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Data de lançamento
1 Nov. 1996Duração
O que prometia ser apenas uma noite romântica transforma-se em momentos de medo e pavor quando o fotógrafo Ted Harrison e sua namorada são atacados por um sanguinário lobisomen, que acaba estraçalhando a moça e mordendo o rapaz. Meses mais tarde, Ted já deixou o Nepal e vai visitar sua irmã Janet, que vive com o filho de 10 anos Brett e um pastor alemão chamado Thor. No entanto, inexplicáveis mortes estão acontecendo na região. Janet então convida o irmão para ficar com eles na casa. Mas até o fiel e astuto Thor começa a comportar-se de modo estranho. O perigo está cada vez mais perto. E talvez não seja preciso esperar a próxima lua cheia.
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tinha poucas lembranças desse filme, lembro da cena de abertura que era brutal e não recordava mais do resto.
Mas reassisti e me surpreendeu positivamente, achei um ótimo filme de lobisomem, único ponto fraco é a cena de transformação, que é muito mal feita, mas isso não atrapalha de forma geral, o filme continua sendo muito divertido.
Lembro que, quando este filme foi lançado (direto em vídeo), foi escorraçado por público e critica. De repente, tornou-se o "filme definitivo sobre lobisomens"? Como assim?! Ser definido como "clássico do gênero" pela distribuidora Versátil foi uma estratégia suspeitosa, mas que funcionou: paguei um valor alto pelo DVD e, de repente, estava com muita vontade de conferir o filme. E, conforme esperando, a decepção: belos e canastrões, Michael Paré e Muriel Hmmignway não conseguem tornar os seus personagens expressivos. Mas gosto do cachorro Primo, intérprete do Thor, que detém o ponto de vista herdado do romance original. O roteiro é repleto de furos (afinal, o lobisomem precisa ou não da lua cheia para se transformar?) e não acho os efeitos e a maquiagem tão ruins quanto disseram por aí. O problema do filme é outro, o oportunismo das situações terríficas, os assassinatos que ocorrem somente quando é conveniente para o protagonista masculino. O garotinho Mason Gamble é muito bom e o 'plot' da abertura, sobre o golpista que finge ataques para subornar os donos de animais de grande porte, é interessante. Mas o filme se desperdiça numa situação familiar tão mal explorada que é logo abandonada... Uma pena! (WPC>)
Para começar, uma curiosidade: segundo a
mitologia clássica, quem é mordido por um lobisomem e sobrevive à mordida costuma carregar a maldição, podendo se transformar na próxima
Thor foi atacado diversas vezes, sofreu mordidas e arranhões, mas resistiu
transmissão da maldição
a personagem de Janet acaricia Thor, que de repente se transforma em uma criatura monstruosa diante dela. Essa mudança repentina
cães podem herdar a maldição do lobisomem?
sim, o ciclo da maldição simplesmente trocou de hospedeiro
Refletindo sobre minha experiência com o filme de 1996, uma questão que sempre me surpreendeu foi a escolha do título nacional “Lua Negra”. A versão original em inglês, “Bad Moon”, traduzível como “Lua Má” ou “Lua Maligna”, parece mais condizente com o enredo, além de soar mais impactante e fiel ao clima da narrativa. Quando assisti ao filme pela primeira vez, fiquei incomodado com essa tradução, e a segunda vez, há cerca de um ou dois anos, quando passou na TV aberta pelo SBT com o título “Bad Moon – Na lua cheia”, a sensação de descompasso permaneceu. Mas, deixando os detalhes dos nomes de lado, minha impressão geral foi de que o filme não tinha muito a oferecer: uma produção fraca, pouco memorável. No entanto, só agora percebo a razão: eu estava sofrendo de uma espécie de “percepção condicionada”, onde o filme era avaliado de forma rigorosa em comparação com um clássico do gênero.
O filme que serviu de parâmetro para essa comparação foi “Um lobisomem americano em Londres”, que considero o melhor filme de lobisomem já feito, um verdadeiro marco na história do cinema de terror. Essa referência dificultou minha apreciação de “Lua Negra”, pois, até hoje, não encontrei outro filme que se equipare à genialidade do trabalho de John Landis — e, certamente, a obra de Eric Red não teria como alcançar tal patamar.
