warren Stantin (Sidney Poitier) vai em sua perseguição. O assassino infiltra-se como um turista comum em um grupo de montanhistas guiados por Sarah Rennell (Kirstie Alley). Para alcançar o bando e resgatar a jovem antes que o psicopata revele a sua identidade e elimine os reféns, Stantin é forçado a recrutar Jonathan Knox (Tom Berenger), um guia de montanha rústico, solitário e de métodos brutais. Os dois homens, de mundos completamente diferentes, tem que superar as suas desconfianças mútuas para sobreviver aos perigos da natureza hostil e capturar o perigoso fugitivo.
Curiosidades: Este longa quebrou o afastamento voluntário de Sidney Poitier da atuação, que já durava desde A Letra Escarlate (1977). O ator passou os anos anteriores focando-se na direção de comédias, mas foi atraído de volta às telas pelo roteiro ágil e pelo desafio físico da produção. A famosa cena em que os protagonistas cruzam um desfiladeiro utilizando uma tirolesa improvisada foi filmada com os próprios atores principais suspensos a alturas reais impressionantes nas montanhas da Colúmbia Britânica, no Canadá, reduzindo o uso de dublês ao mínimo necessário. A estrutura do roteiro na primeira metade do filme utilizou de forma inteligente o mistério sobre a identidade do assassino. Como o grupo de montanhistas continha vários atores conhecidos por papéis ambíguos (como Andrew Robinson, Clancy Brown e Richard Masur), o espectador foi mantido em suspense constante até a revelação. No Reino Unido e em outros mercados europeus, o filme foi lançado sob o título alternativo de Deadly Pursuit (Perseguição Mortal), mantendo o excelente apelo de bilheteria que a obra conquistou nos Estados Unidos.
Eu conhecia o Sidney Poitier como quem conhece um mito por manchete. Sabia da lenda, da importância, do Oscar. Mas da filmografia mesmo? Só uns pingos. Lembro bem de No Calor da Noite — aquele em que ele leva um tapa e devolve com juros e correção histórica. Uma cena que, pra mim, foi quase um ato de fé. Aquele tapa ecoa até hoje, talvez porque ele não estava só enfrentando um personagem: estava dando na cara de uma era. Mas em Shoot to Kill (1988), nada de tapas emblemáticos ou discursos inflamados. Aqui é mira, montanha e munição. Sidney vira Warren Stantin, um detetive da cidade grande que troca o terno por uma jaqueta de escalada pra caçar um assassino frio, escondido nas florestas geladas perto da fronteira canadense.
O filme tem o cheiro inconfundível de pipoca de sessão da tarde: cenas de ação bem coreografadas, ritmo afiado e uma dupla que tenta ser memorável pelo contraste — mas não chega ao patamar das grandes duplas que a gente quer rever no próximo filme. É quase um filme do Shane Black… sem Shane Black. A estrutura é simples: um peixe fora d’água, em águas congeladas. Ou melhor: um detetive sofisticado tropeçando na lama e caindo na neve. O filme brinca com esse contraste: o homem da cidade (e do raciocínio rápido) emparelhado com o homem do campo. Sempre é divertido ver opostos forçados a colaborar, mas aqui falta a faísca emocional — aquele diálogo no meio da tempestade que transforma estranhos em quase irmãos.
Stantin, o personagem de Poitier, é todo método e metrópole. Já o guia Jonathan Knox é bota de couro e silêncio das montanhas. Quando a namorada de Knox é sequestrada, o improvável acontece: detetive e caipira se amarram (às vezes literalmente) pra cruzar terrenos inóspitos — tanto geográficos quanto humanos. E o filme não economiza nos desafios. Logo eles estão em trilhas estreitas, pendurados em cordas, quase esmagados por um bonde desgovernado. Aí vem a tempestade de neve, e os dois, já cambaleantes, precisam cavar um buraco no gelo pra não morrer de hipotermia. E a cena icônica: os corpos tremendo, colados um no outro. Um abraço forçado pela sobrevivência. Meio homerótico, meio desesperado.
