Na capital baiana Salvador, nos anos de 1930, menores abandonados que vivem nas ruas enfrentam toda sorte de dificuldades. Conhecidos como "capitães da areia", são liderados pelo jovem Pedro Bala, praticando crimes como roubo e estupro.
Jorge Amado percebeu no catolicismo uma das estruturas de poder que sustentavam a elite conservadora e a opressão social. Os "Capitães" não tinham amparo na moralidade católica dominante; em vez disso, encontram conforto, proteção e identidade na religiosidade marginalizada. Numa estrutura de crença que reconhece a dignidade de suas existências, algo negado pelas instituições oficiais do Estado. Jorge Amado foi figura política fundamental na defesa do direito ao livre exercício de culto e consciência, numa época em que cultos de matriz africana, sofriam perseguição policial e social sistemática. Infelizmente, não mudou muita coisa!
Assim que terminei de ler Capitães da Areia, aproveitei para conferir o longa-metragem. Não é a primeira vez que assisto, pois sempre que passa nos canais do Telecine, exatamente no Telecine Cult e tenho a oportunidade, eu assisto. Dirigido por Cecília Amado, neta de Jorge Amado, o longa Capitães da Areia, que foi escrito em 1937, ganhou uma adaptação em 2011. Na ocasião o lançamento do filme marcou dez anos da morte do escritor Jorge Amado, que falecido em 6 de Agosto de 2001 e também deu o início das comemorações do centenário de Jorge Amado.
Para quem leu a obra de Jorge Amado, dá para perceber que a fotografia do filme é rica em mostrar Salvador juntamente com todos os elementos que enriquece a cultura baiana. Danças, comidas, tradições, religiosidade e principalmente o sotaque baiano na narrativa, não foram deixados de lado, porque a Cecília Amado conseguiu fazer um trabalho bastante fiel à versão literária. Cecília mantém os principais personagens dos Capitães da Areia e apresenta no filme os principais acontecimentos deste grupo.
Entretanto para quem não leu o livro Capitães da Areia, pode ficar com a sensação que algumas histórias que contém no filme ficaram um pouco sem rumo, pois foram explicadas de maneira rápida. Um exemplo disso foi durante o desfecho da história dos Capitães da Areia. No livro, Jorge Amado revela com detalhes o destino de cada um dos personagens, explicando o que lhes aconteceu com eles. No filme o Professor ficou encarregado de explicar para José, irmão de Dora, o que ele acha que pode acontecer com cada um dos capitães da areia. Ou seja, o destino dos meninos se transformou numa mera previsão do professor.
Além disso, alguns personagens tiveram suas história contada com rapidez e sem profundidade. O padre José Pedro, no livro contém um papel bem relevante na vida dos capitães da areia e no filme não ganhou tanto destaque, deixou a sensação que a presença do padre era superficial na vida dos meninos. As pequenas alterações feitas no filme não prejudicaram ou atrapalharam, mas se tivesse retrato à denúncia social com mais intensidade, como está na obra original, o filme Capitães da Areia teria ficado mais realista.
Enfim, o filme Capitães da Areia não é um filme brilhante, peca em alguns pequenos detalhes, mas não pode ser ignorado. Particularmente considero a versão literária uma obra prima valiosa que todos os leitores devem ler pelo menos uma vez na vida. Gosto muito do livro, tanto que já li mais de uma vez e quero reler futuramente. Quanto ao filme, ele merece ser apreciado.
Interessante ver todos aqueles personagens do livro transpostos para o audiovisual, porém, como sempre, o filme é bem inferior ao livro de Amado. Quem não leu ainda fica meio perdido em várias das cenas, que parecem deixar muito subentendido.
Jorge Amado percebeu no catolicismo uma das estruturas de poder que sustentavam a elite conservadora e a opressão social. Os "Capitães" não tinham amparo na moralidade católica dominante; em vez disso, encontram conforto, proteção e identidade na religiosidade marginalizada. Numa estrutura de crença que reconhece a dignidade de suas existências, algo negado pelas instituições oficiais do Estado. Jorge Amado foi figura política fundamental na defesa do direito ao livre exercício de culto e consciência, numa época em que cultos de matriz africana, sofriam perseguição policial e social sistemática. Infelizmente, não mudou muita coisa!
Assim que terminei de ler Capitães da Areia, aproveitei para conferir o longa-metragem. Não é a primeira vez que assisto, pois sempre que passa nos canais do Telecine, exatamente no Telecine Cult e tenho a oportunidade, eu assisto. Dirigido por Cecília Amado, neta de Jorge Amado, o longa Capitães da Areia, que foi escrito em 1937, ganhou uma adaptação em 2011. Na ocasião o lançamento do filme marcou dez anos da morte do escritor Jorge Amado, que falecido em 6 de Agosto de 2001 e também deu o início das comemorações do centenário de Jorge Amado.
Para quem leu a obra de Jorge Amado, dá para perceber que a fotografia do filme é rica em mostrar Salvador juntamente com todos os elementos que enriquece a cultura baiana. Danças, comidas, tradições, religiosidade e principalmente o sotaque baiano na narrativa, não foram deixados de lado, porque a Cecília Amado conseguiu fazer um trabalho bastante fiel à versão literária. Cecília mantém os principais personagens dos Capitães da Areia e apresenta no filme os principais acontecimentos deste grupo.
Entretanto para quem não leu o livro Capitães da Areia, pode ficar com a sensação que algumas histórias que contém no filme ficaram um pouco sem rumo, pois foram explicadas de maneira rápida. Um exemplo disso foi durante o desfecho da história dos Capitães da Areia. No livro, Jorge Amado revela com detalhes o destino de cada um dos personagens, explicando o que lhes aconteceu com eles. No filme o Professor ficou encarregado de explicar para José, irmão de Dora, o que ele acha que pode acontecer com cada um dos capitães da areia. Ou seja, o destino dos meninos se transformou numa mera previsão do professor.
Além disso, alguns personagens tiveram suas história contada com rapidez e sem profundidade. O padre José Pedro, no livro contém um papel bem relevante na vida dos capitães da areia e no filme não ganhou tanto destaque, deixou a sensação que a presença do padre era superficial na vida dos meninos. As pequenas alterações feitas no filme não prejudicaram ou atrapalharam, mas se tivesse retrato à denúncia social com mais intensidade, como está na obra original, o filme Capitães da Areia teria ficado mais realista.
Enfim, o filme Capitães da Areia não é um filme brilhante, peca em alguns pequenos detalhes, mas não pode ser ignorado. Particularmente considero a versão literária uma obra prima valiosa que todos os leitores devem ler pelo menos uma vez na vida. Gosto muito do livro, tanto que já li mais de uma vez e quero reler futuramente. Quanto ao filme, ele merece ser apreciado.
Bom filme mais sinto que o diretor poderia ter feito mais
Interessante ver todos aqueles personagens do livro transpostos para o audiovisual, porém, como sempre, o filme é bem inferior ao livro de Amado. Quem não leu ainda fica meio perdido em várias das cenas, que parecem deixar muito subentendido.
Parece um monte de cenas aleatórias jogadas num mesmo vídeo