Agora, entrando na análise propriamente dita, vamos ao que interessa: o filme. “Lua Negra” foi escrito e dirigido por Eric Red, que já tinha seu nome ligado a roteiros de sucesso na década de 1980, como “A morte pede carona” e “Quando chega a escuridão”. Nos anos 90, ele também esteve por trás de “Anatomia de um assassino”, um filme violento e de ritmo acelerado, que chegou a passar várias vezes na programação do Cine Trash da Band. A trama de “Lua Negra” é baseada na obra “Thor”, de Wayne Smith, que conta a história sob a perspectiva de um pastor alemão chamado Thor — um detalhe que reforça a conexão com a temática do filme.
O elenco é enxuto, composto por atores que na época eram considerados promessas, mas que, com o tempo, não alcançaram grande destaque. Entre eles, destacam-se Mason Gamble, que ficou conhecido por interpretar Dennis na adaptação de “Dennis, o Pimentinha”, e Michael Paré, que já apareceu em vários filmes de ação antes de “Lua Negra”, e que posteriormente se dedicou mais às séries de TV. Hoje, Paré trabalha sob a direção de Uwe Boll, participando de produções como “BloodRayne” e “Alone in the Dark II”.
A narrativa é simples e direta, com duração de aproximadamente 80 minutos. A direção acompanha esse ritmo, apresentando cenas de suspense bem construídas e sequências de ação que envolvem o lobisomem de forma convincente.
O filme começa com uma bela imagem de uma floresta isolada no interior da Indonésia, onde o casal de fotógrafos Ted e Marjorie (Johanna Marlowe) se preparam para se recolher à sua barraca em um acampamento cercado por nativos indonésios recrutados como assistentes. A lua cheia já desponta no céu enquanto o casal tr4nsa em sua barraca, em uma cena de nud3z gratuita bem ao melhor estilo anos 80. Nesse meio tempo, algo se aproxima pela mata, e deixa os cavalos desesperados a tal ponto que conseguem romper as cordas que os mantinham presos e fogem em disparada pela floresta. A maior parte dos ajudantes da expedição sai correndo atrás dos animais, deixando apenas um para trás, que logo é atacado por algo vindo detrás das árvores. Ted e Marjorie continuam fazendo amor sem tomar conhecimento de nada, até que a sombra de algo gigantesco e monstruoso surge por detrás da barraca. Em um ataque extremamente violento, um lobisomem invade a tenda, fere Ted e o arremessa para longe, enquanto estraçalha a moça que grita desesperadamente. Rastejando, o fotógrafo consegue pegar um rifle que se encontra próximo a uma mesa e dispara um tiro que explode a cabeça do monstro. É depois dessa empolgante introdução que entram os créditos iniciais. Sabe-se que essa cena inicial foi concebida por Red para ser ainda mais longa e violenta, contando também com cenas de sexo mais explícitas, mas devido à censura ou a preocupação dos produtores com as possibilidades comerciais do filme, acabou sendo reduzida e simplificada até ficar da maneira que está no filme. Inclusive, essa versão estendida do começo da obra pode ser encontrada na internet sem maiores dificuldades.
A narrativa então avança para uma casa de campo em uma pequena cidade americana, onde conhecemos Janet (Mariel Hemingway), uma advogada recém-chegada de Chicago, seu filho Brett, e seu cão Thor, um animal inteligente e protetor. Nesse trecho, há uma cena com um vendedor de livros charlatão, que provoca Thor para tentar fazer o cachorro atacá-lo — uma tentativa que termina sem sucesso, pois Janet é perspicaz o suficiente para assustar o vigarista,
que promete voltar para se vingar na noite de lua cheia
Em uma sequência noturna,
um personagem que parece ser um engenheiro florestal é perseguido por uma criatura feroz na mata, após reclamar de trabalhar até tarde para ganhar o “adicional noturno”. Essa perseguição termina com sua morte, devorado por um lobisomem.
que convida ela e Brett a visitá-lo em seu trailer às margens de um lago. A visita é amigável, embora Janet repreenda Ted por só ter ligado agora, três meses após seu retorno da Indonésia. Durante o passeio, Thor encontra pedaços do corpo de um homem morto na floresta, enquanto Brett encontra um livro sobre licantropia escondido nos pertences do tio. A partir dessas pistas, fica claro que Ted também foi infectado com a maldição do lobisomem, e agora vive uma transformação que ameaça todos ao seu redor.
