Uma esposa violentamente abusada cansa de apanhar do marido. Todo lugar em que ela procura ajuda, ninguém pode faezr muito por ela. Após ser estuprada por ele, uma noite, ela coloca fogo na cama enquanto ele dorme. Baseado em uma história real.
Ter pais e sogros omissos muitas vezes é tão sufocante quanto conviver com um homem abusador. Pessoas que deveriam dar suporte, ajudam a criar uma camada ainda mais profunda de violência psicológica para as vítimas. Os sogros além de ignorarem a Fran, ainda validavam o comportamento do filho. E que mãe é essa? Quem precisa de inimigo na vida, quando se tem uma mãe como a dela? Uma figura que deveria representar proteção, dizendo para a filha sempre voltar para o inferno e dar chances para o Mickey é a maior forma de abandono que existe. O sistema fazendo o possível e o impossível para dificultar a ajuda. Essa coisa dos anos 80 e 90 que a sociedade tinha de "briga de casal, ninguém se mete, o lar é um lugar sagrado" é muito irritante. A sensação de injustiça é muito grande, sempre que a Fran procurava ajuda as pessoas criavam um muro enorme pra ela escalar, uma burocracia, falta de vontade. A polícia é a mais omissa de todos. A coitada, querendo fazer a denúncia sobre a tentativa de homicídio e o policial "aham, tá, qualquer coisa vai avisando". Morto avisa? O Mickey era tão manipulador, tão triste o filme ser baseado na história real da Fran, uma mulher (e milhares todos os dias) passando por tudo isso. Chantagem emocional, o cara teve a coragem de causar um acidente só pra trazer a vítima de volta ao ciclo. Típico de agressor, usar a própria vulnerabilidade (real ou forjada) como arma. Sempre que ele percebe que está perdendo o controle sobre ela, precisava de algo que necessitasse que ela voltasse como cuidadora, usando a bondade dela contra ela mesma. A cena que mais me marcou foi a das crianças no beliche, a sequência com elas ali até a polícia chegando é pesadíssima, o olhar delas, os gritos em som de fundo, ela correndo pra fora da casa, o Mickey correndo atrás, as crianças indo para a janela, vendo tudo, completamente imóveis, a agressão acontecendo a poucos metros delas e elas sem poder fazer nada para ajudar. A Fran tentando entrar no carro, não consegue e começa a apanhar de uma forma muito cruel e brutal. Os pais dele chegando e protegendo o filho agressor, tentando impedir os policiais de levá-lo, que nojo! O trauma dessas crianças virou rotina, o quarto que era pra ser um lugar de proteção, virou um camarote para o horror que dava direto na vida de tortura da mãe (e deles, claro, haja psicológico!). O abuso doméstico nunca atinge só uma pessoa, ele estilhaça toda a estrutura familiar. Quando o Mickey agride a Fran lá fora, reforça aquela sensação de que não havia lugar seguro, dentro de casa, nem fora. Outra cena muito boa é quando ele colocou fogo na cama que ele dormia e sai, dá uma sensação boa, de paz, de tranquilidade, de que ela nunca mais vai passar aquilo na vida. Isso, junto com o momento em que ela é absolvida, traz o ápice de toda a espera do espectador por um mísero momento feliz. É um misto de alívio e melancolia, ela consegue liberdade, mas custou tudo o que ela tinha. O desfecho no tribunal na vida real foi histórico, a criação da lei Francine Hughes foi muito impactante, uma mudança estrutural na forma como o judiciário e a polícia lidavam com a violência doméstica, e claro, refletindo no mundo todo. O legado do caso através da consolidação e reconhecimento jurídico da Síndrome da Mulher Espancada sempre será lembrado. O caso provou que uma mulher que vive sob tortura constante está em estado de perigo iminente o tempo todo, o que justifica a reação da vítima em busca da sobrevivência. Vale lembrar que a condução da polícia também sofreu alteração após o caso, já que eles eram negligentes e omissos. Foram criados protocolos onde a polícia passou a ser obrigada a prender o agressor em vez de falar "vai tomar um ar", de acordo com a nova lei precisa levar preso. A atuação da Farrah Fawcett foi gigantesca no papel da Fran. Os momentos de maior entrega foram quando havia silêncio, ela passou uma inquietude no olhar, uma perturbação, honrou bastante a história real. O jeito que ela encolhia os ombros, trejeitos com os dedos, tiques, impecável! Senti que ela humanizou a Francine de uma forma que transformou a personagem em algo a mais, um símbolo de resistência, e não só mais uma vítima passiva. Assisti por indicação de uma amiga e gostei muito.
