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Data de lançamento
17 Maio 2014Duração
Mr. Devereaux (Gerard Depardieu) é um poderoso agente da economia mundial e a mesma gana que tem para somar dinheiro, tem para os prazeres da carne. Seu apetite sexual incontrolável o coloca frequentemente em apuros e ele vê sua carreira ruir de vez após um escândalo que vira manchete nos principais jornais do planeta. Com o apoio incondicional da esposa (Jacqueline Bisset), ele busca uma maneira de recuperar sua honra.
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O primeiro ato contém uma dose absurda de boas cenas de sexo. Depois, o filme abre mão desse sexualismo e se torna levemente cansativo.
Começa melhor, mas depois das cenas de sexo no começo, não sobra muita coisa interessante
Curiosamente Gerard Depardieu está sendo acusado de abuso, oito anos depois de ter feito esse filme... Meio perturbador saber disso depois de vê-lo nesse papel.
Exibido no Festival de Cannes, em 2014, o drama é inspirado na vida do economista e político francês Dominique Strauss-Kahn, ex-presidente do FMI, preso em 2011 no Aeroporto JFK em Nova York acusado de abusos sexuais. O filme não menciona ser baseado em fatos reais, e para fugir de processos mudou o nome dos personagens e o desenrolar da história (que conta com sequências fortes de sexo, filmadas em lugares sombrios, seguindo o estilo do controverso cineasta Abel Ferrara, realizador de obras polêmicas nos anos 90 que exibiam à exaustão cenas de uso de drogas e sexo, como “O rei de Nova York”, “Vício frenético”, “Olhos de serpente” e “Os chefões”).
Longo (com 125 minutos), apresenta uma narrativa cíclica, por vezes repetitiva, para mostrar a decadência de um poderoso magnata viciado em sexo que acaba cometendo abusos contra uma camareira de hotel. O que sucede é a prisão dele e toda a investigação misturando o trabalho da polícia nos Estados Unidos e a família dele na França. Depardieu, um grande em cena, desenvolve um personagem destemido, violento, e o ator se despe literalmente no filme (a ponto de aparecer nu). A esposa dele, em aparição rápida, é interpretada por um dos ícones do cinema dos anos 70, Jacqueline Bisset, envelhecida e de peruca – o papel dela tem impacto na trama, pois ela tenta contornar o caso da imprensa, alvoroçada em vasculhar o escândalo do magnata.
As cenas de sexo são grotescas (a classificação do filme é 18 anos, cuidado!), exatamente para entrar na mente desse devorador sexual, que vê as mulheres como meros objetos, e assim o drama cria uma densa reflexão sobre o comportamento dos homens na sociedade e discute a capacidade do poder nas mãos do poderosos. Um filme difícil, por vezes chocante, para público restrito.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
O que mais chama atenção no contundente drama de Ferrara é a corajosa atuação de Gerard Depardieu como o repulsivo protagonista e o desempenho breve, mas arrebatador, de Jacqueline Bisset.