Ao retornar para casa, Ted liga novamente para Janet,
dizendo que gostou da visita e que decide passar uns dias com ela e Brett. Sua presença, porém, começa a gerar desconfiança, especialmente por parte de Thor, que sente algo estranho no irmão da irmã. Nos dias seguintes, Ted se refugia na floresta e se amarra às árvores para evitar atacar alguém durante sua transformação, mas a situação vai se agravando, até que o monstro escapa e passa a causar estragos na região — uma ameaça
O enredo, como se percebe, é bastante direto. Nesse cenário, um dos méritos de Eric Red é a sua habilidade em explorar essa simplicidade, construindo relacionamentos sólidos entre os personagens e destacando o lobisomem de forma clara e direta, algo que poucos filmes do gênero conseguem fazer com tanta eficácia. A equipe responsável pelos efeitos especiais, liderada por Steve Johnson, merece menção especial: seu trabalho é excelente, especialmente na concepção do monstro, que considero um dos melhores já criados para um filme de lobisomem. O visual do lobisomem, um gigante cinza de aproximadamente dois metros, forte e voraz, é realizado com maquiagem convincente e efeitos práticos de alta qualidade. Mesmo nas cenas de ação, onde o lobisomem corre, pula e luta com Thor, ele mantém uma aparência verossímil, algo raro em produções similares.
A cena de transformação do humano em lobisomem, sempre aguardada pelos fãs, apresenta uma mistura de efeitos de maquiagem tradicionais e efeitos digitais, com resultados que variam em qualidade. Ainda assim, o monstro já transformado é impactante, imponente e realmente assustador.
Além do visual, o filme se destaca pela atuação de um elenco competente, especialmente Michael Paré, que transmite a angústia de um homem atormentado por uma maldição que ameaça destruir tudo que ele ama. Há também homenagens a clássicos do gênero, como a cena em que Brett assiste a “O Lobisomem de Londres” na TV. A abertura do filme, a cena final com o ataque do lobisomem na casa de Janet, destruindo tudo ao seu redor, e as sequências de ação com o monstro correndo por dentro da residência geram momentos memoráveis para os fãs de criaturas licantrópicas.
Por outro lado, o filme não é isento de defeitos. É frustrante perceber
a demora de Janet para perceber que algo errado com seu irmão — sua inteligência e perspicácia parecem subitamente
[spoiler]de Ted de que o lobisomem pode se transformar sob qualquer lua
luta do lobisomem com Thor: sob minha perspectiva, um monstro de tamanha envergadura deveria facilmente partir o cão ao meio, mas a luta é mais equilibrada e menos violenta do que o esperado
Após uma análise mais cuidadosa, percebo que minha resistência inicial ao filme de Eric Red foi injusta. Hoje, vejo “Lua Negra” sob uma nova perspectiva: embora não alcance o brilho dos clássicos dos anos 80, como “Um lobisomem americano em Londres” ou “A Hora do Pesadelo”, é, sem dúvida, um dos melhores filmes de lobisomem da década de 1990. Outras produções notáveis dessa época incluem “Lobo” (1994) e “Um lobisomem americano em Paris” (1997), que contribuem para elevar o nível do gênero nesse período.
Eu esperava algo muito pior, mas Bad Moon acabou sendo uma agradável surpresa dentro do gênero. Mesmo com recursos visivelmente limitados, o filme entrega um terror de lobisomem decente, curto e direto ao ponto, sem enrolações. A história mistura drama familiar e horror de forma simples, mas eficaz, com uma atmosfera de suspense constante. O destaque absoluto vai para o pastor-alemão Thor, que rouba todas as cenas e se revela o verdadeiro herói da trama. Não é revolucionário, nem pretende ser e talvez por isso funcione tão bem: um filme modesto, mas honesto, sobre instinto, lealdade e ferocidade.
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