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Duração
Robert Eroica Dupea (Jack Nicholson) é um ex-pianista clássico que rejeita seu modo de viver, passando a trocar constantemente de mulher e emprego. Robert retorna para casa com Rayette Dipesto (Karen Black), sua namorada, depois de descobrir que seu pai está à beira da morte. Lá, ele conhece Catherine Van Ost (Susan Anspach), uma interessante mulher que o faz ficar dividido. Recebeu 4 indicações ao Oscar: Filme, Ator (Jack Nicholson), Atriz (Karen Black) e Roteiro Original.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Jack Nicholson é o tal do "rebelde sem causa" mas ele não quer criar arruaça e sim, viver como bem entende, mesmo que ele tenha uma ótima formação musical e precise enterrar os seus dons.
Primeira das várias parcerias do diretor Bob Rafelson com Jack Nicholson e é uma pena que o roteiro não se desenvolva tanto sobre a personalidade de Nicholson, pois esse sim, daria um ótimo e inesquecível personagem.
Jack Nicholson e o canalha honesto
Em Cada Um Vive Como Quer, Jack Nicholson não interpreta um vilão. Interpreta algo mais desconfortável: um homem que não sabe ficar.
Há nele o retrato perfeito do canalha honesto, aquele tipo humano que Nelson Rodrigues conhecia bem. Não o canalha cínico, que promete e trai. Mas o que abandona sem jurar amor eterno, que foge sem pedir desculpas elaboradas. Ele não mente sobre a própria falha. E isso, paradoxalmente, o torna mais verdadeiro que muitos “homens de bem”.
O niilismo do personagem não é intelectual. É vivido. Trabalho não salva. Talento não ancora. Família pesa. Amor sufoca. Tudo que exige permanência vira ameaça.
Ele não rejeita o amor porque não sente — rejeita porque amar significa pertencer. E pertencer exige renúncia. Exige aceitar limites. Exige ficar.
O medo central não é amar alguém, mas dizer “eu fico”.
Ficar num lugar, numa pessoa, num trabalho, numa identidade. Para ele, toda raiz vira algema.
Nelson diria: ele é canalha, mas não é hipócrita.
Freud veria um sujeito dominado pela pulsão de fuga.
Cioran talvez sorrisse e dissesse que ele entendeu cedo demais que viver em sociedade exige mentiras diárias — e se recusou a sustentá-las.
O filme incomoda porque não oferece redenção. Ele parte. De novo.
Deixa para trás pessoas que acreditaram que, dessa vez, seria diferente.
E talvez a pergunta que fica não seja sobre ele —
mas sobre nós.
Quantos não invejam, em silêncio, essa fuga?
Quantos permanecem apenas por medo, hábito ou culpa?
No fundo, o personagem de Nicholson nos confronta com uma verdade incômoda:
nem todos nasceram para ficar. E nem todos suportam o preço de pertencer.
18/01/2026
100% compreensível a decisão do personagem de Jack Nicholson no desfecho. Com tantos personagens insuportáveis(incluindo o próprio), eu também ficaria de saco cheio.
Ta todo mundo precisando de terapia nesse filme
Um grande filme da era da Nova Hollywood com Jack Nicholson numa interpretação soberba de tão boa, um dos meus atores preferidos, ele é realmente genial, em Cada Um Vive Como Quer, Nicholson interpreta o seu primeiro papel de protagonista. Mais que recomendado, visto em 26/09/2025