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Data de lançamento
8 Março 2012Duração
Uma médica da Alemanha Oriental falha ao tentar obter um visto para deixar o país. Para ser punida, é enviada para um pequeno hospital, no interior da nação. A personagem, então, se vê dividida entre o desejo de escapar e uma crescente atração por um novo colega de profissão.
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- adoro a complexidade dos personagens e o estilo de narrativa do petzold, mesmo com poucos diálogos, com os gestos, olhares e ações ele consegue dizer muito
- desnecessário dizer que atriz excepcional é a nina hoss, entrega tudo
- a reconstituição de época é excelente, não fosse a qualidade da imagem e movimentações de camera mais modernas, facilmente diria que realmente foi feito nos anos 80
A experiênxia totalitá, seja em que época ou país, sempre se origina do ressentimento e vaidade em querer modelar o mundo sob valores que nem mesmo o tal "modelador" possui.
Filmes como estes deviam abrir a cabeça destes jovens que perdem a vida toda militando por ideologias totalitárias, esquecendo de viver a própria vida, e transformando a dos outros em um inferno.
"Barbara", de Christian Petzold, conta a história de uma talentosa médica residente na Alemanha Oriental da década de 80 (época da Guerra Fria) que, ao ser flagrada tentando fugir para a Alemanha Ocidental recebe como punição a transferência para um hospital distante, localizado em uma região rural.
A narrativa é delicada e sutil, bem ao estilo de Petzold. Bárbara é calada, distante, mas logo vemos que sua aparente frieza é uma estratégia de sobrevivência e que, em sua essência, ela carrega um enorme senso de empatia e humanidade. Como contraponto a essa barreira emocional imposta por Bárbara temos seu colega de profissão André, aquele que com gentileza tentará conquistar sua confiança e criar laços que os libertem do passado.
O cinema de Petzold é sobre o que não é dito. É hábil em criar um clima de intimidade emocional do público com seus personagens e faz isso de modo suave, quase silencioso, utilizando-se de gestos, olhares e linguagem corporal. Ele usa a câmera de forma a aumentar essa sensação de proximidade, concentrando-se no rosto e expressões dos atores, como no caso da brilhante Nina Hoss e do adorável Ronald Zehrfeld.
A ausência de trilha sonora também é uma de suas características, demonstrando que o foco é a história a ser contada, reforçando a atmosfera de introspecção e nos conectando ao espaço emocional dos personagens. Se fosse para resumir essa experiência, diria que em meio a tantos filmes de ação e terror que estão em alta, "Barbara" é uma dose de calma e delicadeza, uma carícia cinematográfica.
O silêncio que costuma ter no filme, ou coisas ditas pela metade, impõe um suspense sobre o que vai acontecer e que atitudes a protagonista irá. É no mínimo que o filme se encontra, no olhar, numa frase dita de forma repentina, numa atitude que muda tudo. E no fim é o olhar que confirma a decisão e a mudança de Barbara.
O drama da distância, da duplicidade escorregadia, da tensão sustentada que pouco a pouco, mas nunca completamente, entrega pedaços de compreensão e afetos que vão surgindo após a distância ser diluída.
Barbara é apresentada através da observação de terceiros. Essa ideia inicial do que cada um pensa foi me enchendo de curiosidade. Quem é ela? De qual material é a sua armadura? Do que se protege? Barbara está sozinha, com o seu cigarro, envolta de uma natureza que torna a sua expressão ainda mais marcante e exata. Nada vai bem. Partir ou ficar vai gerando uma tensão enquanto a sua relação com os pacientes é o tecido que vai intensificar a história. Mais que isso, a maneira que cada cena é construída, (através da distância) é o cuidado do diretor diante da rigidez como proteção da personagem, dos objetos e da natureza como parte da mesma costura. É uma mulher sensível, que tem urgências, que olha para os seus pacientes com uma linguagem que aprofunda a trama. É o tipo de filme que eu veria novamente...