Dirigido por
Duração
Edgar é um rapaz de Minas Gerais de origem bastante humilde, fato esse que o constrange. Procurado por Peixoto, genro do milionário Weneck, dono da firma onde trabalha, Edgar recebe a proposta de se casar com Maria Cecília, filha de Werneck, de 17 anos. Pelo dinheiro, Edgar aceita, mas tem dúvida por gostar de Ritinha, sua vizinha. Já com o casamento acertado, Edgar e Ritinha vão despedir-se num cemitério, onde ela conta o que faz para conseguir sustentar a mãe e as três irmãs.
Um filme que assisti como pornochanchada na juventude, mas assistindo hoje com maturidade, é possível perceber uma crítica a burguesia hipócrita em sua falsa moralidade e também a forma como é mostrado o poder do dinheiro. Que humilha e violenta as pessoas pobres por qualquer motivo e nunca pagam por isso. Quem assistir pensando seriamente no filme e não nas cenas ousadas vai perceber as boas atuações de Wilker, Fisher, Novaes, Lucélia e Kroeber.
28.05.1992
Vi muita gente dizendo que o filme envelheceu mal, mas, olhando com mais atenção, achei justamente o contrário: ele parece mais atual do que nunca. Principalmente na forma como expõe o tratamento dado à mulher, a hipocrisia e o falso moralismo da burguesia. Não senti nada datado — pelo contrário, é um filme que ainda provoca debates bem pertinentes.
Talvez, se essas pessoas assistissem pela perspectiva de uma mulher que tem desejos, fetiches e quer vivê-los, mas acaba enfrentando machismo e julgamentos por isso, perceberiam que a obra não envelheceu nada.
Decidi ver esse filme depois de ter visto a montagem da peça de 2024 com Emilio Orciollo Neto. A peça atual é idêntica à esse filme de 1981. Os textos, as cenas, praticamente tudo, exceto q na peça tem um direcionamento maior para o racismo. Bom, acho q Nelson Rodrigues quis aqui criticar a sociedade, a burguesia e a hipocrisia dos abastados. O texto ficou muito datado principalmente por causa do machismo e do menosprezo e/ou total desprezo à figura feminina.
Não é uma mera pornochanchada, o texto cáustico de Nelson Rodrigues, aliado a ótimas interpretações, escancara o cinismo de parte da população que acha que dinheiro compra tudo. Se o filme explora nudismo e sexo, a culpa era do próprio espectador brasileiro da época que só ia aos cinemas se tivesse as tais cenas de "mulher pelada" e obrigava praticamente todos os filmes nacionais a usar esse subterfúgio, pra não amargar prejuízo na concorrência desleal da verdadeira pornochanchada. Para os que criticam os filmes brasileiros, por ser realista ou ter certas cenas “impróprias” para pseudo conservadores e exalta Hollywood, é preciso lembrar que o americano médio criado no rigor do conservadorismo, nunca aceitou bem nudez, mas adora a violência gratuita dos seus filmes de ação, sem profundidade, com dezenas de mortes em tiroteios pirotécnicos, mas aí tudo "certo", afinal o puritano adora arma, clube de tiro, uma matança gratuita na tela é mero entretenimento. Na lógica do puritanismo, apoiar guerras mundo afora ok, o Velho Testamento chancela essas barbaridades, mas nudez é pecado mortal... inclusive, até hoje há quem normalize a escravidão, com base no já citado Velho Testamento, basta ver as passeatas do Mississippi e entorno, ou seja, na lógica do moralista, mulher pelada é um absurdo, mas tiro, morte, violência ficou tão banalizado após décadas de exposição que todos passaram a acham normal na tela...como diz na cena do filme: "brasileiro é cínico pra chuchu", no caso, não só o brasileiro...se você se incomodou com a exposição do cinismo de certas castas sociais mostrado no filme, vá assistir Indepence Day pra ver o presidente dos USA “salvar o mundo” e tenha um orgasmo...