Dirigido por
Duração
"O filme não tem história. São três personagens dentro de uma ação violenta. O que eu estava buscando era fazer uma experiência de técnica, do problema da resistência de duração do plano cinematográfico. Nele se vê como a técnica intervém no processo cinematográfico. Resolvi fazer um filme em que cada plano durasse um chassi, e estudar a quase-eliminação da montagem quando existe uma ação verbal e psicológica dentro da mesma tomada." - Glauber Rocha.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
O filme "Câncer", dirigido por um renomado cineasta brasileiro, nos mergulha em um turbilhão de conflitos psicológicos e sociais. Ao acompanhar os personagens imersos em uma realidade permeada pela violência e pelos embates entre diferentes grupos sociais, somos confrontados com questões profundas sobre a condição humana.
Em meio a diálogos intensos e cenas marcantes, somos levados a refletir sobre a natureza dos conflitos raciais, sociais e de gênero que permeiam nossa sociedade. O filme nos desafia a questionar nossas próprias noções de justiça e moralidade, enquanto nos confronta com a crueza da realidade vivida pelos personagens.
Apesar de sua produção experimental e dos desafios técnicos enfrentados durante sua realização, "Câncer" se destaca como uma obra que transcende as barreiras do cinema convencional. Através de sua abordagem ousada e inovadora, o filme nos convida a repensar nossas concepções sobre arte, política e identidade nacional.
Ao mesmo tempo em que nos confronta com a dura realidade das desigualdades sociais e das injustiças presentes em nossa sociedade, "Câncer" também nos oferece vislumbres de esperança e resistência. Nas entrelinhas de sua narrativa fragmentada, encontramos momentos de profunda humanidade e empatia, que nos lembram da capacidade do ser humano de encontrar beleza mesmo nas circunstâncias mais adversas.
Assim, "Câncer" não é apenas um filme, mas sim um convite à reflexão e à ação. Ao nos confrontar com as complexidades de nossa própria existência, essa obra desafia-nos a buscar um mundo mais justo e igualitário, onde cada indivíduo possa viver com dignidade e respeito. É um testemunho poderoso do poder transformador do cinema e da arte como um todo, capaz de nos mover, inspirar e provocar mudanças duradouras em nossa sociedade.
Drama nacional experimental em preto e branco da Mapa Filmes, RAI Radiotelevisione Italiana e Embrafilme. Este filme foi filmado em 1968, mas só foi finalizado e montado na Itália em 1972. Foi o 13° de 20 filmes do cineasta Glauber Rocha (1939-1981).
É um filme menos conhecido do baiano Glauber, de menor impacto imediato no debate da época, por seu longo tempo de finalização e seu formato não comercial. O longa é principalmente seu trio de atores colocados em situação de violência psicológica, sexual e racial. Apesar do título, a estória contada não tem nada a ver com a doença propriamente enfatizada no título.
Este filme mostra o lado negro da natureza humana. É um drama psicológico que retrata a vida de 3 personagens, Antônio Pitanga - o Marginal negro - e Hugo Carvana (1937-2014) - o Marginal branco -, acompanhados de Odete Lara (1929-2015), como a Mulher. Cenas improvisadas realizadas pelos atores trazem realismo à estória. Uma pena que o som e a imagem deixem um pouco a desejar e prejudiquem também o andamento da narrativa.
É realmente algo experimental de Glauber.Depois dos seus grandes clássicos,esse aqui se torna apenas um na sua filmografia,tem sua importância trazendo assuntos políticos,humanos que até hoje são vistos por aí.No mais,a curiosa aparição de Eduardo Coutinho atuando.
>Assistido em 29 de Outubro de 2023
Chatão. Há uma espécie de culto a Glauber, especialmente em um tipo de cinéfilo tendente à idolatria (como são os beatlemaníacos), que parece tentar construir uma aura de genialidade no entorno de tudo o que Glauber fez. Como se houvesse uma mensagem densa por trás da aparência de desordem nos filmes, mensagem essa que os próprios saudosistas admitem nem sempre captar com clareza, mas que, em sua leitura romântica, seria a prova mesma da genialidade. Contudo, muitas vezes me parece mais provável que tipo, às vezes, ele só tá chapado (ver o documentário "Glauber, Claro" pra sacar como, na direção de certas cenas, a galera tá muito louca, inclusive o Glauber). No que toca a, em Câncer, Glauber tentar realizar a proposta estética do cinema marginal, eu não sei avaliar se ele funcionou ou não dentro da linguagem, porque pra mim essa linguagem mesma já tende ao disfuncional. Ele me lembra também o espontaneísmo de "Uma mulher é uma mulher" (Godard), ou the "On the road" (Kerouac), duas obras que eu acho chatas junto com a maior parte do legado do cinema marginal. Parecem todos exigir uma dose de paciência. A ideia de transe que entrecorta Câncer parece ser o que há de valioso aqui, assim como em boa parte da obra de Glauber, mas que, se essa intenção não captura quem assiste logo de imediato, o resto do filme todo não funciona: o que é uma fragilidade bem grande. Principalmente quando o mesmo princípio é repetido ad nauseam, que é o que acontece na filmografia de Glauber. Câncer é um filme experimental, mas também é um experimento descuidado. O som é péssimo: apenas um microfone direto, muito mal apontado pra boca dos atores, em uma ambiência toda ruidosa, o que faz com que tudo seja muito ininteligível muitas vezes. A última cena, por exemplo, em cima do diálogo tem uma percussão bem embaixo do microfone. Isso até serve um pouco pra disfarçar a improvisação dos diálogos torpes, mas requer certa prestatividade de quem assiste. Então, tirando tudo o que não funciona no filme, o que parece restar mesmo é o experimento de trabalhar com planos longos (o que em si, não sei se posso afirmar que dá um bom resultado) e a ideia de transe, de que o que importa são forças, pulsões, que atravessam a cena. Então legal, há algo aí, mas pouco.
Glauber adentrando ao mundo do cinema marginal e como grande maioria do cinema marginal fica limitado à uma tosqueira sem tamanho, a um trabalho de áudio intencionalmente horroroso e uma gritaria que me enche a paciência. Talvez haja algum conteúdo aqui mas eu confesso que passei longe de captar.