Este telefilme estadunidense era exibido com certa frequência na emissora SBT, comumente, lembro -me da chamada de impacto quando a emissora o exibia com o slogan de; "pela primeira vez na televisão, Cama Ardente". E isso nos causava ânsia em poder conferir o filme (outros tempos né! Rsrs). A história é verídica e trata de uma dona de casa norte americana que é abusada sexualmente, fisicamente e psicologicamente do marido e ninguém a ajuda, inclusive as instituições e leis na época, muitas delas eram favoráveis ao agressor. A figura forte e alta Paul Le Mat foi deveras favorável para encarnar o marido agressor e se sai muitíssimo bem encarnando o papel do homem abusador. Mas é Farrah Fawcett que surpreende num papel a qual lhe desligava da figura de mulher glamourosa e forte da série que a fez despontar ao sucesso "As Panteras". Aqui, Fawcett se desnuda da beleza e encara o papel com muita propriedade e estudo, uma vez que, provavelmente ela deve ter feito muito laboratório para se familiarizar com mulheres violentadas pelo marido. Algumas cenas, inclusive, são chocantes pela violência, humilhação e são bem interpretadas por ela, muito verossímil. A atriz aqui merece aplausos pelo seu ótimo desempenho. Todo o elenco em si estão bem e fazem seus papéis com veracidade. Nas cenas finais no julgamento é de cortar o coração pela humilhação desta mulher e de ficarmos chocados com a frieza da mãe do abusador. Ótimas as interpretações! Hoje nos perguntamos para que serve o feminismo?? Para não ver mais mulheres assim como a americana Francine Hughes não sofrer abuso, estupro, violência física e sexual. Leis como a Maria da Penha aqui no Brasil foi uma maravilha para estas mulheres sofredoras e um avanço a nossa civilização. Adorei o filme, agora é um filme que te deixa tenso e com muito mal estar. É muito pesado!
Ter pais e sogros omissos muitas vezes é tão sufocante quanto conviver com um homem abusador. Pessoas que deveriam dar suporte, ajudam a criar uma camada ainda mais profunda de violência psicológica para as vítimas. Os sogros além de ignorarem a Fran, ainda validavam o comportamento do filho. E que mãe é essa? Quem precisa de inimigo na vida, quando se tem uma mãe como a dela? Uma figura que deveria representar proteção, dizendo para a filha sempre voltar para o inferno e dar chances para o Mickey é a maior forma de abandono que existe. O sistema fazendo o possível e o impossível para dificultar a ajuda. Essa coisa dos anos 80 e 90 que a sociedade tinha de "briga de casal, ninguém se mete, o lar é um lugar sagrado" é muito irritante. A sensação de injustiça é muito grande, sempre que a Fran procurava ajuda as pessoas criavam um muro enorme pra ela escalar, uma burocracia, falta de vontade. A polícia é a mais omissa de todos. A coitada, querendo fazer a denúncia sobre a tentativa de homicídio e o policial "aham, tá, qualquer coisa vai avisando". Morto avisa? O Mickey era tão manipulador, tão triste o filme ser baseado na história real da Fran, uma mulher (e milhares todos os dias) passando por tudo isso. Chantagem emocional, o cara teve a coragem de causar um acidente só pra trazer a vítima de volta ao ciclo. Típico de agressor, usar a própria vulnerabilidade (real ou forjada) como arma. Sempre que ele percebe que está perdendo o controle sobre ela, precisava de algo que necessitasse que ela voltasse como cuidadora, usando a bondade dela contra ela mesma. A cena que mais me marcou foi a das crianças no beliche, a sequência com elas ali até a polícia chegando é pesadíssima, o olhar delas, os gritos em som de fundo, ela correndo pra fora da casa, o Mickey correndo atrás, as crianças indo para a janela, vendo tudo, completamente imóveis, a agressão acontecendo a poucos metros delas e elas sem poder fazer nada para ajudar. A Fran tentando entrar no carro, não consegue e começa a apanhar de uma forma muito cruel e brutal. Os pais dele chegando e protegendo o filho agressor, tentando impedir os policiais de levá-lo, que