A ação nunca estaciona. Começa com perseguição de carro, vai pra floresta, passa por uma sequência de suspense num grupo de turistas — onde o assassino está disfarçado — e desemboca num tiroteio num navio, antes de literalmente mergulhar no clímax: Poitier e o vilão lutando dentro d’água, com tiros, socos e molhadeira. É quase um parque temático do cinema de ação. E Sidney? Continua rei. Mesmo suando em ambientes que não são dele, com botas que não calçam sua persona de alfaiataria, ele mantém a pose, o olhar afiado, a classe intacta.
Mas há um porém. É um filmaço, sim — mas talvez um filmaço do Sidney. A dupla funciona, mas não emociona. Eles enfrentam frio, morte, bandido, quase viram picolé humano — mas, no fundo, ainda parecem dois estranhos eficientes. Você compra a tensão, mas não aposta no afeto. Em alguns momentos, parece que vão sair dali e seguir vidas separadas, sem nenhum “foi bom caminhar com você”. Falta a fagulha que transforma parceria em conexão. Sabe aquele momento em que um personagem revela uma dor antiga e você pensa: “pronto, agora eles se ligaram”? Aqui não rola. Fica só na boa colaboração — eficaz, mas um pouco fria. Como a neve.
Shoot to Kill é um filmão. Um ótimo veículo pro Sidney, um passeio por vários gêneros e um espetáculo visual bem conduzido. Mas fica aquela sensação: com um roteirista tipo Shane Black no volante, talvez essa relação central tivesse mais calor humano. Mais história contada no meio da neve. Ainda assim, é um baita disparo certeiro. Pode não atingir o coração — mas garante impacto no peito. E com Sidney puxando o gatilho, quem vai reclamar?
18.07.2009
Atirando para Matar / Shoot to Kill (1988)
Título ao pé da letra: "Atire para Matar".
Direção: Roger Spottiswoode.
Elenco: Sidney Poitier, Tom Berenger, Kirstie Alley, Andrew Robinson, Clancy Brown, Richard Masur, Kevin Scannell, Frederick Coffin, Michael MacRae, Robert Lesser
Após um astuto e cruel criminoso realizar um assalto a uma joalheria em São Francisco e fugir em direção às montanhas escarpadas do Noroeste Pacífico, o obstinado agente do FBI Warren Stantin (Sidney Poitier) vai em sua perseguição. O assassino infiltra-se como um turista comum em um grupo de montanhistas guiados por Sarah Rennell (Kirstie Alley). Para alcançar o bando e resgatar a jovem antes que o psicopata revele a sua identidade e elimine os reféns, Stantin é forçado a recrutar Jonathan Knox (Tom Berenger), um guia de montanha rústico, solitário e de métodos brutais. Os dois homens, de mundos completamente diferentes, tem que superar as suas desconfianças mútuas para sobreviver aos perigos da natureza hostil e capturar o perigoso fugitivo.
Curiosidades:
Este longa quebrou o afastamento voluntário de Sidney Poitier da atuação, que já durava desde A Letra Escarlate (1977). O ator passou os anos anteriores focando-se na direção de comédias, mas foi atraído de volta às telas pelo roteiro ágil e pelo desafio físico da produção.
A famosa cena em que os protagonistas cruzam um desfiladeiro utilizando uma tirolesa improvisada foi filmada com os próprios atores principais suspensos a alturas reais impressionantes nas montanhas da Colúmbia Britânica, no Canadá, reduzindo o uso de dublês ao mínimo necessário.
A estrutura do roteiro na primeira metade do filme utilizou de forma inteligente o mistério sobre a identidade do assassino. Como o grupo de montanhistas continha vários atores conhecidos por papéis ambíguos (como Andrew Robinson, Clancy Brown e Richard Masur), o espectador foi mantido em suspense constante até a revelação.
No Reino Unido e em outros mercados europeus, o filme foi lançado sob o título alternativo de Deadly Pursuit (Perseguição Mortal), mantendo o excelente apelo de bilheteria que a obra conquistou nos Estados Unidos.
