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Duração
Drama cotidiano, familiar, sexual e afetivo. Centrada na figura de Serginho, a trama se estrutura sobre diversos aspectos da vida desse "não mais menino, ainda não homem". Seguimos seu dia a dia: o recém-adquirido papel de homem da casa cuidando de sua mãe e seu irmão mais novo; o trabalho na feira; sua amizade com Mudinho e Silvinha; e sua relação confusa, entre o sexo e o afeto, com o professor Ney. O filme é um tecido de momentos da vida de um menino em transição.
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Sensível e realista.
Um baita assunto totalmente desperdiçado por falta de uma direção mais consistente.
>Assistido em 04 de Janeiro de 2026
AUSÊNCIA | UM FILME SOBRE TUDO O QUE FALTA
Sou um amante declarado do cinema nacional, especialmente dos dramas, e ainda assim nunca havia ouvido falar de Ausência (2014). O encontro com o filme foi quase casual: vi a chamada na TV Cultura informando que ele seria exibido no quadro Sessão Cult, no sábado, 13 de dezembro de 2025, por volta das 23h. Resolvi assistir sem grandes expectativas e terminei o filme chorando, em silêncio, profundamente pensativo. É curioso — e triste — perceber como uma obra tão potente pode permanecer à margem por tantos anos. Ausência dialoga diretamente com filmes como Sócrates (2018), outro longa que admiro muito, ao expor a realidade dura e crua de jovens rejeitados gratuitamente por uma sociedade que lhes nega afeto, cuidado e pertencimento, quando tudo o que desejam, no fundo, é ser amados.
A narrativa acompanha Serginho, um adolescente sobrecarregado por responsabilidades que jamais deveriam ter sido impostas a alguém da sua idade. Abandonado pelo pai, convivendo com uma mãe alcoólatra e negligente, assumindo o cuidado do irmão mais novo, sendo constantemente hostilizado pelo tio, tratado com frieza pelo professor e atravessando, de forma silenciosa, o processo de descoberta de sua sexualidade — que existe no filme, mas nunca é explorada de forma sensacionalista ou central. O foco está em algo maior: a ausência de amparo. Em Ausência, o título não é apenas conceitual, é estrutural. Falta pai, falta mãe, falta escola, falta rede de apoio, falta escuta, falta afeto.
É um filme que se constrói muito mais pelo que não é dito do que pelo que é verbalizado. Os diálogos são econômicos, quase escassos, e Chico Teixeira aposta no olhar de Serginho como principal veículo narrativo. Há dor nos silêncios, nos gestos contidos, na postura sempre encolhida de quem carrega o mundo nas costas cedo demais. Ausência não pede pressa: ele exige sensibilidade. Não é um filme para ser apenas assistido, é um filme para ser sentido. No mínimo, provoca empatia; no máximo, atravessa quem viveu algo semelhante. E aqui falo também de mim: eu vivi.
O final aberto intensifica ainda mais o impacto. Serginho aceita o convite da amiga do circo e vai morar com ela e o marido? Ele mergulha em um caminho de marginalização, no submundo do crime, da prostituição ou da rua? Não há respostas fáceis, e talvez essa seja a maior honestidade do filme. A vida de jovens como Serginho raramente tem encerramentos claros ou redentores. O que fica, acima de qualquer interpretação, é uma certeza dolorosa: ele não queria fugir do mundo — ele só queria, por um instante, deixar de sustentá-lo sozinho. Ele só queria um abraço.
Assistido em: 13.12.2025
Crítica em: 14.12.2025
Ótimas atuações.
M. Fagundes (Serginho) veste a roupa de seu personagem e nos conta uma estória tocante.
Gostei
20.05.2025
Uma obra melancólica que retrata os percalços enfrentados pelo Serginho, principalmente no que diz a respeito da sua situação familiar. Não existe teor sexual como a sinopse aponta, apenas afetivo e de projeção parental.