nojo! O trauma dessas crianças virou rotina, o quarto que era pra ser um lugar de proteção, virou um camarote para o horror que dava direto na vida de tortura da mãe (e deles, claro, haja psicológico!). O abuso doméstico nunca atinge só uma pessoa, ele estilhaça toda a estrutura familiar. Quando o Mickey agride a Fran lá fora, reforça aquela sensação de que não havia lugar seguro, dentro de casa, nem fora. Outra cena muito boa é quando ele colocou fogo na cama que ele dormia e sai, dá uma sensação boa, de paz, de tranquilidade, de que ela nunca mais vai passar aquilo na vida. Isso, junto com o momento em que ela é absolvida, traz o ápice de toda a espera do espectador por um mísero momento feliz. É um misto de alívio e melancolia, ela consegue liberdade, mas custou tudo o que ela tinha. O desfecho no tribunal na vida real foi histórico, a criação da lei Francine Hughes foi muito impactante, uma mudança estrutural na forma como o judiciário e a polícia lidavam com a violência doméstica, e claro, refletindo no mundo todo. O legado do caso através da consolidação e reconhecimento jurídico da Síndrome da Mulher Espancada sempre será lembrado. O caso provou que uma mulher que vive sob tortura constante está em estado de perigo iminente o tempo todo, o que justifica a reação da vítima em busca da sobrevivência. Vale lembrar que a condução da polícia também sofreu alteração após o caso, já que eles eram negligentes e omissos. Foram criados protocolos onde a polícia passou a ser obrigada a prender o agressor em vez de falar "vai tomar um ar", de acordo com a nova lei precisa levar preso. A atuação da Farrah Fawcett foi gigantesca no papel da Fran. Os momentos de maior entrega foram quando havia silêncio, ela passou uma inquietude no olhar, uma perturbação, honrou bastante a história real. O jeito que ela encolhia os ombros, trejeitos com os dedos, tiques, impecável! Senti que ela humanizou a Francine de uma forma que transformou a personagem em algo a mais, um símbolo de resistência, e não só mais uma vítima passiva. Assisti por indicação de uma amiga e gostei muito.
Ela aguentou até demais.
14.04.2025
07.10.1988
Este telefilme estadunidense era exibido com certa frequência na emissora SBT, comumente, lembro -me da chamada de impacto quando a emissora o exibia com o slogan de; "pela primeira vez na televisão, Cama Ardente". E isso nos causava ânsia em poder conferir o filme (outros tempos né! Rsrs).
A história é verídica e trata de uma dona de casa norte americana que é abusada sexualmente, fisicamente e psicologicamente do marido e ninguém a ajuda, inclusive as instituições e leis na época, muitas delas eram favoráveis ao agressor.
A figura forte e alta Paul Le Mat foi deveras favorável para encarnar o marido agressor e se sai muitíssimo bem encarnando o papel do homem abusador.
Mas é Farrah Fawcett que surpreende num papel a qual lhe desligava da figura de mulher glamourosa e forte da série que a fez despontar ao sucesso "As Panteras". Aqui, Fawcett se desnuda da beleza e encara o papel com muita propriedade e estudo, uma vez que, provavelmente ela deve ter feito muito laboratório para se familiarizar com mulheres violentadas pelo marido. Algumas cenas, inclusive, são chocantes pela violência, humilhação e são bem interpretadas por ela, muito verossímil. A atriz aqui merece aplausos pelo seu ótimo desempenho.
Todo o elenco em si estão bem e fazem seus papéis com veracidade. Nas cenas finais no julgamento é de cortar o coração pela humilhação desta mulher e de ficarmos chocados com a frieza da mãe do abusador. Ótimas as interpretações!
Hoje nos perguntamos para que serve o feminismo??
Para não ver mais mulheres assim como a americana Francine Hughes não sofrer abuso, estupro, violência física e sexual. Leis como a Maria da Penha aqui no Brasil foi uma maravilha para estas mulheres sofredoras e um avanço a nossa civilização.
Adorei o filme, agora é um filme que te deixa tenso e com muito mal estar. É muito pesado!