Eu conhecia o Sidney Poitier como quem conhece um mito por manchete. Sabia da lenda, da importância, do Oscar. Mas da filmografia mesmo? Só uns pingos. Lembro bem de No Calor da Noite — aquele em que ele leva um tapa e devolve com juros e correção histórica. Uma cena que, pra mim, foi quase um ato de fé. Aquele tapa ecoa até hoje, talvez porque ele não estava só enfrentando um personagem: estava dando na cara de uma era. Mas em Shoot to Kill (1988), nada de tapas emblemáticos ou discursos inflamados. Aqui é mira, montanha e munição. Sidney vira Warren Stantin, um detetive da cidade grande que troca o terno por uma jaqueta de escalada pra caçar um assassino frio, escondido nas florestas geladas perto da fronteira canadense.
O filme tem o cheiro inconfundível de pipoca de sessão da tarde: cenas de ação bem coreografadas, ritmo afiado e uma dupla que tenta ser memorável pelo contraste — mas não chega ao patamar das grandes duplas que a gente quer rever no próximo filme. É quase um filme do Shane Black… sem Shane Black. A estrutura é simples: um peixe fora d’água, em águas congeladas. Ou melhor: um detetive sofisticado tropeçando na lama e caindo na neve. O filme brinca com esse contraste: o homem da cidade (e do raciocínio rápido) emparelhado com o homem do campo. Sempre é divertido ver opostos forçados a colaborar, mas aqui falta a faísca emocional — aquele diálogo no meio da tempestade que transforma estranhos em quase irmãos.
Stantin, o personagem de Poitier, é todo método e metrópole. Já o guia Jonathan Knox é bota de couro e silêncio das montanhas. Quando a namorada de Knox é sequestrada, o improvável acontece: detetive e caipira se amarram (às vezes literalmente) pra cruzar terrenos inóspitos — tanto geográficos quanto humanos. E o filme não economiza nos desafios. Logo eles estão em trilhas estreitas, pendurados em cordas, quase esmagados por um bonde desgovernado. Aí vem a tempestade de neve, e os dois, já cambaleantes, precisam cavar um buraco no gelo pra não morrer de hipotermia. E a cena icônica: os corpos tremendo, colados um no outro. Um abraço forçado pela sobrevivência. Meio homerótico, meio desesperado.
A ação nunca estaciona. Começa com perseguição de carro, vai pra floresta, passa por uma sequência de suspense num grupo de turistas — onde o assassino está disfarçado — e desemboca num tiroteio num navio, antes de literalmente mergulhar no clímax: Poitier e o vilão lutando dentro d’água, com tiros, socos e molhadeira. É quase um parque temático do cinema de ação. E Sidney? Continua rei. Mesmo suando em ambientes que não são dele, com botas que não calçam sua persona de alfaiataria, ele mantém a pose, o olhar afiado, a classe intacta.
Mas há um porém. É um filmaço, sim — mas talvez um filmaço do Sidney. A dupla funciona, mas não emociona. Eles enfrentam frio, morte, bandido, quase viram picolé humano — mas, no fundo, ainda parecem dois estranhos eficientes. Você compra a tensão, mas não aposta no afeto. Em alguns momentos, parece que vão sair dali e seguir vidas separadas, sem nenhum “foi bom caminhar com você”. Falta a fagulha que transforma parceria em conexão. Sabe aquele momento em que um personagem revela uma dor antiga e você pensa: “pronto, agora eles se ligaram”? Aqui não rola. Fica só na boa colaboração — eficaz, mas um pouco fria. Como a neve.
Shoot to Kill é um filmão. Um ótimo veículo pro Sidney, um passeio por vários gêneros e um espetáculo visual bem conduzido. Mas fica aquela sensação: com um roteirista tipo Shane Black no volante, talvez essa relação central tivesse mais calor humano. Mais história contada no meio da neve. Ainda assim, é um baita disparo certeiro. Pode não atingir o coração — mas garante impacto no peito. E com Sidney puxando o gatilho, quem vai reclamar?
Filmao!!!!!
Tem ação e um leve toque de humor, sobretudo em algumas cenas com Poitier. Ótimo passatempo para relembrar os anos 80.